segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

PARA QUE 2026 SEJA REALMENTE NOVO

 PARA QUE 2026 SEJA REALMENTE NOVO

Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬) 

Mesmo não havendo consenso sobre a data específica em que Jesus Cristo nasceu, há, ao menos no ocidente, uma aceitação tácita pelo 25 de dezembro. Em razão disso, aqui em casa, o nosso Natal começou no dia 24/12 e terminou hoje (29/12). Hoje, porque só agora acabaram as deliciosas rabanadas que fizemos em razão do momento. Mas, se tudo der certo, elas retornarão em dezembro de 2026. E por falar em 2026, nós desejamos a todos um Feliz ano novo! Mas, entendemos que o novo não se faz por si só, e que, portanto, para que 2026 seja realmente novo, esperamos que os brasileiros, principalmente aqueles que frequentam as redes sociais, parem de confundir Democracia com Verborragia1. Que os militantes e ideólogos da direita, assim como os da esquerda, entendam que o processo eleitoral, verdadeiramente democrático, se consolida com mais e melhores opções de candidatos, além destas duas já conhecidas, viciantes e raivosas alternativas (o “Bem” contra o “Mal”).

Para que 2026 seja realmente novo, desejamos que a formação do cidadão não seja responsabilidade apenas de uma instituição social isoladamente: o Estado, a família, a escola ou a religião. Estas instituições, por melhores que sejam, sozinhas não conseguirão cumprir o difícil e necessário papel de formar adultos livres, responsáveis e cooperativos. Muitos país afirmam terem criados bem os seus filhos; no entanto, diferentemente dos animais, seres humanos, para se tornarem gente, precisam mais do que uma simples criação; eles carecem de EDUCAÇÃO (o quê, por quê, para quê, como, com quem, onde, quando etc.). Criar meninas como “princesas” e meninos como “reizinhos” não os educam para um mundo marcado por diferenças (cor, classe, crenças, gêneros etc.), desafios (estudos, profissões, trabalho etc.) e injustiças (corrupções, abandonos, covardias etc.). Um mundo de incontáveis possiblidades, mas com imperiosas limitações e confusões onde, contraditoriamente, o sim é cada vez mais “não” e o não é cada vez mais “sim”! Crianças que costumam “reinar” em suas casas, tornando seus pais e avós verdadeiros vassalos das suas vontades infantis, descobrem de maneira amarga e frustrante que o mundo e a vida em sociedade são indiferentes aos seus caprichos pessoais (por isso eles geralmente sofrem mais do que deveriam).

Para que 2026 seja realmente novo, desejamos que o amor entre as pessoas não gere Relações Plastificadas2, relações alicerçadas, principalmente, no uso abusivo de medicações controladas (Geração Prozac3), novelas piegas/chorosas e músicas melosas (com rimas infantilizadas/sensualizadas etc.). Que as pessoas não maltratem os seus animais de estimação, mas que também não os “humanize”; alguns animais, principalmente os cães, não conseguem mais viver de acordo com a sua própria natureza. Fazem com eles, igual ou piores do que fazem com os filhos e netos. Os animais são obrigados a usarem roupas e sapatos; andarem em carrinhos de bebês; participarem de aniversários e “responderem” a delírios como: o que você quer comer/vestir/fazer etc. Acreditamos que o humano, por mais que tente, não pode prescindir da humidade que lhe é inerente, talvez o mesmo possa ser dito sobre os animais; ou seja, o animal não deve ser impedido de viver de acordo com a sua animalidade; ao menos não completamente.

Para que 2026 seja realmente novo, desejamos que os torcedores, amantes incondicionais do futebol, entendam que a grandeza de qualquer clube não se encontra apenas em suas vitórias, mas também na qualidade de seus adversários. Reflita um pouco: por que, na maior parte das modalidades esportivas, os adversários são separados por idade, gênero e deficiências? A resposta é simples, não é mesmo? Não há mérito algum em vencer aquele que se encontra, por algum motivo, em desvantagem! Portanto, diminuir aquele que perdeu (sentir-se superior) e ofender aquele que venceu (ser tomado pelo ressentimento/inveja), é contraditório para aqueles que acreditam que o esporte é um instrumento eficaz para a educação de homens e mulheres, idosos e crianças.  

