segunda-feira, 8 de junho de 2026

CRISE DA RAZÃO

 CRISE DA RAZÃO

Por Claudio Ramos, a partir da net e livros. C@cau “:¬)08/06/2026

Mostrar de que maneira a razão, antes vista como bússola segura da humanidade, perdeu solidez diante da complexidade do mundo contemporâneo.

RESUMO

- A decadência do projeto de racionalidade moderna e a crise dos ideais iluministas.

·         Pós-Modernidade, a partir da segunda metade do século XX.

·         Crítica aos usos e às concepções tradicionais da razão.

·         Valorização da multiplicidade de perspectivas, identidades e culturas.

·         Reconhecimento da fragmentação, do relativismo e do pluralismo de narrativas.

INFLUÊNCIAS

- Reflexões pós-modernas sobre fragmentação cultural e epistemológica.

·         Críticas à razão e aos ideais iluministas.

·         Impacto em debates contemporâneos sobre pluralidade, diversidade e metodologias de conhecimento.

PROVOCAÇÃO

- E se o mundo não tivesse um sentido único?

·         E se a razão fosse insuficiente para explicar a vida?

CONFLITOS

- Refletindo o excesso de informação.

·         A fragmentação do real e a sobrecarga emocional que marcam nosso tempo.

·         Em vez de respostas racionais, manifestam-se ansiedade, confusão e esgotamento, sinais do colapso da razão como guia para compreender o mundo.

·         A ruptura com ideais como progresso, verdade, liberdade e sentido, historicamente associados à ciência, à técnica e à lógica.

A RAZÃO EM CRISE

- A razão é uma das ideias mais constantes e influentes na história da Filosofia.

·         Tornou-se um dos pilares da construção do pensamento ocidental quando os primeiros filósofos passaram a questionar explicações míticas e a buscar respostas por meio da observação, do diálogo e da argumentação lógica.

·         Esse rompimento com a explicação mitológica significou a inauguração de uma nova forma de organizar a experiência humana, reconhecendo a natureza como realidade caótica e visando orientar a ação dos homens diante dela.

O QUE É A RAZÃO

- Razão, do latim ratio; capacidade de pensar, julgar e compreender; fundamentar ações e decisões com lógica.

·         No campo da Filosofia, refere-se à faculdade humana de refletir sobre a realidade, organizar conhecimentos, avaliar argumentos e distinguir o verdadeiro do falso.

·         É central para a ética, a ciência e a crítica, alicerçando a autonomia do pensamento e a construção de juízos fundamentados.

O AMOR RACIONALIZADO

- Diotima de Mantineia, em O banquete, Diotima apresenta o amor não como desejo físico, mas como impulso em direção à verdade, que se realiza em etapas.

·         Do amor aos corpos, passando pelas almas, pelas leis e pelos saberes, até alcançar a contemplação do belo em si.

·         Esse percurso do Eros dialoga com o mito da caverna, narrado em A república (c. 375 a.C.), em que Platão ilustra o processo de libertação da alma.

·         O prisioneiro que abandona a caverna simboliza o filósofo que, movido por esse impulso, rompe com as sombras dos sentidos e atinge a luz do sol, metáfora do bem e do conhecimento verdadeiro.

·         Assim, a ascensão amorosa descrita por Diotima corresponde ao caminho da razão em busca da verdade.

·         A vida que não passa pelo exame não merece ser vivida para o ser humano.

INÍCIO DA RACIONALIZAÇÃO

- A tradição filosófica ocidental consolidou-se com base em Sócrates (470-399 a.C.), Platão (427-347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.).

·         A história da Filosofia também abriga outras vozes que contribuíram para a formação do pensamento socrático e platônico.

HISTÓRIA DA RAZÃO

- Na Antiguidade, a razão foi concebida como a capacidade de ordenar o mundo e alcançar verdades universais.

- Na Idade Média, sobretudo com a escolástica, foi conciliada com a fé cristã e utilizada para compreender e fundamentar as verdades reveladas.

- Na Modernidade, recusou esse princípio divino e se tornou base do conhecimento científico, assumindo o posto de motor do progresso e da liberdade.

RAZÃO CONTEMPORÂNEA

- A partir do século XIX, razão passou a ser criticada.

·         Argumentava-se que a razão, que organizava a experiência humana, também era usada para técnicas de dominação, controle e destruição.

