segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

IDEALISMO ALEMÃO (Fichte, Schelling e Hegel)

 IDEALISMO ALEMÃO

(Fichte, Schelling e Hegel)

Por: Claudio Ramos, a partir de livros e da net. C@cau”:¬)02/02/2026 

O mundo que percebemos existe por si só ou depende da forma como a mente organiza essa percepção?

VÍDEO AULA: https://www.youtube.com/watch?v=sx3bScyT0C0

INTRODUÇÃO

- Período.

·         Entre o final do século XVIII e meados do século XIX.

- O idealismo alemão surgiu como resposta ao pensamento kantiano.

·         Incorporando influências do Romantismo alemão e de filósofos racionalistas modernos (Descartes, Espinosa etc.).

- Principais temas.

·         A relação entre conhecimento e ontologia.

·         A construção de sistemas filosóficos.

·         O uso da dialética e a concepção do absoluto como fundamento da realidade.

·         Buscou articular a relação entre pensamento e mundo.

- Influências.

·         Impactou o marxismo, a fenomenologia, o existencialismo e a Teoria Crítica.

TESE

- No final do século XVIII e início do XIX, filósofos alemães, influenciados por Immanuel Kant (1724-1804), investigaram a relação entre consciência e realidade.

·         Esse movimento ficou conhecido como idealismo alemão.

·         Defendia que a realidade é moldada pela maneira como a mente humana percebe e organiza o mundo.

PENSADORES

- Os principais representantes dessa corrente foram:

·         Johann Gottlieb Fichte (1762–1814).

·         Friedrich Wilhelm Joseph Schelling (1775–1854).

·         Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770–1831).

FUNDAMENTOS

- Idealismo é uma corrente filosófica presente desde a Antiguidade (Platão, Descartes).

·         Designa teorias que atribuem primazia à ideia de estrutura da realidade.

- O idealismo alemão parte da teoria kantiana do conhecimento, debatendo seus pressupostos e suas consequências.

·         Eles transferem as ideias de algo objetivo e externo ao sujeito para algo subjetivo e interno à consciência do sujeito.

·         O dualismo entre sujeito e objeto/pensamento e mundo deve ser revisto.

·         O pensamento não é um meio limitado de acesso à realidade.

·         Há uma relação fundamental entre o pensamento e o ser.

EPISTEMOÇOGIA

- A epistemologia (teoria do conhecimento) e a ontologia (teoria do ser) estão intimamente conectadas.

·         A estrutura do pensamento e das ideias refletem a estrutura da realidade.

- O idealismo alemão desenvolveu sistemas filosóficos abrangentes.

·         Buscaram articular diferentes áreas do saber de forma coerente.

·         Conceitos como o “absoluto” desempenha um papel central nessa tradição filosófica.

RELAÇÃO COM O ROMANTISMO

Os românticos buscavam integrar espontaneidade, sentimento e reflexão individual tanto na arte quanto na Filosofia.

- Uma das questões centrais do idealismo alemão relaciona-se com a indagação de como conciliar o ser humano com a natureza.

·          O domínio da razão (racionalismo), essa perspectiva epistemológica teve uma influência cultural que ultrapassou os limites do Idealismo, reverberando no Romantismo.

- O Romantismo foi um movimento cultural intelectual que surgiu no final do século XVIII.

·         O movimento se caracterizou pela valorização e idealização da natureza e da experiência humana individual.

·         O movimento contrastava com o desenvolvimento das sociedades ocidentais.

·         O isolamento do indivíduo passou a ser visto como um caminho para a construção de si por meio da subjetividade.

- O idealismo e o Romantismo se desenvolveram em diálogo com aspectos do Iluminismo (Kant).

·        Não rejeitaram a razão, mas buscaram redirecionar a crítica filosófica para outras faculdades humanas, como a imaginação, a intuição e o sentimento.

·        Entendia que era fundamental refletir sobre o estranhamento e o desconforto causados pelas grandes revoluções políticas, sociais e científicas da época.