Heráclito de Éfeso (filósofo grego), o pai da dialética, disse que tudo muda o tempo todo ininterruptamente; se isso é verdade (parece que é mesmo), nós não devemos fazer sempre as mesmas coisas todos os dias, se queremos resultados novos (diferentes) no futuro que já chegou! Devemos sempre trazer em mente a seguinte sentença: Nada muda se nós não mudarmos!

UM FELIZ 2026, QUE ELE SEJA REALMENTE NOVO! C@cau/M@gra 29/12/2025

1Verborragia - também conhecida como verborreia ou logorreia. É um sintoma comum em alguns transtornos mentais, como transtorno bipolar (na fase de mania) ou ansiedade, mas também pode descrever alguém que fala demais e sem conteúdo relevante. 

2Relações Plastificadas - vínculos afetivos superficiais, descartáveis e sem profundidade emocional, que se assemelham à proteção de plástico: cobrem, mas não nutrem a alma, evitando a vulnerabilidade real e a conexão genuína, comuns em encontros casuais etc.

3O Geração Prozac (nome de um livro) - Prozac é o nome comercial do medicamento cujo princípio ativo é o cloridrato de fluoxetina, um antidepressivo pertencente à classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

FUTEBOL: SOL PARA TODOS, SOMBRA PARA ALGUNS!

 FUTEBOL: SOL PARA TODOS, SOMBRA PARA ALGUNS!

Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬)22/12/2025

Em primeiro lugar, parabéns para o time e a torcida do CORINTHIANS!

Entendemos que o Vasco da Gama foi superior, mas...

Como costuma dizer um certo narrador: “Ah Futebol, seu danado!”

Em segundo lugar, uma triste realidade do futebol brasileiro (são inúmeras): a glória é quase sempre para poucos, muito poucos mesmo.

Propaga-se pelos quatro cantos do território nacional, a dificuldade que é ganhar um título nacional de futebol no Brasil (principalmente entre os clubes da primeira divisão); isso é fato. Mas também é fato que, quando se trata de título, a consagração final, ao menos nos últimos cinco anos, o apogeu está circunscrito apenas aos clubes de uma determinada região do país. Para ser mais preciso, essa região é a Sudeste, com algumas raríssimas exceções pontuais (times da Região Sul). Isso, definitivamente, não é bom para o restante do país. Muitos se vangloriam do fato de que seu clube possui torcedores de norte a sul do país: maior torcida do país, time do povo, time da massa etc.; mas, questionamos, como poderia ser diferente? Com essa brutal concentração de títulos nacionais e internacionais que alguns clubes conseguem conquistar, além da visibilidade midiática, bons patrocínios, boas estruturas etc.; o que resta para os demais (falidas e corruptas Federações Estaduais, eleições de presidentes inadimplentes e incompetentes...)? Em nossa análise, nós não pretendemos pontuar as causas que levam o futebol nacional a possuir esse perfil atual (deixaremos isso por sua conta que, provavelmente, entende muito mais do tema do que nós); sabemos que as variáveis são muitas e complexas. No entanto, devem ser observadas e problematizadas e não camufladas e/ou exaltadas como fazem a imprensa (tendenciosa), os simpatizantes (passionais), os clubes (politizados) e, principalmente, os torcedores das “regiões periféricas” desse imenso país (carentes de representatividade); estes últimos, os torcedores fora da “zona de influência”, no afã de se tornarem campeões de alguma coisa importante, não hesitam em “abandonarem” seus times locais, e, apaixonadamente engrossam as fileiras  dos clubes hegemônicos desse nosso maravilhoso e desigual país, até no futebol.

Saindo da teoria, vamos aos fatos: finais e títulos importantes dos últimos cinco anos.    