CRÍTICOS DA RAZÃO

- Friedrich Nietzsche (1844-1900) criticou a razão como instrumento de dominação e negação da vida.

- Max Weber (1864-1920) identificou no processo de racionalização e burocratização o “desencantamento do mundo”, isto é, a perda de sentido na Modernidade.

- Michel Foucault (1926-1984) evidenciou que discursos racionais e científicos não são neutros, mas funcionam como mecanismos de poder.

A RAZÃO E O PENSAMENTO PÓS-MODERNO (SÉC. XX)

- Os projetos da razão moderna, evidenciados pelo Iluminismo (século XVIII), buscavam explicar e dominar o mundo por meio do saber científico, da racionalidade e do ideal de progresso universal.

·         No decorrer do século XX, tornaram-se visíveis suas limitações.

·         O conhecimento mostrou-se insuficiente para resolver muitas demandas sociais e científicas.

·         A racionalidade não foi capaz de impedir guerras devastadoras, solucionar a miséria nem conter as crises ambientais.

·         Surgiu o chamado pensamento pós-moderno, uma abordagem crítica que questiona os fundamentos da Modernidade.

·         A dúvida sobre a crença em uma razão universal, no progresso linear da história e nas chamadas metanarrativas.

RAZÃO LIMITADA

- A razão é limitada e sempre situada em contextos históricos, culturais e linguísticos.

·         Em vez de fundamento absoluto da verdade, aparece como plural e relativa, sujeita a diferentes perspectivas.

TEÓRICOS PÓS-MODERNOS

- Jean-François Lyotard (1924-1998): Jogos de Linguagem e as Pequenas Narrativas.

“Simplificando ao extremo, considera-se “pós-moderna” a incredulidade em relação aos metarrelatos. É, sem dúvida, um efeito do progresso das ciências; mas este progresso, por sua vez, a supõe”.

“Vivemos o fim das explicações totalizantes, substituídas por múltiplos “jogos de linguagem” ou pequenas narrativas que coexistem sem hierarquia”.

- Foi um filósofo francês cuja principal contribuição está na obra A condição pós-moderna (1979).

·         Nela, descreveu o momento histórico em que as grandes metanarrativas perderam a capacidade de totalizar e legitimar o conhecimento e a ação social.

·         Lyotard criticou tanto a pretensão universalista da razão iluminista e seu ideal de progresso científico quanto o determinismo histórico do marxismo.

·         Os jogos de linguagem são diferentes sistemas de comunicação, cada qual com suas próprias regras e formas de legitimidade.

·         As pequenas narrativas correspondem a relatos locais e específicos que dão voz à pluralidade em vez de impor explicações universais.

·         A diversidade cultural e de valores impede a existência de um único fundamento para a justiça: cada grupo social opera baseado em seus próprios jogos de linguagem. 

- Zygmunt Bauman (1925-2017), o fim da Autoridade do Saber e da distinção entre Fatos e Opiniões (Modernidade Líquida).

Ser moderno significa estar sempre à frente de si mesmo, num estado de constante transgressão [...]; também significa ter uma identidade que só pode existir como projeto não realizado.

·         Analisou criticamente a condição humana na contemporaneidade.

·         O surgimento da internet transformou a tradicional autoridade do saber, antes concentrada em professores, cientistas, jornais e universidades.

·         A ampla circulação de informações expandiu o acesso ao conhecimento, mas também tornou mais complexa a distinção entre fatos e opiniões, favorecendo a disseminação de informações imprecisas.

·         Essa realidade integra o que Bauman chamou de modernidade líquida, caracterizada pela fluidez, instabilidade e fragilidade dos vínculos sociais e das estruturas e identidades que compõem a sociedade contemporânea.

·         No ambiente digital, os dados circulam em grande velocidade, dificultando a construção de análises mais profundas.

·         O excesso de informações gera incerteza e contribui para uma percepção de fragilidade nas relações, na constituição da identidade e na confiança em instituições.

·         A lógica da comunicação digital se combina à da sociedade de consumo, na qual o indivíduo é pressionado a consumir continuamente.

·         O valor social passa a depender de escolhas efêmeras e descartáveis, tornando o consumo uma obrigação cultural que molda comportamentos, desejos e formas de ser.

