domingo, 4 de março de 2018

ARISTÓTELES (384-322 a. C.)

Produzido a partir da net por: Claudio Fernando Ramos, 04/03/2018. Cacau ":¬)
INTRODUÇÃO

VÍDEO AULA - É SÓ CLICAR E ASSISTIR:
https://www.youtube.com/watch?v=rql6REsj7dk
https://www.youtube.com/watch?v=5Qk6xDtAzT4

(RESUMO ESQUEMÁTICO)

Por: Claudio F Ramos, a partir de livros e da IA. 28/05/2026

CATEGORIAS

(Sistema classificatório)

- As Categorias de Aristóteles formam um sistema filosófico criado para classificar tudo o que existe.

·         Pode ser dito sobre um objeto ou ser.

·         Servem para organizar o pensamento e a linguagem.

·         Funciona como uma ferramenta semântica e ontológica fundamental.

- Substância

·         Aquilo que existe em si mesmo, sendo o suporte para todas as outras características (o "sujeito" ou "objeto" essencial).

Ex: Um ser humano, um cavalo, uma árvore.

- Quantidade

·         Mede a extensão, o tamanho ou a quantidade das coisas.

Ex: Dois metros, três quilos, cinco unidades.

- Qualidade

·         Descreve a natureza, os atributos ou as características (boas ou ruins) de uma substância.

Ex: Branco, quente, doce, sábio, saudável.

- Relação

·         A referência que uma substância ou um ser estabelece em relação a outro.

Ex: Maior que, menor que, pai de, mestre de.

- Lugar (Onde)

·         A posição física ou o espaço que a substância ocupa.

Ex: Na rua, em casa, na praça.

- Tempo (Quando)

·         O momento ou a duração em que algo acontece ou existe.

Ex: Ontem, hoje, pela manhã, no século passado.

- Posição / Postura (Estar em uma posição)

·         A disposição das partes de um ser ou a sua orientação no espaço.

Ex: Sentado, em pé, deitado.

- Estado/Hábito (Ter)

·         Refere-se àquilo que a substância possui, veste ou o seu estado contínuo de ser.

Ex: Armado, calçado, vestindo roupas.

- Ação (Fazer)

·         A capacidade de produzir um efeito ou o que o sujeito faz ativamente.

Ex: Correr, cortar, ler.

- Paixão (Sofrer)

·         O estado em que uma substância recebe ou sofre a ação vinda de um agente externo.

Ex: Ser ferido, ser aquecido, ser elogiado.

LÓGICA

(Princípios básicos)

- A lógica aristotélica funciona como a "ferramenta" (ou Órganon) do pensamento correto.

·         Ela utiliza argumentos estruturados em premissas e conclusões para construir raciocínios válidos.

·         É totalmente sustentada por três princípios fundamentais e indemonstráveis.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS E INDEMONSTRÁVEIS

- Princípio da Identidade

·         Uma coisa é sempre idêntica a si mesma (Se \(A\), então \(A\)).

Ex: Um triângulo é sempre um triângulo.

- Princípio da Não Contradição

·         Uma afirmação não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo e sob a mesma perspectiva.

Ex: É impossível que um objeto seja totalmente verde e totalmente vermelho simultaneamente.

- Princípio do Terceiro Excluído

·         Uma proposição é verdadeira ou falsa; não existe uma terceira possibilidade ou meio-termo.

Ex: Uma porta está aberta ou fechada

SILOGISMO CLÁSSICO

- É a forma básica do raciocínio dedutivo.

·         É formado por duas premissas que geram uma conclusão.

Premissa Maior: Todo ser humano é mortal.

Premissa Menor: Sócrates é um ser humano.

Conclusão: Portanto, Sócrates é mortal.

I - METAFÍSICA

(Ciência do "Ser enquanto Ser")

- Aristóteles buscou entender a realidade essencial das coisas.