COPA DO BRASIL, apesar de ser o campeonato mais democrático da nação, nos últimos cinco anos só deu times da Região Sudeste:

2025 Corinthians (4)

2024 Flamengo (5)

2023 São Paulo (1)

2022 Flamengo (4)

2021 Atlético Mineiro (2).

CAMPEONATO BRASILEIRO, a coisa não muda nada:

2025 Flamengo

2024 Botafogo

2023 Palmeiras

2022 Palmeiras

2021 Atlético Mineiro.

A SUPERCOPA DO BRASIL, mais do mesmo:

2025 Flamengo

2024 São Paulo

2023 Palmeiras

2022 Atlético Mineiro

2021 Flamengo.  

Quando o assunto vai além do Brasil, aí a coisa piora um pouco mais. Vejamos o caso da COPA LIBERTADORES DA AMÉRICA (só Rio-São Paulo):

2025 Flamengo (4)

2024 Botafogo (1)

2023 Fluminense (1)

2022 Flamengo (3)

2021 Palmeiras (3).

COPA SUL-AMERICANA: os clubes brasileiros chegaram as cinco últimas finais, mas só um venceu:

2025 Atlético Mineiro (vice)

2024 Cruzeiro (vice)

2023 Fortaleza (vice)

2022 São Paulo (vice)

2021 Atlético Paranaense (venceu o Bragantino).

RECOPA SUL-AMERICANA, só Rio-São Paulo:

2025 Botafogo (vice);

2024 Fluminense (venceu)

2023 Flamengo (vice)

2022 Palmeiras (venceu)

2021 Palmeiras (vice)

Bem, como vocês podem concluir, parece que um certo cantor e compositor sabia do que estava falando:

“[...] No país do futebol o sol nasce para todos
Mas só brilha para poucos
E brilhou pela janela do barraco da favela
Onde morava esse garoto chamado Brazuca [...]”

(Brazuca – G. o Pensador 1999)

     

sábado, 13 de dezembro de 2025

AS RELAÇÕES HUMANAS E SEUS NÓS

 AS RELAÇÕES HUMANAS E SEUS NÓS

Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬)13/12/2025 

Por que os relacionamentos, em qualquer época da trajetória humana, são sempre tão difíceis? Certamente deve haver incontáveis respostas para essa questão; algumas mais contextualizadas do que outras; outras mais e/ou menos realistas, coerentes, holísticas, heurísticas, religiosas, maduras, profundas, superficiais, fantasiosas, infantis, românticas etc. etc. etc.

Nós, assim como a maioria das pessoas, também não sabemos a resposta; pelo menos não de maneira definitiva, ou seja, é isso e ponto final!

No entanto, mesmo do alto da nossa ignorância, temos alguma compreensão do que acontece quando pessoas se reúnem. Essa pouca compreensão nasce, além da vivência, das teorias que filósofos, cientistas sociais, psicólogos, teólogos etc., postulam e defendem. Esses postulados teóricos servem, na maioria das vezes, como verdadeiros axiomas do viver, chaves teóricas que ajudam a clarear alguns dos “espectros” da existência humana.

Entre esses teóricos da vida, citaremos dois psicólogos contemporâneos: Edward Deci e Richard Ryan. Segundo eles, para muitas coisas na vida, o que falta é a motivação adequada. Essa motivação adequada, denominada por eles como sendo: “motivação de alta qualidade”, quando presente, permite o florescimento das ações humanas em vários campos do viver. A partir desse ponto inicial, eles desenvolveram a “Teoria da Autodeterminação”. Para eles, essa teoria pode se tornar real quando três necessidades psicológicas inatas são devidamente atendidas. Essas necessidades são:    

- Autonomia, ou seja, a necessidade de sentir que temos controle sobre nossas próprias escolhas.

- Competência, ou seja, a necessidade de nos sentirmos eficazes e capazes.

- Vínculo, ou seja, a necessidade de nos sentirmos conectados e pertencentes a um grupo. 

A partir da teoria dos psicólogos, formulamos as seguintes perguntas:

- Somos livres para fazermos escolhas?

- Nós nos responsabilizamos pelas escolhas que fazemos?

- Temos vínculos genuínos com as escolhas fazemos?

