A MAIOR CARICATURA
(CARNAVAL)
Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬)09/02/2026
Alguém disse que “O carnaval é a maior
caricatura, na folia o povo esquece a amargura” (Salgueiro 1983). Entusiasta
que somos da cultura dos povos e das suas inúmeras manifestações populares, nesse
momento carnavalesco, também compartilhamos do entusiasmo das pessoas: vamos
brincar o carnaval! No entanto, somos um tanto quanto reticentes no que diz
respeito ao envolvimento integral nessa felicidade desvairada e programada.
Virar a tristeza pelo averso, como diz a letra do samba, é desejável; mas,
acreditamos que postergar, esquecer e abandonar a realidade pela fantasia do
momento, quase nunca produz felicidade duradoura (embora possa oferecer prazeres
pontuais). Com os seus “Traços e Troças” (nome da letra do Samba Enredo), o
Salgueiro, assim como tantos outros artistas da música, acreditavam poder
influenciar e mudar o país na década de oitenta (ver o Pop Rock nacional); porém,
passados mais de quarenta carnavais, ainda estamos aqui, acreditando em uma
mudança que nunca chega (“a arte de viver da fé, só não se sabe fé em quê” - Paralamas).
Se, décadas depois, as mudanças estruturante ainda não chegaram, o mesmo já não
se pode dizes das inúmeras quartas de cinzas (lúcidas, pacientes e resilientes),
elas sempre nos encontram; não adianta tentar fugir. Elas nos encontram assim
como as dívidas de janeiro, momento de ajustes, após os festejos de fim de ano.
Nesse encontro, nada desejável, elas (as quartas de cinzas) nos devolvem toda dura
realidade que durante alguns dias buscamos “deixar para lá”, “não fazer questão”,
“ser de boas”, “jogar para o universo”, “good vibe” etc. Talvez, nesse carnaval
(2026), ao invés de uma tristeza que só queira se divertir, tenhamos que convencer
a nossa tristeza de que, além do desejo pela diversão, ela também precisa se
apaixonar pela reflexão!
FELIZ CARNAVAL!!! C@CAU “:¬)

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