- Gerd Bornheim (1929-2002) e a banalização do termo crise.

 “Chegamos a um ponto em que se fala em crise em qualquer contexto: crise da política, crise da arte, crise da educação, crise do homem, crise da linguagem… e o mais paradoxal: fala-se inclusive na crise da própria crise”.

·         Há uma percepção de que diferentes áreas, como política, ciência, educação, arte, valores e a própria condição humana, enfrentam desafios e instabilidades.

·         O uso generalizado enfraqueceu o conceito, que deixou de designar uma ruptura decisiva com potencial de transformação e passou a expressar uma sensação contínua de instabilidade.

·         Em seu sentido clássico, a crise indicava um momento essencial para desencadear mudanças.

·         A sociedade contemporânea parece viver sob a lógica da permanência da crise, em que a exceção se torna regra.

·         Quando tudo é visto como crise, já não é possível discernir o que realmente está em discussão, como se observa no trecho a seguir.

·         O esvaziamento de significado compromete a capacidade humana de reflexão.

·         Se a crise perde seu caráter de urgência e decisão, instala-se uma espécie de amortecimento da consciência crítica.

·         A Filosofia pode contribuir para devolver sentido ao conceito de crise, restituindo-lhe sua dimensão de chamado à mudança e de possibilidade de recomeço.

Yoshihiro Francis Fukuyama (1952-)

A tese do “fim da história” defende que, com o colapso do socialismo real, o liberalismo capitalista teria superado seus concorrentes ideológicos, tornando-se o modelo político mais legítimo e estável.

- O cientista político estadunidense Yoshihiro Francis Fukuyama (1952-) tornou-se conhecido pela obra O fim da história e o último homem (1992), escrita após o fim da União Soviética e em meio à crise do Estado de bem-estar social.

·         Ex-assessor do governo de Ronald Wilson Reagan (1911-2004), presidente dos Estados Unidos entre 1981 e 1989.

·         Fukuyama defendeu que a democracia liberal – baseada em eleições livres, economia de mercado, estado de direito e respeito aos direitos individuais – representaria o estágio final da evolução política da humanidade.

·         Ao afirmar que a democracia liberal é o ápice da razão histórica, Fukuyama retoma uma visão iluminista de progresso: a crença de que a história avança linearmente rumo a um estágio final de liberdade e reconhecimento.

·         Essa posição contrasta com Adorno (1903-1969) e Horkheimer (1895-1973), que denunciaram a razão como instrumento de dominação, e com Lyotard, que rejeitou as grandes narrativas em favor de múltiplas “pequenas narrativas”.

·         A tese do “fim da história” reabre o debate sobre os limites da razão moderna: para Fukuyama, ela conduz ao equilíbrio democrático; para seus críticos, pode encobrir conflitos e novas formas de opressão.

·         A tese foi questionada pela persistência de guerras, desigualdades, fundamentalismos e crises.

·         Eventos como os atentados de 11 de setembro e o avanço do populismo mostram que a história não chegou a um ponto final.

·         Isso levou Fukuyama a revisar parte de sua posição: embora mantenha a defesa do modelo liberal, reconhece que ele, isoladamente, não basta para enfrentar os desafios atuais.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

 

VIVA O SAMBA!

Noca nos lembra o Milton Nascimento. Este, carioca que se tornou mineiro; aquele, mineiro que se tornou carioca. Nós que estamos concluindo uma monografia sobre o samba na cidade de Natal (Sociologia da Música), não lamentamos sua partida; ao contrário, comemoramos a sua existência. Obrigado Noca da Portela (1932-2026)! Homem de gosto refinado, sabia o que era bom: além de ser tricolor das Laranjeiras (Maravilha!) sabia compor, cantar e honrar o velho e bom samba (Excelente!). Parafraseando a magnífica Leci Brandão: quem me dera que fosse na Imperatriz Leopoldinense, que existisse um Noca da Portela... Vai na paz sambista! C@cau “:¬)

segunda-feira, 11 de maio de 2026

HANNAH ARENDT (1906-1975)

 

HANNAH ARENDT (1906-1975)

Por: Claudio F Ramos, a partir de livros e da net. C@cau “:¬)11/05/2026

VÍDEO AULA: https://www.youtube.com/watch?v=PJBDBBsR5wY

BIOGRAFIA

- Arendt foi presa em 1933 por ajudar judeus perseguidos, mas conseguiu fugir para Paris.