Bom, independentemente das respostas (cada um dará a sua), uma coisa é certa: não há caminhos fáceis; no entanto, teorias como essas, se bem executadas, podem ajudar a desatar alguns dos mais intrincados nós, presentes na corda da existência humana. C@cau “:¬)  

sábado, 6 de dezembro de 2025

ALBERT CAMUS (1913-1960)

 ALBERT CAMUS (1913-1960)

Por Claudio Ramos, a partir da net e livros. C@cau “:¬)06/12/2025

VÍDEO AULA:

https://www.youtube.com/watch?v=M4wVK5hRqko

1.0. INTRODUÇÃO

- A filosofia do fraco argelino Albert Camus é frequentemente associada ao existencialismo, mas ele mesmo rejeita o rótulo.

·         Suas reflexões centram-se no conceito do Absurdo.

·         Absurdo seria o conflito entre a busca inata da humanidade por sentido, ordem e propósito, e o universo silencioso e indiferente que não oferece nada disso. 

2.0. A CONSTATAÇÃO DO ABSURDO

- O absurdo não é uma propriedade do mundo em si, nem do ser humano isolado.

·         O absurdo é o confronto entre o desejo humano de clareza e significado e a irracionalidade do mundo.

·         Para Camus, a principal questão filosófica é decidir se vale a pena viver diante dessa condição. 

3.0. O ABSURDO E AS TRÊS POSSIBILIDADES

- Diante do absurdo, Camus identifica três caminhos, mas rejeita dois deles: 

3.1. O SUICÍDIO - É tentativa de escapar do absurdo, o que, para Camus, é uma rendição.

·         Ele argumenta que o ponto não é evitar a vida, mas vivê-la plenamente, apesar da falta de sentido inerente.

3.2. ESPERANÇA OU "SUICÍDIO FILOSÓFICO" - A busca por consolo em crenças religiosas ou ideológicas que postulam um propósito ou uma vida além desta.

·         Camus vê isso como uma forma de enganar a si mesmo e fugir da realidade da condição humana.

3.3. ACEITAÇÃO E REVOLTA - A única resposta autêntica.

·         Consiste em reconhecer e aceitar o absurdo da existência sem ceder ao desespero.

·         Essa aceitação dá origem a três consequências para uma vida absurda.

4. A REVOLTA ACEITA

4.1. REVOLTA: Não uma revolta violenta, embora a resistência seja um tema importante em sua obra posterior: “O homem revoltado”.

·         Para Camus a revolta é uma resistência consciente contra o destino sem sentido.

·         É a recusa em aceitar qualquer resposta final e a manutenção da tensão entre o desejo humano por sentido e o silêncio do universo.

4.2. LIBERDADE: Ao rejeitar a esperança de um propósito superior ou futuro, o indivíduo se liberta de preconceitos e vive o momento presente.

·         O indivíduo livre faz suas próprias escolhas sem a limitação de uma moralidade imposta.

4.3. PAIXÃO: Viver a vida com a maior intensidade e consciência possível.

·         A paixão nos permite abraçar todas as experiências que a vida oferece, porque não há nada além do aqui e do agora. 

5.0. O MITO DE SÍSIFO 

- O mito narra a história de um rei astuto da Grécia Antiga que desafiou os deuses e foi condenado a carregar eternamente uma pedra montanha acima, apenas para vê-la rolar para baixo novamente, recomeçando o trabalho infinitamente.

·         Esse mito foi utilizado pelo filósofo Albert Camus em seu ensaio de 1942, "O Mito de Sísifo", como uma metáfora para a condição absurda e sem sentido da existência humana. 

6.0. O MITO DE SÍSIFO

- Camus usa o mito de Sísifo como a metáfora central para a condição humana e absurda.

·         SÍSIFO É O HERÓI ABSURDO - a tragédia não está na tarefa sem esperança, mas na sua consciência.

·         CONSCIÊNCIA DO DESTINO - quando Sísifo desce a colina para buscar a pedra novamente, ele está ciente de seu destino.

·         LUCIDEZ DA REALIDADE – ir conscientemente em busca da pedra, constitui a lucidez que transcende a própria punição (por exemplo: saber que todos morreram algum dia).