·         Para ele, o mundo real é este em que vivemos (rejeitando o "Mundo das Ideias" de seu mestre, Platão).

TEORIA DA SUBSTÂNCIA

(Hilemorfismo)

- Tudo o que existe no mundo físico é uma substância composta por duas partes inseparáveis:

·         Matéria: O "de que" a coisa é feita (ex: a madeira).

·         Forma: O que faz a coisa ser o que ela é; sua essência organizada (ex: o formato e a função de uma mesa).

O PRIMEIRO MOTOR IMÓVEL

- Na Metafísica, Aristóteles argumenta que tudo o que se move é movido por algo.

·         Para evitar uma regressão infinita, ele postula a existência de um "Primeiro Motor".

·         Uma causa que gera movimento no universo, mas que não é movida por nada.

·         Ele é Ato Puro (não tem nenhuma potência a realizar).

ATO E POTÊNCIA

(A explicação do movimento)

- Para explicar como as coisas mudam e se transformam, o estagirita criou estes dois conceitos:

·         Potência: A capacidade ou possibilidade de se tornar algo (ex: a semente é uma árvore em potência).

·         Ato: A realidade atual, o que a coisa já é no presente (ex: a árvore é uma semente em ato).

AS QUATRO CAUSAS

- Para conhecer algo de verdade, precisamos entender suas quatro causas básicas:

·         Causa Material (o material de que é feito) - O bronze.

·         Causa Eficiente (quem ou o que fez a coisa existir) - O escultor.

·         Causa Formal (a forma, o design ou o modelo) - O desenho do herói.

·         Causa Final (o objetivo, a finalidade da existência) - Decorar um templo.

II – FÍSICA

(Qualitativo, não quantitativo)

- Diferente da física moderna (matemática e mecânica), a física aristotélica é qualitativa e baseada na observação.

O MUNDO DO MOVIMENTO

(Definição de Movimento)

- Para Aristóteles, movimento é a passagem da potência para o ato.

·         A atualização de uma potência.

OS QUATRO ELEMENTOS

(sublunar/supralunar)

- Sublunar (A Terra)

·         No mundo sublunar, tudo é composto por Terra, Água, Ar e Fogo.

·         Cada um tem seu "lugar natural" (o fogo sobe, a terra cai).

- Supralunar (O Éter)

·         No mundo supralunar (os astros e planetas), as coisas são feitas de um quinto elemento perfeito e imutável.

·         O éter, move-se sempre em círculos perfeitos.

III – ÉTICA/FELICIDADE/POLÍTICA

("Animal Político")

- Para Aristóteles, a política é a continuação natural da ética.

·         A ética estuda a felicidade do indivíduo (Eudaimonia).

·         A política estuda a felicidade da comunidade (Polis).

- Eudaimonia: na ética aristotélica, a Eudaimonia (a felicidade plena) é o objetivo supremo da vida humana.

·         Ela é alcançada pelo desenvolvimento da Areté (virtude/excelência), guiada pela Metrética (medida/justa medida) e orientada pelo Logos (razão), tudo isso concretizado dentro da Polis (cidade).

- Eudaimonia: É o bem supremo e a finalidade última de todas as nossas ações.

·         Não se trata de um estado passageiro de prazer, mas de uma vida realizada e florescente, fruto de uma conduta virtuosa.

A ENGRENAGEM DA FELICIDADE

(Pilares da filosofia prática)

- Logos (Razão): É a capacidade racional que diferencia o ser humano.

·         Para Aristóteles, viver eticamente é viver de acordo com a razão, controlando os instintos.

- Areté (Virtude ou Excelência): Não é um dom inato, mas um hábito adquirido pela prática.

·         A excelência humana consiste em agir de forma virtuosa em todas as esferas da vida.

- Metrética (A Justa Medida): É a doutrina do "meio-termo".

·         A virtude é sempre o equilíbrio racional entre dois extremos viciosos.