·         Em 1940, em Paris, a filósofa foi detida e levada ao campo de concentração de Gurs, do qual conseguiu.

·         Em 1941, emigrou para os Estados Unidos, onde se estabeleceu e aprofundou sua carreira.

TEMAS

- Hannah Arendt, filósofa alemã, analisou a política como governo, administração, espaço de ação, liberdade e pluralidade.

·         Examinou os regimes totalitários e propor distinções conceituais: a diferença entre poder e violência.

·         O uso exclusivo da força mina a legitimidade política.

- Análise do poder como conceito político.

·         Oposição entre o Estado de direito democrático e as experiências totalitárias.

·         Diferentes formas de organização social.

REGIMES TOTALITÁRIOS

- Hannah Arendt analisou a ascensão do totalitarismo, distinguindo esse regime de formas políticas como o absolutismo, a tirania e a ditadura.

·         Na obra Origens do totalitarismo (1951), examinou os regimes totalitários do século XX a fim de compreender seus fundamentos.

·         Para ela, o totalitarismo é uma forma de imposição cultural, domina não apenas a política e a economia, mas também a cultura, a educação, a religião, os valores e os costumes.

O TERROR

- Os regimes totalitários combinavam técnicas de terror em massa, policiamento constante, censura, perseguição e outras formas de repressão.

·         Investiam em estratégias de adesão, como propaganda ideológica, unificação partidária, lideranças carismáticas, promoção de coesão social por identificação, incentivo ao nacionalismo, e mobilização das massas em ritos e espetáculos políticos voltados à exaltação do regime.

A INSTRUMENTALIZAÇÃO DO ESTADO 

ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo: antissemitismo, imperialismo, totalitarismo. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2013.

Abertura dos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. O evento foi utilizado pelo regime nazista como instrumento de propaganda para exaltar o nacionalismo alemão e fortalecer a imagem do regime totalitário no cenário internacional.

- Arendt demonstrou como o totalitarismo ameaça a individualidade e a liberdade, e reduz os cidadãos a instrumentos do Estado.

·         Essa supressão dos direitos humanos instaura um estado de exceção permanente e inibe a formação de pensamento crítico capaz de romper com o poder vigente.

·         Os regimes totalitários desestruturam os vínculos sociais, isolando os indivíduos uns dos outros, em um processo que a filósofa descreveu como a formação de “massas atomizadas”.

AS MASSAS ATOMIZADAS

(Individualidade sem liberdade)

- O conceito de “massa atomizada” define pessoas que, desconectadas de laços comunitários e incapazes de ação coletiva, tornam-se mais suscetíveis à dominação e contribuem para a reprodução e para o fortalecimento do controle estatal.

·         O nacionalismo tornou-se o precioso aglutinante que iria unir um Estado centralizado a uma sociedade atomizada e, realmente, demonstrou ser a única ligação operante e ativa entre os indivíduos formadores do Estado Nação.

O ULTRANACIONALISMO

(A demagogia da pátria acima de tudo)

- O nacionalismo, mesmo quando não radicalizado, sempre conservou essa íntima lealdade ao governo e nunca chegou a perder a sua função de manter um precário equilíbrio entre a nação e o Estado.

·         Estado de um lado e os cidadãos de uma sociedade atomizada, do outro.

O PROBLEMA DO MAL

(A banalização do Mal)

- Em Eichmann em Jerusalém (1963), Arendt refletiu sobre como a ausência de uma dimensão crítica no povo pode promover a dessensibilização e desumanização, que ela chamou de banalidade do mal.

·         Ao analisar o julgamento de Adolf Eichmann, oficial nazista responsável por diversas formas de violência, ela chegou à conclusão de que ele não era uma figura maléfica ou sádica, mas um burocrata comum que, por executar ordens sem reflexão crítica, foi capaz de reproduzir o terror.

·         Para Hannah Arendt, o mal pode ser rotineiro, burocrático e desprovido de ódio extremo.

·         O maior problema do controle e da massificação totalitária está em tornar as pessoas incapazes de se sensibilizar umas com as outras ou de pensar de maneira autônoma e crítica diante de situações comuns.

