quinta-feira, 27 de março de 2025

DIÁRIOS DE MOTOCICLETA

 DIÁRIOS DE MOTOCICLETA

(FILME BIOGRÁFICO- 2004)

Por: Claudio F Eamos, C@cau “:¬)23/03/2025

Ver parte da vida pretérita do famoso argentino, entes de se tornar a figura icônica da guerrilha mundial (Chê Guevara), foi deveras interessante! Isso se torna ainda mais fascinante se levarmos em conta a sensibilidade cinematográfica do excelente cineasta Walter Salles (1956 -). Diferentemente do que se poderia supor, Salles não nos apresentou, ao menos não de maneira direta, o Chê Guevara que “todos” conhecemos. No lugar do guerrilheiro marxista, Salles nos mostrou um Ernesto Guevara de la Serna (1928-1967) jovem e cordial; além disso, ele também nos revelou um estudante de medicina, um espirituoso e sonhador argentino de 23 anos de idade, oriundo da classe média. De maneira leve, divertida, mas não menos realista, o diretor nos permitiu conhecer a “gênesis” do futuro revolucionário; ou seja, a sensibilidade do homem, do cidadão, do profissional de medicina (ainda em formação) que, durante a sua trajetória pela América Latina (na companhia do amigo Alberto Granado), não deixou de ver, sentir e se importar com as dores e mazelas dos menos afortunados que viviam na região (oito meses de uma viagem que teve início em 1952). No filme percebesse a ausência de vários determinismos e/ou naturalizações morais e sociais por parte do protagonista principal. O que se quer dizer com isso? Ter nascido na classe média, ser médico em formação, ser argentino, ser branco, ser homem etc., nada disso foi fator decisivo, nem, muito menos, tornou-se obstáculo para o desenvolvimento de uma verdadeira empatia e alteridade social para com o outro. Mais do que formular teorias, fazer greves, tornar-se militante desta ou daquela causa e/ou situação, práticas muito comuns nos campus universitários da vida, Salles nos apresentou um homem que foi lenta e gradativamente transformado pela crua e impiedosa realidade dos fatos testemunhados durante a viagem. Ao final do filme, ficou muito claro que estávamos diante do início e não do fim de uma épica jornada. O filme me levou a refletir sobre os pseudorrevolucionários atuais, revolucionários entrincheirados nas universidades públicas; revolucionários armados com teses e teorias conspiratórias: sem eles é possível que não haja revoluções, mas com a revoluções que eles fazem, dificilmente alguma coisa mudará (sempre mais do mesmo). Em razão de tudo isso, senti saudades de um Chê que, infelizmente, nunca tive o privilégio de conhecer. C@cau”:¬)

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

DIÁRIOS DE MOTOCICLETA

  DIÁRIOS DE MOTOCICLETA (FILME BIOGRÁFICO- 2004) Por: Claudio F Eamos, C@cau “:¬)23/03/2025 Ver parte da vida pretérita do famoso a...