·         O excesso e a falta (por exemplo, a coragem é o meio-termo entre a covardia e a impulsividade).

- Polis (A Cidade/Comunidade): O ser humano é definido como um animal político (zoon politikon).

·         A felicidade plena (Eudaimonia) não pode ser atingida de forma isolada, mas apenas na convivência social, participando da vida pública e das leis da cidade.

IV - AS FORMAS DE GOVERNO

(Zoon politikon)

- O homem é, por natureza, um animal político.

·         Isso significa que só conseguimos desenvolver nossa racionalidade, linguagem e moralidade vivendo em sociedade.

·         Quem vive isolado ou é um deus, ou é um bicho bruto.

FORMAS DO PODER

(Poucos/Muitos – Certo/Errado)

- Aristóteles classificou os governos com base em dois critérios

·         Quem governa (um, poucos ou muitos).

·         Como governa (visando o bem comum ou o interesse próprio).

QUEM/COMO

- Formas Puras (Justas - Visam o bem comum)

·         Monarquia: Governo de um só, o mais virtuoso.

·         Aristocracia: Governo dos melhores (uma elite virtuosa).

·         Politeia (ou República): Governo da maioria baseado nas leis.

- Formas Corrompidas (Injustas - Visam o interesse próprio)

·         Tirania: Corrupção da Monarquia (um governa para si).

·         Oligarquia: Corrupção da Aristocracia (os ricos governam para si).

·         Democracia: Corrupção da Politeia (a maioria/pobres governa ignorando o bem geral).

V – ARTE E CARTASE

(Mimesis)

- Para Aristóteles, a arte é uma imitação criativa da realidade (mimesis) que não copia passivamente o mundo, mas revela verdades universais.

·         A sua função principal é a catarse, um processo de purificação e descarga emocional.

·         Ocorre quando o espectador experiencia o terror e a compaixão ao consumir uma obra

A ARTE NÃO É CÓPIA DA CÓPIA

(Imitação criativa)

- Mimesis (Imitação): diferente de seu mestre Platão (que via a arte como uma cópia ilusória e distante da verdade), Aristóteles considerava a imitação um instinto natural humano e fonte de aprendizado.

·         A arte recria a realidade para nos ensinar sobre ela.

- Catarse (Purificação): ao assistir a uma obra dramática (especialmente a tragédia grega), o público identifica-se com o herói trágico e descarrega as suas próprias tensões e sentimentos reprimidos.

·         Essa "expulsão" das emoções gera um alívio e um equilíbrio emocional.

CARTASE

(Purificação d’alma)

- A catarse funciona como uma terapia preventiva ou educativa.

·         Ao vivenciar o medo e a compaixão de forma segura na ficção, o indivíduo purifica a sua alma dessas paixões destrutivas, tornando-se mais racional e eticamente preparado para a vida real.

I - PEQUENA BIOGRAFIA

·         ORIGEM - macedônio de Estagira.

·         ALUNO - vinte anos como aluno de Platão (Arístocles).

·         PROFESSOR – preceptor de Alexandre o Grande.

·         FILÓSOFO - fundador do Liceu, escola peripatética.

·         PAI DA BIOLOGIA: possuidor de um caráter organizador; catalogou mais de 500 seres vivos em categoria, gêneros e espécies.

·         FUNDADOR DA LÓGICA: classificou os argumentos utilizados nos debates (Válidos e Inválidos).

II – DIFERENÇAS: PLATÃO X ARISTÓTELES
·         Mitos - distanciamento do componente mítico religioso.

·         Empirismo - maior interesse nas ciências naturais e empíricas.

·         Linguagem - substituição do método dialético-dialógico pelo sistemático (Tratado Científico).

·         Áreas de atuação - Metafísica; lógica; ética; política; botânica; meteorologia; zoologia; religião; física; astronomia...