6.1. IMAGINANDO SÍSIFO FELIZ

- Segundo Camus, Sísifo encontra a felicidade e o valor da vida na própria luta.

·         Ele aceita conscientemente o seu destino.

·         Aceitar o seu destino é o equivalente a viver sem ilusões. 

7.0. CONCLUSÃO

- Camus usa o mito de Sísifo como analogia para mostrar que, mesmo sem um sentido transcendental, o homem pode criar seu próprio valor e dignidade na luta diária contra o sem sentido. 

·         Embora a vida não tenha um significado predefinido, podemos criar nosso próprio valor e propósito ao abraçar o absurdo.

·         É dever nosso revoltar-nos contra a falta de sentido, exercer nossa liberdade e viver cada momento com paixão e intensidade.

·         Ao abraçar essa consciência do absurdo, reconhecendo e aceitando a futilidade da tarefa, o homem encontra a liberdade e a felicidade na própria rebelião e no esforço consciente.

·         Assim como Sísifo, é possível ser feliz luta diária transformando o castigo em desafio. 

 

 

 

 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

A DEMOCRACIA CONTEMPORÂNEA E A RECONFIGURAÇÃO DE ANTIGAS CRISES

 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES

DISCIPLINA:

SEMINARIO TEMATICO DE POLÍTICA I

PROFESSOR:

MATEUS VENCESLAU MARREIRO

DISCENTE:

CLAUDIO FERNANDO RAMOS

ATIVIDADE:

ENSAIO

TÍTULO:

A DEMOCRACIA CONTEMPORÂNEA

E A RECONFIGURAÇÃO DE ANTIGAS CRISES

1.0 - INTRODUÇÃO

            O propósito desse ensaio é o de recolher “amostras” / “recortes” (samples) de determinados trechos de obras filosóficas e/ou sociológicas a fim de poder compreender melhor alguns fatores políticos que, ao longo dos anos, têm ocorrido no âmago da democracia brasileira. Historicamente, sabemos que a nossa democracia ainda é por demais infante; entendemos que essa condição temporal cria uma dificuldade extra para todos aqueles que pretendem fazem uma análise coerente e significativa da mesma. Tudo ainda é muito recente e imprevisível; e, como se não bastasse, estamos envolvidos no processo; ou seja, residimos no “olho do furacão”. Não há um necessário distanciamento temporal, nem geográfico, que nos permita fazer uma abordagem mais holística e “imparcial” dos fatos sobre os quais pretendemos abordar. Guardada as devidas proporções, é o mesmo que desejar enxergar toda Via-Láctea a partir de um telescópio no Deserto do Atacama. Por mais que se esteja em um local privilegiado e o instrumento de aferição seja de excelente qualidade, ainda assim a tarefa é inexequível. Por isso, o ato de samplear, expressão inglesa que envolve recortar e modificar trechos de músicas para criar melodias novas, nos servirá de método primário. Através do sampleamento (sampling), pretendemos extrair amostra de vários contextos diferentes para tentar, a partir deles, compreender parte da democracia contemporânea em nosso país e, por fim, como antigas crises, próprias do “jogo democrático”, retornam, reconfiguradas, de tempos em tempos. Diante de tudo isso, achamos prudente enfatizar que o presente texto, longe de ser um artigo científico, está mais para um exercício literário, onde proposições serão apresentadas sem que, no entanto, sejam tomadas como verdades monolíticas, ou seja, absolutas e inquestionáveis. 

2.0 - DESENVOLVIMENTO

2.1 – PODER, LEGITIMIDADE, RECONFIGURAÇÃO DOS CLÁSSICOS

            Daremos início as nossas considerações a partir da obra: Como as democracias morrem (Levitsky; Ziblatt, 2018). Obra essa que, no seu capítulo de número quatro (Subvertendo a Democracia), nos apresenta reflexões sobre algumas fragilidades presentes nas instituições democráticas contemporâneas; fragilidades ocasionadas por líderes, movimentos e ideologias que, pontualmente e isoladas, não são capazes de romper abruptamente com o sistema político vigente; mas que, no entanto, o fazem paulatinamente, corroendo-o de dentro para fora.