O NECESSÁRIO EXERCÍCIO CRÍTICO

(Autonomia ao pensar)

Disponível em: https://www.coladaweb.com/portugues/opiniao - Consultado em 11/05/2026

- Arendt defendeu o exercício crítico e autônomo do pensamento, que só pode ocorrer quando o humano vive em condição de liberdade.

·         Ela compreendeu a liberdade humana como a capacidade de agir, produzir algo novo ou deliberar o interesse coletivo por meio do discurso entre indivíduos plurais.

·         A liberdade não é um direito abstrato, e sim uma experiência concreta que se realiza na pluralidade e na participação política.

A CONDIÇÃO HUMANA

(Atividades fundamentais)

- Em A condição humana (1958), Hannah Arendt explora três atividades fundamentais da vida humana que são possíveis com base na liberdade: o labor, o trabalho e a ação.

·         O labor (Manutenção) - é a atividade ligada à manutenção da vida biológica pela satisfação das necessidades naturais, como tomar banho, comer, amamentar, entre outras.

·         O trabalho (Produção) - é a tarefa que produz bens duráveis e estáveis que modificam as condições de vida, como construir uma casa e escrever um livro.

·         A ação (Interação) - ocorre quando os seres humanos exercem sua liberdade publicamente e em meio à diversidade, permitindo o surgimento de novas formas de vida pela interação igualitária e fraternal, como um grupo de estudos ou uma manifestação.

terça-feira, 21 de abril de 2026

DARCY RIBEIRO (1922-1997)

 DARCY RIBEIRO (1922-1997)

(ANTROPOLOGIA SOCIAL BRASILEIRA) 

Por: Claudio Ramos a partir da IA. C@cau “:¬)21/04/2026 

PORQUE O BRASIL, ENQUANTO NAÇÃO, AINDA NÃO DEU CERTO?

VÍDEO AULA: https://www.youtube.com/watch?v=PdUXH00ent4

MINIBIOGRAFIA

- Darcy Ribeiro foi um antropólogo, educador, escritor e político brasileiro, fundamental na defesa da causa indígena e da educação pública.

·         Fundador da UnB e autor de obras clássicas como "O Povo Brasileiro", destacou-se pela criação de CIEPs (escolas de tempo integral).

·         Foi um pensador central da identidade nacional, atuando como ministro da Educação e senador.

IDENTIDADE NACIONAL E FORMAÇÃO DO POVO

- O ponto de partida da reflexão de Darcy Ribeiro é sua obra máxima, O Povo Brasileiro.

·         Para ele, o Brasil é uma "Nova Roma": uma tentativa de criar uma civilização nova, mestiça e tropical.

As Três Matrizes

- Ele identifica que somos formados pelo encontro (muitas vezes violento) de três matrizes:

·         a Indígena, a Africana e a Europeia (Lusitana).

O "Moinho de Gentes"

- Darcy usa essa metáfora forte para explicar que a colonização foi uma máquina de moer pessoas.

·         Indígenas e africanos foram despojados de suas culturas originais para servir ao projeto colonial.

O Conceito de "Ninguendade"

- Este é um dos termos mais originais de Darcy.

·         O brasileiro original (o mameluco, o mulato) nasceu de um processo onde ele não era mais europeu, mas também não era mais puramente indígena ou africano.

A Crise de Identidade

- Esse "ser ninguém" gerou uma necessidade de criar uma nova identidade.

·         O brasileiro é, portanto, alguém que se define pela ausência de uma pátria original, construindo uma nova no processo.

Transfiguração Étnica

- Diferente de outros teóricos que viam a mestiçagem como algo biológico, Darcy a via como cultural e social.

·         Ele defendia que o Brasil não é uma colcha de retalhos de culturas, mas uma unidade nova.

·         A "transfiguração" ocorre quando as matrizes originais se fundem de tal forma que surge algo totalmente diferente de suas partes isoladas.

OS "BRASIS" REGIONAIS

- Apesar de sermos um único povo, Darcy mapeou cinco áreas culturais distintas que explicam a diversidade do país:

·         Brasil Sertanejo: (Interior, cultura do gado, herança mameluca).

·         Brasil Crioulo: (Litoral, forte herança da escravidão açucareira).

·         Brasil Caipira: (São Paulo, Minas, Paraná; a expansão bandeirante).

·         Brasil Sulino: (Forte influência da imigração europeia tardia e pampa).