III – FILOSOFIA TELEOLOGICA
“Toda arte e todo saber, assim como tudo que fazemos e escolhemos, parece visar algum bem. Por isso, foi dito, com razão, que o bem é aquilo a que todas as coisas tendem, Mas há uma diferença entre os fins: alguns são atividades, ao passo que outros são produtos à parte das atividades que os produzem.”
(Aristóteles, Ética a Nicômano, 1094a 1 -5.)

A) Causalidade e Finalidade – para Aristóteles tudo o que existe por uma causa; existe para alguma finalidade.

B) O Bem (Causa Final) - todas as coisas tendem ao bem, o que significa, na doutrina do filósofo, que o bem é a finalidade de todas as coisas.

C) Dois Caminhos para o Bem - chega-se ao bem por dois caminhos:

·         Pelas Atividades Práticas - isto é, aquelas que contêm seus próprios fins (ética e política).

·         Pelas Atividades Produtivas - artes ou técnicas.

IV – FILOSOFIA SISTÊMICA
(O Ser é Uno)
 
A) Filosofia Teórica - Física; Matemática; Metafísica.

B) Filosofia Prática – Ética; Economia; Política.

C) Filosofia Produtiva – Poética; Estética; Artes.

V – EPISTEMOLOGIA ARISTOTÉLICA
(O Conhecimento como objeto do Conhecimento)
A) O que é Epistemologia (Gnosiologia, Teoria do Conhecimento)?

·         Teoria do Conhecimento - reflexão geral em torno da natureza; etapas e limites do conhecimento humano; fundamentado nas relações que se estabelecem entre o sujeito indagativo e o objeto inerte; são as duas polaridades tradicionais do processo cognitivo.

·         Teoria da Ciência - estudo dos postulados; conclusões e métodos dos diferentes ramos do saber científico; Estudo das teorias e práticas em geral, avaliadas em sua validade cognitiva, ou descritas em suas trajetórias evolutivas, seus paradigmas estruturais ou suas relações com a sociedade e a história.

B) Classificações das Áreas do Saber: O conhecimento filosófico deve ser classificado de acordo com o ser/objeto de pesquisa.

·         Ciências Teoréticas – voltadas ao estudo dos seres da natureza (metafísica; matemática e física).

·         Ciências Práticas – dizem respeito à conduta humana (ética; política...).

·         Ciências Artísticas – trata dos meios com os quais se produz algo (técnicas ou poéticas).

OBS: A lógica - Por ser propedêutica (o que prepara, o que introduz algo), não aparece em nenhum dos grupos acima.

C) Empirismo – por valorizar os sentidos presentes no corpo humano como meios de se chegar ao conhecimento, Aristóteles é considerado um filósofo empirista (Empirismo = Experiência).

VI – LÓGICA ARISTOTÉLICA
(Instrumento para o Conhecimento)
A) Silogismo: constitui parte fundamental da lógica, pois é por meio dela que se elabora demonstrações (provas) das quais dependem o pensamento (Filosófico e Científico).

·         O pensamento Científico – demonstrativo “Empiricamente”.

·         O pensamento Filosófico – demonstrativo “Racionalmente”.

B) O Silogismo é Estruturador – argumentação lógica ideal constituída por três proposições:

·         Universal/maior.
·         Particular/menor.
·         Conclusão.

C) O Silogismo é Mediato – exige percurso para que se possa chegar a uma conclusão.

D) O Silogismo é Dedutivo – movimento que parte de certas afirmações verdadeiras para chegar a outras, específicas e também verdadeiras, e, que dependem necessariamente das primeiras.

E) O Silogismo é Indutivo – a conclusão a que se chega resulta, necessariamente, da verdade do ponto de partida.

VII – METAFÍSICA ARISTOTÉLICA
(Há bem mais do que o que os olhos podem ver)

“[...] O que desde os antigos, assim como agora e sempre, constitui o eterno objeto de pesquisa e eterno problema: ‘que é o ser’; equivale a este ‘que é a substância’”.
 