            Tomando esse fato como referência, começaremos por fazer uma espécie de diagnóstico das três últimas grandes crises políticas do Brasil, a saber: o questionamento das urnas eletrônicas por intermédio de Aécio Neves em 2014, o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e a atual e intensa polarização política entre dois atores do cenário político nacional: Lula e Jair Bolsonaro (tentativa de golpe em 08 de janeiro 2023).

            Elencarmos esses três episódios da história política nacional, porque estamos convencidos de que as inúmeras crises dentro do sistema democrático estão muito longe de serem fenômenos inéditos e isolados, mas sim, reconfigurações de dilemas clássicos sobre as múltiplas formas do exercício do poder político (ética, legitimidade, autoridade etc.). Temas como esses, já foram largamente pensados e discutidos por filósofos como: Nicolau Maquiavel (1469-1527), em O príncipe (2010), e Thomas Hobbes (1588-1979), em Leviatã (2003). Sem ter que ser muito imaginativo, acreditamos que as tensões contemporâneas da política brasileira nos remetem às tradições clássicas da origem da sociedade civil em Hobbes 2003 e a razão de Estado (racionalismo político) em Maquiavel 2010. Segundo esses filósofos, um determinado tipo de Estado (sociedade civil) pode ter suas relações institucionais fortalecidas ou corrompidas, tudo irá depender, em larga medida, do tipo de relação de poder nele contido. Em razão disso, de maneira análoga ao que disse os antigos, acreditamos que situação semelhante se dá com os sistemas democráticos de inúmeros países contemporâneos; ou seja, as democracias morrem ou se enfraquecem, não por rupturas abruptas, mas pela corrosão paulatina da legitimidade institucional a da confiança pública (Levitsky e Ziblatt, 2018).

2.2 - SUBVERSÃO DEMOCRÁTICA E A LÓGICA DO PODER

            De acordo com os autores Levitsky e Ziblatt (2018), a subversão democrática contemporânea raramente ocorre por meios de golpes militares clássicos; aqueles perpetrados por Generais, comandantes supremos dos Exércitos etc.; ao contrário, na maioria das vezes ela manifesta-se pela cooptação das instituições legítimas, por intermédio de líderes eleitos democraticamente. Essa legitimidade conquistada nas urnas, é, muitas vezes, utilizada contra a própria legitimidade do sistema democrático; ou seja, tentasse mudar a regra do jogo bem no meio da partida. Com isso, minam-se as normas formais e informais da convivência política. Alguém disse que a democracia seria a arte de viver com os contrários; todavia, no caso da subversão, parece que isso não voga. Aquele que subverte, deseja homogeneizar o poder e, ao fim de tudo, governar com os pares, sem oposições e contraditórios. Vejamos o caso de um dos candidatos à Presidência da República em 2014. Os questionamentos levantados pelo presidenciável Aécio Neves acerca da lisura do processo eletivo, transparência das urnas eletrônica etc., inaugurou um ciclo de deslegitimação eleitoral que fragilizou a confiança de inúmeras pessoas na política como espaço de disputa civilizada pelo poder (Veja, 2023). Esse descrédito de Aécio Neves possibilitou o aparecimento de brechas para a normalização de futuros discursos autoritários e atuais radicalizações por parte de partidos políticos e seguimentos específicos da sociedade civil. Indo aos clássicos, mas especificamente em Nicolau Maquiavel (1469-1527), encontramos uma certa afinidade com o que aconteceu no Brasil em 2014 e o que ele escreveu em sua obra O príncipe. Ao tratar da manutenção do poder, o italiano disse que o governante deve compreender os humores do povo e das elites, utilizando os meios necessários, inclusive a força e o engano, para conservar o Estado. Vendo por esse ângulo, a política não deve ser encarada como espaço para utopias e éticas transcendentes, mas sim como campo de cálculo (racionalismo político) e pragmatismo utilitarista. Podemos concluir, a partir de Maquiavel, que a crise na lisura do pleito, suscitada por Aécio Neves, não deve ser reduzida apenas a má conduta de um cidadão que não soube perder, mas sim, como fruto de uma luta constante, pela manutenção do poder, em um território volátil onde a moral das ações e a eficácia dos objetivos se tensionam initerruptamente.