·         Brasil Caboclo: (Amazônia, adaptação à floresta).

EDUCAÇÃO COMO PROJETO DE NAÇÃO

- Darcy Ribeiro acreditava que o maior problema do Brasil não era a falta de recursos, mas o descaso das elites.

·         CIEPs (Brizolões): Junto com Leonel Brizola, ele idealizou os Centros Integrados de Educação Pública.

·         A ideia era a escola de tempo integral, onde o aluno teria acesso à cultura, esporte e saúde, além das aulas.

FRASE FAMOSA

- "A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto."

·         Ele defendia que a elite mantém a educação precária de propósito para impedir a ascensão das massas.

Darcy Ribeiro quando?

- Sempre que o tema envolver desigualdade escolar ou a busca pela identidade cultural brasileira.

·         Ele dá uma autoridade enorme para o seu argumento sobre como a história do Brasil foi construída "de cima para baixo".

 

terça-feira, 7 de abril de 2026

DIGNIDADE CANINA

 

DIGNIDADE CANINA

A diferença entre os cães dos pobres e os cães dos ricos, em relação aos seus donos, é a seguinte: os cães dos pobres são carentes dos seus donos, uma vez que são tratados abaixo da dignidade que um animal merece. Esperam por atenção e cuidados que nunca chegam. No caso dos cães dos ricos, a situação se inverte totalmente, os donos é que são carentes dos seus pets. Os cães não são tratados como animais de fato; demasiadamente protegidos, passam por um violento e descaracterizador processo de humanização ininterrupta. Os ricos não conseguem viver sem a presença do seu precioso animal de estimação, ao passo que o animal se encontra cercado e sufocado por todos os lados (carrinho de bebê, roupas, acessórios, aniversários etc.). Não me surpreenderei se um dia o cachorro do pobre, por questão de extrema necessidade, aprender a falar para pedir ajuda ao seu dono negligente e, ao mesmo tempo, o cachorro do rico, por pura humanidade canina, decidir colocar a coleira no dono e levá-lo para passear! C@cau “:¬)07/04/2026

 

sexta-feira, 13 de março de 2026

ALEIJÕES

 ALEIJÕES

Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬)13/03/2026

Se, para realizar alguma coisa importante em sua vida, precisas da intervenção direta (favores) de um político qualquer, és, seguramente, um(a) forte candidato(a) à corrupção dos próprios valores. O nosso título, aleijões, não se refere a uma deformação ou malformação permanente em um membro ou órgão do corpo; nós o utilizamos no sentido figurado; ou seja, desejamos descrever algo que seja disforme no caráter ou defeituoso na moral. A quase totalidade da classe política brasileira, sem surpresa alguma, se encaixa sob medida nesse horroroso perfil. Eles têm a infeliz habilidade de corromper o cidadão de dentro para fora. Silenciosa e paulatinamente, sem pressa, te consomem como um câncer incurável! Te fazem acreditar naquilo que eles mesmos deixaram de acreditar ou nunca acreditaram. Quando falam de corrupção, nunca falam deles mesmos ou dos seus correligionários. Quando falam sobre o crime organizado e a impunidade que o cerca, primeiro: não acreditam que eles mesmos, com toda corrupção que praticam, sejam os criminosos; segundo: reivindicam leis mais rígidas como se não fossem eles mesmo os legisladores que não as fazem; e, por fim, dizem que os juízes soltam os bandidos logo depois que a polícia os prende. Afirmam isso como se a culpa fosse apenas da hermenêutica dos que julgam e não das leis mal elaboradas por eles mesmos (as populares brechas na lei). Como diria Foucault, nessa sociedade normatizadora, as leis não existem apenas para punir; elas também são criadas com o propósito de nos convencer, e assim, nos tornar defensores das mentiras que eles, do alto de suas incompetências, gestam nos interiores das casas legislativas desse enorme país. Claudicando da razão e paralisados da reflexão, eles seguem banalizado a moral por meio de uma “ética” da conveniência. Uma “ética” que torna comum o excepcional e o excepcional em comum. Sem perspectivas, o eleitor se agarra em qualquer aparência de autorrealização social. Se deixa envolver e convencer a partir de sentença dúbias: “rouba, mas faz”; “ruim com ele, pior sem ele”; “pior do que tá, não fica”; “pelo menos esse eu conheço”; “arranjou emprego para mim e minha família” etc. Na ética da conveniência, o sarrafo (padrão de medida moral – figuradamente) não é baixo, ele simplesmente inexiste; vale tudo! Essa realidade distorcida deixaria até Maquiavel assustado. Se pudesse retornar do Renascimento para os dias atuais, Maquiavel não teria muita dificuldade em classificar os nossos políticos; ele certamente diria: gente ESTÚPIDA, gente HIPÓCRITA, ALEIJÕES! C@cau”:¬)   