A) A Metafísica Aristotélica é:
·         Filosofia primeira.
·         Indagar o ser enquanto ser.
·         Indagar as causas e os princípios primeiros de todas as coisas.
·         Buscar a substância imóvel.
·         Explicações sobre as substâncias que não estão sujeitas às transformações que ocorrem no plano sensível.
·         Crítica ao dualismo ontológico de Platão.
·         Ciência teorética por excelência.
·         Ponto mais alto que o conhecimento humano pode atingir.
·         Compreensão de como o ser deve ser concebido; alteração ou atividade da substância.
·         O entendimento de que a substância revela-se como aquilo que é captado pela nossa experiência, expressando-se mediante a linguagem.
·         Afirmação de que a substância se constitui no ponto de partida para a constituição da realidade.
·         A compreensão de que a substância é o atributo essencial para algo existir.

B) Definições do Ser
(Enquanto categoria: divisão/gênero)

·         Substância ou essência – O que permanece constante no ser.
·         Quantidade - grande, pequeno, baixo, etc.
·         Qualidade - Um modo de ser: cor, calor, aroma, etc.
·         Relação - O ser em referência a outro.
·         Ação - O ser concebido como agente que move algo.
·         Paixão - O ser que sofre a ação.
·         Lugar - A localização da substância.
·         Tempo - Situação temporal, o guando.
·         Posse - Ter algo.
·         Posição - Modo de estar do ser.

C) COMPREENSÕES DO SER
(Predicações)

·         O Ser como Categoria - o ser em si.

·         O Ser é ou não é Uno? – a Imobilidade e Mobilidade do Ser.

·         O ser como Potência e Ato - a possibilidade que o ser tem de se transformar ou se atualizar

EX.

Ato e Potência - uma semente é uma árvore em potência; a árvore é a semente devidamente atualizada.

D) O Ser enquanto Essência e Acidente

·         Essência - por não se tratar de uma substância “comum” (é uma essência) não é objeto de nenhuma ciência (a não ser a metafísica).

EX.

Essência – aquilo que define a substância tal como ela de fato é.

·         Acidente - é tudo aquilo que pode, ocasionalmente, acontecer à substância.

EX.

Acidente - não pertence à essência, mas pode vir-a-ser.

E) O Ser como Verdadeiro

·         Lógica - deve ser estudado pela lógica.

·         Razão - é a capacidade própria da razão de conhecer as coisas da realidade como unidas ou separadas.

F) O Ser
(Enquanto Matéria e Forma)

·         Um amálgama de matéria (sensível) e forma (inteligível).
·         O material é o substrato (base) da forma.
·         Sozinha a matéria é potencialidade indeterminada.
·         A matéria só se transforma em algo determinado quando é devidamente estruturada/arranjada por meio da forma (o material de construção/uma casa).
·         A forma é o princípio fundamental que determina e realiza a matéria.
·         A forma não deve ser concebida como algo fora desse mundo (inteligível de Platão).
·         Mesmo sendo distinta da matéria, a forma existe em íntima relação com a matéria.
·         A forma, que é a causa de uma coisa ser o que é, está na própria coisa.

VIII – FÍSICA ARISTOTÉLICA
Se o vazio existisse seria o mesmo que admitir o não-ser e isso seria uma contradição lógica, dessa forma Aristóteles  de maneira metafísica,  justifica o “quinto elemento” ou “éter” que seria quem estaria preenchendo o espaço entre os corpos celestes e da mesma maneira esses “corpos” seriam constituídos de éter por isso não se deteriorariam, e não teriam outro tipo de mutação a não ser a de translação, diferentemente do que ocorre na Terra e na região sublunar, onde os quatro elementos (terra, água, ar e fogo) esses sim passiveis de toda mutação e transformação.


