segunda-feira, 17 de agosto de 2026

EDMUND HUSSERL (1859-1938)

 EDMUND HUSSERL (1859-1938)

Por: Claudio Ramos, a partir de livros e da net. C@cau”:¬)17/08/2026

Para Husserl, não existe mente isolada (como o Cogito de Descartes); a consciência só existe quando conectada a um objeto no mundo.

 VÍDEO AULAS: 

https://www.youtube.com/watch?v=-l-fZx5QjmQ

https://www.youtube.com/watch?v=8jGnCwyQeb4

I - FILÓSOFO

- Edmund Gustav Albrecht Husserl (1859-1938)

·         Formou-se em Matemática e Astronomia.

·         Voltou-se para a Filosofia sob influência de Franz Brentano.

·         A experiência consciente e o conceito de intencionalidade o atraíram.

II - TESE

- Toda consciência é consciência de algo.

·         A mente não é uma caixa vazia que recebe dados, ela sempre se lança em direção ao mundo.

·         Husserl revolucionou a filosofia ao propor que não devemos focar nos objetos em si, mas em como os objetos aparecem para a nossa consciência.

III - CONCEITOS

- NOESIS: O ato de perceber (pensar, desejar, lembrar).

- Noema: O objeto tal como é percebido (a lembrança, a imagem mental).

IV - CONTEXTO

- Crises e pessimismo

·         O pessimismo e as crises do final do século XIX e início do século XX, espalhou-se e criou um sentimento de desânimo com o progresso da humanidade.

·         Ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos e econômicos ampliavam as possibilidades de escolha.

·         Havia mais possibilidades, mas também mais enfraquecimento dos antigos referenciais coletivos.

·         Religião, família, tradições e hierarquias sociais, não tinham mais a força do passado.

V - OBRAS

- Filosofia da aritmética (1891)

·         Nessa obra Husserl investigou a relação entre matemática e atividade mental.

·         Posteriormente, criticou essa abordagem, que ficou conhecida como psicologismo.

·         Psicologismo é a tendência de reduzir a Lógica, a Matemática e até os conceitos filosóficos a fenômenos mentais subjetivos.

- Investigações lógicas (1900-1901)

·         Nessa obra Husserl defendeu que o conhecimento não poderia ser explicado apenas como produto da atividade psíquica.

·         Esse reducionismo compromete o caráter universal do conhecimento.

·         O filósofo sugeriu renovar a Filosofia como uma ciência rigorosa, voltada à investigação das essências e das estruturas que tornam possível o conhecimento.

- A Crise das Ciências Europeias e a Fenomenologia Transcendental (1954)

·         Nessa obra Husserl alerta que a ciência moderna transformou o mundo em fórmulas matemáticas.

·         Esqueceu a experiência concreta do ser humano.

VI - INFLUÊNCIA

- A filosofia de Husserl foi fortemente influenciada pelo pensamento kantiano.

·         Kant abriu o caminho ao mostrar que a mente humana não é um receptor passivo de dados, mas o agente que dá forma à experiência.

·         Husserl levou essa ideia até as últimas consequências.

·         Em vez de criar sistemas lógicos abstratos para explicar a mente (como Kant fez com suas tabelas de categorias), Husserl propôs um método rigoroso para descrever a experiência pura do sujeito no mundo.

VII - O QUE É FENOMENOLOGIA

- A experiência tal como se vive.

·         A fenomenologia investiga e descreve a experiência tal como é vivida.

·         Ela está ligada à maneira como percebemos e atribuímos sentido ao mundo.

VIII - FATO E ESSÊNCIA

- Husserl distinguiu fato e essência.

·         O fato seria algo constatável aqui e agora.

·         A essência seria aquilo que permanece constante, independentemente das variações individuais (ver: Aristóteles).

IX – FENÔMENO E A COISA EM SI

- Fenômeno significa "aquilo que se mostra".

·         Husserl diz que a filosofia deve "voltar às coisas mesmas" — não aos objetos isolados do mundo.

·         Para o filósofo o que importa é a experiência direta que a consciência tem dos objetos.

X - SEM PSICOLOGISMOS

- A fenomenologia busca descrever as estruturas fundamentais da experiência sem reduzi-las à Psicologia ou às ciências empíricas.