 

- Em resposta ao “desencantamento do mundo” - o idealismo e o Romantismo buscaram valorizar o encantamento da arte.

·        Enfatizaram elementos como o mistério, o sublime e a magia, que escapam aos limites da razão pura.

JOHANN GOTTLIEB FICHTE (1762-1814)

(A doutrina da ciência)

A autoconsciência se refere ao momento em que sujeito e objeto permanecem idênticos, sem qualquer diferenciação entre si. Posteriormente ocorre a separação, marcada pela criação da representação do objeto, que passa a ser não idêntico ao sujeito.

(Fichte) 

- Pioneirismo.

·         Fichte foi um dos primeiros filósofos a se autodenominar idealista.

·         Obra: Fundamentos de toda a doutrina da ciência, vol. 1 (1794) e vol. 2 (1795).

·         Formulou um sistema filosófico baseado na noção de autoconsciência.

·         Assim como Descartes, Fichte buscava um princípio fundamental para o conhecimento.

·         Acreditava que esse princípio só poderia ser apresentado na forma de um sistema.

·         Sistema: um conjunto de conceitos interligados e organizados de maneira lógica.

·         Fichte acreditava que a lógica não era um fundamento independente, mas condicionado pelo próprio sistema filosófico.

 

- A dialética do “Eu”.

·         Fichte sustentava que o “eu” era fundamento do conhecimento, pois considerava sua existência uma certeza implícita desde os argumentos de Descartes.

·         Ao refletir sobre si, o “eu” se desdobra em sujeito e objeto e se define mais pelo que nega do que pelo que afirma.

Ex. - Conhecemos os limites da mão ao tocar objetos e percebê-los como distintos dela, uma vez que a mão se sente como não objeto.

·         Assim, todo objeto é um não eu, e a realidade se constitui dessa oposição.

- Intersubjetividade

·         Intersubjetividade, relação mútua entre sujeitos, na qual o significado é construído coletivamente.

·         Em Filosofia, refere-se à experiência compartilhada que permite a compreensão e a construção do mundo social.

·         A ação precede a teoria; é necessário agir para conhecer e só depois refletir.

·         É essencial o reconhecimento entre as consciências, agir em relação ao outro é diferente de agir sozinho.

·         A intersubjetividade surge quando as subjetividades se constituem mutuamente.

·         Isso permite ao sujeito compreender sua liberdade em relação ao não eu por meio da interação com outras consciências.

FRIEDRICH WILHELM JOSEPH VON SCHELLING (1775-1854)

(A filosofia do absoluto)

Não há apenas uma relação de correspondência entre pensamento e vida, mas uma identidade essencial, na qual o pensamento é vida.

(Schelling) 

- Schelling desenvolveu sua filosofia em diálogo com Fichte.

·         Obra: Ideias para uma Filosofia da natureza (1797).

·         Incorporou e reformulou conceitos do Idealismo.

·         Compatibilizou o pensamento de Espinosa com as teorias idealistas sobre o sujeito e a liberdade.

·         Analisou as implicações do dualismo e das tentativas de superá-lo, ora enfatizando o sujeito, ora o objeto.

- Relação homem/natureza

·         Defendeu que a natureza pode ser compreendida como independente da subjetividade.

·         Sugeriu um vínculo entre o sistema da natureza e o da mente humana.

- O absoluto: intuição intelectual

O absoluto é a unidade entre sujeito e objeto, que integra o particular e o universal em uma totalidade. Ele é, ao mesmo tempo, o fundamento de tudo o que existe e o sentido final para onde tudo converge.

·         O conceito central da filosofia de Schelling é o absoluto.

·         O absoluto é uma unidade que não pode ser demonstrada por meios lógicos, mas apenas reconhecida por uma forma específica de experiência direta e imediata (intuição intelectual).

·         Se o pensamento e o pensado são idênticos, a realidade construída pela consciência não seria apenas uma representação da realidade, mas a estrutura da própria existência.

·         O pensamento não somente expressa necessária e originariamente as leis de nosso espírito.