A) O Qualitativo ao invés do Quantitativo

·          Números não Traduzem a Realidade - a matemática é o instrumento científico utilizado para examinar o mundo do ponto de vista de sua quantidade, mas ela não é capaz de nos dar por si só a natureza do mundo.

B) Astronomia

·         Sublunar e Supralunar - a esfera da lua divide o universo em duas regiões completamente diferentes, povoadas de diferentes tipos de matéria e sujeitas a leis diferentes:

·         Mundo Sublunar - a região terrestre na qual vive o homem é imperfeita, sujeita a mudanças e variações.

·         Mundo Supralunar - a região celeste que é eterna, imutável e perfeita.

C) Alguns Fundamentos:

·         A Terra - é o centro do universo.

·         Gravidade / Leviandade - para alcançar o seu lugar específico, os objetos sofreriam a ação de uma força para baixo ou para cima (Em direção ao centro da Terra ou para longe do centro).

·         Movimento Retilíneo - é o movimento em resposta à força gravitacional: em linha reta a uma velocidade constante.

·         Relação entre Densidade e Velocidade - a velocidade é inversamente proporcional à densidade (massa) do meio e/ou dos objetos.

·         Impossibilidade da Existência do Vácuo - no vácuo o movimento teria velocidade infinita.

·         O Éter preenchendo o Espaço - todos os pontos do espaço são preenchidos pela matéria.

·         Universo Infinito - não poderia existir uma fronteira no espaço (Giordano Bruno).

·         Quintessência - objetos muito acima da superfície da Terra não são constituídos por matéria originalmente terrestre.

·         Cosmo Incorruptível e Eterno - o Sol e os planetas são esferas perfeitas que não se alteram.

·         Movimento Circular - os planetas descrevem um movimento circular perfeito.

B) Teoria das Quatro Causas
“Conhecer é conhecer pelas causas”.

·         Causa material – Do que a coisa é feita.
·         Causa eficiente – Que faz ou cria algo.
·         Causa formal – Aquilo que torna algo o que é.
·         Causa final – Finalidade, razão última para algo existir.

C) Os Três tipos de Substâncias

·         Substâncias Corruptíveis – Fazem parte do mundo sublunar (a terra) – são objetos de estudo da física; se constitui pelos quatro objetos considerados primordiais: água, ar, terra e o fogo.

·         Substâncias Sensíveis Incorruptíveis – Pertencem ao mundo supralunar (o céu) – são substâncias incorruptíveis, composta pela quinta essência: astronomia.

·         Substância Perfeita (PMI) – substância: Imóvel, Eterna e Transcendente; força motriz das esferas celestes; concebida como ato puro; realização somente formal; sem potencialidade material.

D) A Origem do Movimento
(PMI – O deus de Aristóteles)
·         Ser Necessário - por conta da relação existente entre as coisas Aristóteles postula a existência de um ser superior e necessário, ou seja, Deus.

·         Tudo é Contingente - se as coisas são contingentes – pois não têm em si mesmas a razão de sua existência -, é preciso concluir que são produzidas por causas exteriores a elas.

·         O ser não Contingente - para não ir ao infinito na sequência de causas, é preciso admitir uma primeira causa, por sua vez incausada, um Ser Necessário (não contingente).

·         Ato sem Potência - por não ser movido por nenhum outro motor, o primeiro motor (Deus), é também um puro Ato (sem nenhuma Potência).

OBS I: Para os gregos antigos, a matéria é eterna, portanto Deus não é o criador. Segundo Aristóteles, Deus não conhece nem ama os seres individualmente. Ele é puro pensamento, que pensa a si mesmo, é “pensamento de pensamento”. Por isso a teologia aristotélica é filosófica, e não religiosa.

OBS II: Como Deus pode mover sendo imóvel? Deus não é o primeiro motor como causa eficiente, mas sim como causa final: Deus move por atração, ele tudo atrai como “perfeição” que é.