·         Trata-se de um retorno às coisas mesmas, àquilo que se apresenta diretamente à consciência.

·         O objetivo é compreender como o mundo se mostra e o que torna essa experiência possível.

XI - OPOSIÇÃO AO POSITIVISMO

- A Fenomenologia se opõe ao Positivismo.

·         As ciências positivistas acreditam ser possível analisar a realidade de forma 100% neutra e puramente objetiva.

- Exemplo I: Imagine que três pessoas olham para o mesmo celular: um programador pensa no sistema operacional; um fotógrafo na câmera; uma pessoa idosa no receio de não saber usá-lo.

·         O objeto físico é o mesmo, mas o fenômeno percebido por cada consciência é completamente diferente.

- Exemplo II: A medicina que olha para um paciente apenas como "o tumor do leito 4" (fórmula/fisiologia).

·         Deixa de ver as pessoas como seres humanos com medos e histórias de vida (Lebenswelt).

XII - REDUÇÃO FENOMENOLÓGICA

- Husserl desenvolveu o método fenomenológico.

·         O método consiste em investigar como a consciência percebe os fenômenos e se relaciona com suas essências.

XIII - IDENTIFICANDO A ESSÊNCIA

- Para Husserl, essência (eidos) é o núcleo invariante e universal de um fenômeno.

·         É aquilo que faz com que um objeto ou vivência seja o que é e sem o qual ele deixa de ser reconhecível.

·         Ela não é uma ideia abstrata escondida em um mundo metafísico.

·         É algo que se mostra de forma direta à consciência por meio da intuição (eidética).

XIV - COMO SE CHEGA À ESSÊNCIA

- Retorno às coisas mesmas: a máxima da fenomenologia exige olhar para o fenômeno tal como ele se apresenta na experiência vivida.

- Redução eidética: o método pelo qual o pensamento afasta os detalhes acidentais ou individuais de um objeto.

- Variação imaginária: um exercício mental em que se alteram as características de um objeto na imaginação para ver o que permanece estável e o que o faz perder sua identidade.

XV - CARACTERÍSTICAS DA ESSÊNCIA

- É invariância: é o que não muda quando o objeto passa por variações lógicas ou imaginárias.

- Não é um fato empírico: enquanto os fatos são contingentes e particulares (este cavalo, esta cor), a essência é universal e necessária (o que define "ser cavalo").

- Correlação com a consciência: as essências são captadas pela consciência intencional, que lhes confere sentido e significado estrutural.

XVI - A INTENCIONALIDADE DA CONSCIÊNCIA

- Para Husserl, a característica fundamental da consciência é a intencionalidade.

·         A consciência pode ser compreendida como a capacidade de ter ciência de si e de perceber o mundo ao redor.

·         Isso significa que toda vivência consciente está sempre voltada para algo.

·         A consciência nunca ocorre de forma vazia ou isolada.

·         É sempre direcionada a um objeto, seja ele real ou imaginado, concreto ou abstrato.

·         A intencionalidade é a característica que descreve a atividade da consciência humana como um movimento constante de direcionamento.

·         Ela indica que estamos sempre em vigília e que todo ato consciente é, necessariamente, voltado para algo, mesmo que esse algo seja o próprio sujeito.

XVII - FAZENDO EPOCHÉ

- Para fazer filosofia de verdade, precisamos colocar o mundo entre parênteses.

·         Não significa negar a realidade, mas pausar nossos preconceitos e teorias prontas para observar como a experiência realmente acontece.

- Fazer epoché é o mesmo que suspender saberes prévios, conceitos e juízos.

·         Inspirada na epoché dos céticos, essa suspensão busca descrever o modo como o objeto se manifesta à consciência da forma mais pura possível, livre de interferências externas.

·         No senso comum, a existência das coisas como tais é tomada como natural e raramente questionada.

·         Conceitos e preconceitos, embora façam parte da atividade cognitiva, podem limitar a busca da verdade.

CONCLUSÃO

- No ENEM, a Fenomenologia de Husserl aparece associada a temas sobre:

·         a subjetividade, o método científico e a crítica ao cientificismo positivista.

 

 

 

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