·         Além de refletir as leis do espírito humano, ele as concretiza na realidade.

GEORG WILHELM FRIEDRICH HEGEL (1770-1831)

O saber, como é inicialmente – ou o espírito imediato – é algo carente-de-espírito: a consciência sensível. Para tornar-se saber autêntico, ou produzir o elemento da ciência que é seu conceito puro, o saber tem de se esfalfar através de um longo caminho.

(Hegel) 

- Hegel foi um dos pensadores mais influentes da modernidade europeia.

·         Obra: Fenomenologia do espírito (1807), Ciência da lógica (1812).

·         Para ele, a Filosofia deveria se fundamentar em um princípio único.

·         Considerava o absoluto como a totalidade do real que se manifesta dialeticamente.

·         Rejeitou a ideia de intuição intelectual (Schelling).

·         Defendeu que o conhecimento verdadeiro deve ser produzido e validado pela razão.

- Influência.

·         Seu pensamento, baseado na identificação entre ser e pensamento – na ideia de que o real é racional, influenciou diversos filósofos.

Ex. O socialismo de Karl Marx (1818-1883) e o existencialismo de Jean-Paul Sartre (1905–1980).

- Sistema hegeliano.

·         O sistema hegeliano se estrutura em conceitos como a ideia – a realidade plenamente desenvolvida pelo pensamento – e a natureza – sua contraparte material.

·         A natureza está alienada da ideia, mas ambas compartilham a estrutura do pensamento.

·         O espírito representa a tomada de consciência dessa relação.

·         Um processo de autoconhecimento que transcende a individualidade e possibilita a intersubjetividade.

FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO (1807)

(VIR-A-SER)

- A obra Fenomenologia do espírito introduz a filosofia hegeliana.

·         A obra mostra como a consciência evolui até se tornar espírito.

·         A fenomenologia analisa os fenômenos tal como se manifestam, retomando a noção kantiana de fenômeno.

·         Em Hegel, essa abordagem investiga a formação e a evolução do espírito.

·         Hegel adota uma estrutura narrativa inspirada nos romances de formação; histórias que mostram o amadurecimento e o autoconhecimento de um personagem ao longo da vida.

·         Hegel chama esse processo de vir-a-ser do saber.

DIALÉTICA: TESE, ANTÍTESE E SÍNTESE

- Desde a Antiguidade grega, o termo refere-se à estrutura do pensamento racional e lógico.

·         Para Hegel, designa um princípio que rege as transformações da realidade, expressando como a existência se manifesta e se desenvolve.

·         Esse processo ocorre por meio de contradições e de negações, que impulsionam a constituição de um novo estatuto ou situação, comumente descrito como um movimento triádico de tese, antítese e síntese.

A DIALÉTICA HEGELIANA 

- Desde a Antiguidade Clássica, o termo “dialética” designava formas de argumentação filosófica

·         Na Idade Média, passou a ser associado mais estritamente à lógica formal.

·         Para Hegel a dialética não se limita ao campo da argumentação: ela expressa tanto o movimento do pensamento quanto a lógica da realidade.

·         Na Filosofia hegeliana, pensamento e realidade são indissociáveis.

·         A dialética descreve o processo de desenvolvimento de ambos ao longo do tempo.

·         Ela representa um modo de pensar que interroga, reflete e transforma.

·         Constitui uma teoria que explica as transformações da realidade e os princípios que regem a atualização de essências e substâncias.

- A lógica dialética hegeliana baseia-se na ideia de negação determinada.

·         Um processo em que uma negação não elimina o que veio antes, mas o transforma, preservando aspectos essenciais em um novo estado.

·         Esse movimento, ao mesmo tempo que nega, conserva e supera, é descrito por Hegel com o termo alemão aufhebung.

- Aufhebung é um termo usado por Hegel para descrever uma negação que, em vez de eliminar, conserva e eleva o que foi negado.

·         Marca o momento em que a dialética supera a contradição entre pensamento e realidade, unificando conceito e objeto.