 

quinta-feira, 5 de março de 2026

O BRASIL E O MUNDO: UMA AGONIA SEM FIM!

 O BRASIL E O MUNDO: UMA AGONIA SEM FIM!

Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬)05/03/2026

 

Atualmente, as pessoas, no que diz respeito às instituições públicas e privadas, estão cada vez mais descrentes quanto a importância e a eficiência de suas existências (o Estado, a política, a justiça, as empresas, as religiões etc.). É muito difícil continuar acreditando em algo, quando as frustrações se sobrepõem, sistematicamente, umas às outras; ou seja, são camadas sobre camadas de decepções, medo, dores e humilhações. Para se ter uma ideia do que estamos falando, iremos elencar alguns fatos, sem detalhamentos, ocorridos em nosso país e no mundo nos últimos tempos. O Estado do Rio de Janeiro teve vários governadores afastados (alguns presos pela justiça); a Casa legislativa, do mesmo Estado, apresenta-se como um ninho de abutres do erário público (além de forte amizade com as milícias que oprimem e espoliam as pessoas nas periferias); há um esquema de corrupção montado dentro de várias delegacias do Estado de São Paulo (13 mandato de prisão estão sendo implementado pelo MP e pela PF hoje 05/03); a liquidação do Banco Master está deixando um rastro de denúncias que comprometem empresários e o alto escalão da política e do judiciário nacional (direita, esquerda, centro, público, privado etc.); tivemos o “problema” (a palavra problema, nesse caso, é um eufemismo, o rombo foi de bilhões) das cobranças indevidas nas pensões dos segurados do INSS; o Presidente anterior do Brasil está preso, o atual, já esteve no cárcere; o Senado e a Câmara falam de ética e justiça, mas se banqueteiam em Emendas Pix secretas (parlamentares enviam recursos públicos para Estados e Municípios, sem transparência e possibilidade de rastreio do uso do dinheiro); nos três poderes, principalmente no judiciário, vários funcionários públicos recebem salários acima do teto, que deveria ser menor do que R$ 50.000.00. Há muito mais a ser dito, mas isso só terminaria no próximo mês. Desacreditar das instituições, da política e da justiça, não tem sido “privilégio” só dos brasileiros; o mundo caminha na mesma direção. O Presidente dos EUA pleiteou ganhar o Nobel da Paz, mas só faz guerras; a Rússia, há mais de quatro anos vem fustigando a Ucrânia sem ter sido atacada anteriormente; radicais fundamentalistas, assassinaram, sequestraram e brutalizaram centenas de judeus e, como resposta, tiveram um verdadeiro extermínio de milhares de palestinos; a Venezuela teve a sua soberania violada e o seu ditador levado à julgamento no exterior; agora, como se não bastasse, temos um novo conflito na região do Golfo (décadas atrás foi no Iraque 2003), Irã x EUA e Israel, além dos outros que estão sendo sugados para o cerne do conflito.

Como podemos ver, motivo para a descrença é o que não falta. Continuar acreditando, mesmo quando os resultados são opostos ao que se espera, não é tarefa das mais fáceis. Na atual conjuntura, um líder religioso diria: tenha mais fé! Um líder militar diria: seja mais patriota! Um empresário reforçaria: vista a camisa! Um líder político discursaria: exerça a cidadania! Mas, para a maioria das pessoas comuns, qual desses apelos ainda tem força, poder e legitimidade? C@cau “:¬)

 

ESTRATIFICAÇÃO E DESIGUALDADE SOCIAL

  ESTRATIFICAÇÃO E DESIGUALDADE SOCIAL (SOCIOLOGIA) Por: Claudio Ramos, a partir de livros e da IA. C@cau “:¬)19/09/2026 VÍDEO AULA:  ...