IX - A ÉTICA
(Ética: a Virtude do Bem)
“O bem ético pertence ao gênero da vida excelente e a felicidade é a vida plenamente realizada em sua excelência máxima. Por isso não é alcançável imediata nem definitivamente, mas é um exercício cotidiano que a alma realiza durante toda a vida (…) de acordo com a sua excelência mais completa, a racionalidade.”
(Marilena Chaui, Introdução à história da filosofia, 1, p. 442.)

A) O que é o Bem - o tema principal da ética de Aristóteles é delimitar o que é o “bem” e o significado que ele tem para o homem.

·         O Bem não é um Sentimento - somente quem conhece o bem é capaz de encontrar a felicidade, que na filosofia aristotélica não é um sentimento passageiro, e sim “obra de uma vida inteira”.

X - A PAIXÃO
(Um Vício)
 
Suponha-se alguém dominado pelo prazer (que, para Aristóteles, é uma paixão). Esse alguém pode ser libertino (um dos extremos do prazer: prazer em excesso) ou insensível (o extremo oposto: falta de prazer), O justo meio, aqui, é a temperança, à qual se chega pelo uso da razão.

·         A virtude, assim, está ligada à razão. E, como todo homem é dotado de razão, todo homem pode alcançar a virtude.
·         Basta identificar a paixão que o domina, reconhecer seus extremos e procurar, racionalmente, seu justo meio.

XI - FELICIDADE
(Insistir naquilo que se É) 


Aristóteles, fiel aos princípios de sua filosofia especulativa, e, após ter feito uma análise e um estudo da psicologia humana, verifica que em todos os seus atos o homem se orienta necessariamente pela ideia de bem e de felicidade e que nenhum dos bens comumente procurados (a honra, a riqueza, o prazer) preenche esse ideal de felicidade.

·         A Felicidade é o Bem - a felicidade é o bem de todos os homens.

·         A Felicidade não é Relativa - a felicidade não é um sentimento que aparece, instala-se e vai embora; ao contrário, é “obra de uma vida inteira”.

·         A Felicidade não é Hedonista - a felicidade não está ligada aos prazeres ou as riquezas, mas a atividade prática da razão.

·         A Felicidade é Cognoscível - a capacidade de pensar é o que há de melhor no ser humano, uma vez que a razão é nosso melhor guia e dirigente natural. 

·         Ser Feliz é ser aquilo que nascemos para ser - se o que caracteriza o homem é o pensar, então esta e sua maior virtude e, portanto, reside nela à felicidade humana. 

XII – FELICIDADE E ÉTICA SEM VÍCIOS
A) Arete (A Prática Conduz a Excelência)
“Por sua própria natureza os homens buscam o bem e a felicidade, mas esta busca só pode ser alcançada pela virtude”.

·         A Força do Hábito - a felicidade para Aristóteles corresponde ao hábito continuado da prática da virtude e da prudência.

·         A Força do Caráter - é somente através do nosso caráter que atingimos a excelência.

·         A Razão como Guia - a boa conduta, a força do espírito, a força da vontade guiada pela razão nos leva a excelência.

·         Sabedoria Prática - a felicidade está ligada a uma sabedoria prática, a de saber fazer escolhas racionais na vida.

B) Metrética (Vida Equilibrada)

·         Mediania - para Aristóteles toda escolha exige uma mediania, um equilíbrio entre o excesso e a falta (Fugir dos Excessos). 

C) Logos (Animal Racional)

·         Discernimento - a razão é a faculdade que analisa, pondera, julga, discerne.

D) Polis (Animal Político)

·         A Vida em Sociedade – é no meio social que se põem em prática a ação virtuosa, por meio do equilíbrio e do discernimento; é com outro, pelo outro e para o outro que se é feliz.

XIII – ESTADO, POLÍTICA E FORMAS DE GOVERNO
(O Homem: Animal Político)
“Uma constituição é a ordem ou distribuição dos poderes de um Estado, isto é, a maneira como são divididos, a sede da soberania e o fim a que se propõe a sociedade.”
(Aristóteles, Política, III, 1278b 6-10.)