- As transformações na história, na economia e na própria lógica do pensamento podem ser compreendidas por meio da dialética.

·         Filósofos posteriores enfatizaram o papel do conflito e da contradição nesse processo, argumentando que, mesmo sem gerar conhecimento imediato, o processo cria formas de vida.

·         A crítica imanente, característica da dialética, revela a contradição presente em todos os objetos – eles são e não são idênticos a si mesmos.

·         Dessa forma, o pensamento se move pela negação e pela contradição, dissolvendo concepções estabelecidas e impulsionando a compreensão da realidade.

CIÊNCIA DA LÓGICA (1812)

- Hegel fundamenta a razão não em pressupostos externos, mas na negação de pressupostos, estabelecendo assim a dialética.

·         A verdade emerge de um processo crítico e cíclico, no qual pensamento e matéria se transformam organicamente por pertencerem à mesma realidade.

·         A história não possui uma direção fixa e, em sua totalidade, converge para o absoluto por meio da dialética, na qual forças em conflito se realizam ou se negam, originando novas formas de pensamento e existência.

A DIALÉTICA DO SENHOR E DO ESCRAVO

- É uma alegoria filosófica que explica que a consciência humana busca reconhecimento por meio de relações de poder e dependência.

·         Para se realizar plenamente, a consciência precisa ser reconhecida por outra.

·         Quando duas consciências se encontram, cada uma tenta afirmar sua independência, o que pode resultar em confronto.

·         Se a disputa não levar à morte, uma delas assume a posição de domínio, e a outra aceita a submissão.

·         A dominante impõe sua vontade, mas depende da submissão da outra para ser reconhecida.

·         A dominada, por medo da morte, aceita essa posição.

- Hegel desenvolveu a dialética do senhor e do escravo a partir do contexto das grandes revoluções do final do século XVIII, principalmente a Revolução Francesa e a Revolução Haitiana.

·         Seu objetivo era compreender as dinâmicas de reconhecimento e poder que moldam a história, pois, para ele, a consciência humana se constitui no confronto com o outro e se transforma por meio dos conflitos históricos.

·         Essa teoria também permite compreender como o ser humano constrói a consciência das relações sociais.

·         Ela demonstra que autoridade, hierarquia e poder se manifestam em diferentes contextos, como nas relações entre patrão e empregado, pais e filhos, professor e aluno.

·         A dialética do senhor e do escravo revela que as relações humanas estão marcadas pela busca por reconhecimento e autonomia.

A ÉTICA HEGELIANA

Hegel descreve o ético como uma "segunda natureza" que substitui a primeira (natural/instintiva), onde o espírito se torna hábito e costume.

·         No campo da filosofia prática, a ética hegeliana relaciona o sujeito ao mundo por meio do trabalho, processo no qual ocorreria o reconhecimento e a constituição da individualidade.

·         As interações entre sujeito e mundo teriam gerado consciências que possibilitaram o surgimento da política e do Estado.

·         A prática ética, por sua vez, não apenas compreenderia, mas transformaria vontades e valores.

·         A intersubjetividade e a eticidade expressam a dimensão subjetiva do espírito, enquanto o espírito objetivo se manifesta na Filosofia do Direito.

·         O espírito absoluto representa a síntese final entre espírito subjetivo e objetivo, manifestando-se em três formas: intuir, representar e problematizar.

- As Três Esferas da Eticidade:

·         Família: A forma imediata e natural de eticidade, baseada no amor e na unidade familiar.

·         Sociedade Civil: A esfera da particularidade e do mercado, onde indivíduos interagem egoisticamente, mas necessitam de reconhecimento mútuo.

·         Estado: A forma superior da eticidade, a "realidade efetiva da ideia ética", onde a liberdade particular e universal se concilia e se realiza plenamente.

LIBERDADE E DEVERES

- Na eticidade hegeliana, o indivíduo realiza sua liberdade através da aceitação consciente dos deveres sociais.

·         A verdadeira liberdade só existe na coletividade e nas instituições. 

 

 

 


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