A) O Estado e o Bem o Bem leva cada indivíduo a ser capaz de viver com os outros, na polis.

B) O Estado e a Ética - no campo individual, a ética prepara terreno para a política, no campo coletivo.

C) O Estado e a Política - a finalidade da política é a busca do bem de todos os homens.

D) O Estado e os Regimes Políticos:

·         Monarquia – Governo de um só.

·         Aristocracia – Governo dos melhores.

·         Politeia, Democracia ou República – Governo de todos.

E) O Estado e a Degeneração dos Regimes Políticos:

·         A Monarquia - em tirania.

·         A Aristocracia - em oligarquia.

·         A Democracia - em anarquia.

F) O Estado e o Melhor dos Regimes Políticos:

·         O Melhor da República - é a liberdade e a igualdade.

·         O Melhor da Monarquia – é a capacidade de criar riquezas.

·         O Melhor da Aristocracia – é a sua excelência, capacidade e qualidades intelectuais.

XIV - JUSTICA E INJUSTIÇA
(O Maior Bem e o Pior Mal)
A) Virtude Maior (Justiça) – a maior de todas as virtudes é a justiça.

·         Alteridade - sua força sobre as demais consiste em sua perfeição, porque quem é justo projeta-se mais para o outro do que para si mesmo.

·         Mais Coletivo; Menos Indivíduo - tudo que protege o conjunto dos indivíduos (a sociedade) é mais importante do que aquilo que protege somente um dos membros dessa sociedade.

 B) O Mal Maior (Injustiça)

·         O Câncer Social - dos males, a injustiça é o maior, pois destrói o tecido social.

XV - A ESTÉTICA ARISTOTÉLICA
“[...] não é ofício do poeta narrar o que aconteceu; é, sim, o de representar o que poderia acontecer, quer dizer: o que é possível segundo a verossimilhança e a necessidade. Com efeito, não diferem o historiador e o poeta por escreverem verso ou prosa [...] diferem, sim, em que diz um as coisas que sucederam, e outro as que poderiam suceder. Por isso a poesia é algo de mais filosófico e mais sério do que a história, pois refere aquela principalmente o universal, e esta o particular”.
ARISTÓTELES. Poética. Trad. de Eudoro de Souza. São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 209.
A) Poética: nessa obra Aristóteles explica que existem as chamadas Ciências Produtivas.

·         Ciências Produtivas (Técnicas): são aquelas que dependem do homem para vir a existir.

B) Mimetização: são as belas artes que se manifestam enquanto tentativa de imitar a realidade.

·         Para Aristóteles todas as artes, por meios diversos, procuram imitar a natureza e as ações humanas de forma harmônica, ritmada com proporção e simetria.

C) A Poesia é maior que a História:

·         Poesia - descreve fatos que podem ocorrer; se ocupa mais do universal.

·         História - descreve os fatos ocorridos; se ocupa do particular.

D) Tragédia, Comédia e Epopeia - para Aristóteles, quando a arte usa a palavra ela é poesia: Tragédia, Comédia e Epopeia.

E) A Importância da Tragédia: para Aristóteles a Poesia Trágica, vista como negativa e/ou pessimista por uns, tem o seu valor e importância por conta da Catarse.

·         Catarse – uma Depuração, Purificação ou Neutralização de sentimentos excessivos vivenciados pelo espectador ao assistir um espetáculo trágico.
·         Alívio Emocional – a Catarse, segundo Aristóteles, não promove desequilíbrio humano, mas sim os alivia dos excessos de emoções.

F) O Caráter da Comédia: a comédia representa o que é tido por feio e moralmente disforme (provoca o Riso).

G) Os Feitos da Epopeia: em forma de narrativa a Epopeia descreve os feitos de grandes personagens (Deuses, Semideuses, Heróis etc.).

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