2.3 - O IMPEACHMENT E A EROSÃO DAS NORMAS DEMOCRÁTICAS

            Os cientistas políticos afirmam que quando o impeachment é desviado de sua função original, o de afastar o mal gestor das prerrogativas do poder, e passa a ser utilizado de maneira que compromete a estabilidade e a previsibilidade das regras do “jogo político”, ele, ao invés de corrigir injustiças, torna-se instrumento para a injustiça (erosão democrática); ou seja, ele passa a predar o próprio sistema que, ao menos em teoria, deveria preservar. Para muitos brasileiros, o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e a posterior ascensão de Michel Temer à Presidência da República, evidenciam esse tipo de predação do sistema democrático brasileiro. Um dos movimentos que permite a subversão democrática, segundo Levitsky e Ziblatt (2018), é o uso de instrumentos legais para fins ilegítimos. Segundo uma revista especializada em política e economia, algum tempo depois dos fatos, o próprio Michel Temer reconheceu que o afastamento da presidenta, como ela gostava de ser chamada, decorreu, em larga medida, da recusa dela em apoiar o programa Ponte para o futuro (conjunto de reformas econômicas neoliberais); ou seja, a destituição presidencial foi, antes de tudo, uma disputa por determinado projeto de poder (Carta Capital, 2023).

            O impeachment de Dilma Rousseff expôs algumas das muitas fragilidades do sistema democrático brasileiro, embora não o tenha destruído, essa segunda grande crise, apresentamos o Aécio Neves como tendo sido o causador da “primeira”, o tornou um poco mais vulnerável. A desconfiança, plantada em 2014, estava dando, já em 2016, o seu primeiro grande fruto, e ele foi bem amargo: tornou-se comum, na política brasileira, ser intolerante com os que discordam. Passou a haver uma certa reconfiguração do campo político, principalmente no que diz respeito as alianças políticas; uma espécie de utilitarismo ideológico, exacerbado e unilateral tornou-se paradigma para ações dos atores e dos partidos políticos. Essa reconfiguração, ao menos figuradamente, nos faz lembrar da lógica hobbesiana, quando ele discorre sobre o poder soberano. Para Hobbes (2003, p.117), o Estado é consequência de um pacto racional que surge para evitar o “estado de natureza” (um estado hipotético). Nesse hipotético estado, o homem, diferentemente do que disse um certo filósofo de Estagira1, é o seu maior inimigo, lobo de si mesmo; dito de outra maneira, o homem é egoísta por natureza e não tem prazer na convivência como seu semelha.  Analogamente, quando a confiança na autoridade se dissolve, as instituições se tornam palco de competição destrutiva, e a política pode degenerar em guerra de uns contra os outros (governo despótico, guerra civil, ideologias sectaristas etc.). Para aqueles que não viram um impeachment, instrumento legal da regra do jogo político, mas sim um golpe da democracia contra ela mesma ou, melhor ainda, um golpe sem o fim da democracia, conscientemente ou não, entendem que o afastamento ilegítimo da presidenta marcou a ruptura do pacto civil que sustenta a legitimidade democrática, evidenciando uma espécie de retorno simbólico ao estado de natureza hobbesiano: todos contra todos.

1Aristóteles (384-322 a. C.) disse que o homem é um animal político (ou zoon politikon) em sua obra "A Política". O filósofo foi o primeiro a trazer o conceito de ética na política e via o Estado como natural e único. Nesta obra, Aristóteles reflete como as instituições poderiam promover o desenvolvimento e a felicidade coletiva, discutindo em profundidade as formas de governo e os mecanismos que organizam a sociedade.

2.4 - A POLARIZAÇÃO E A TENTATIVA DE RETORNO AO AUTORITARISMO

            A incompreensível e inaceitável polarização política envolvendo a pessoa do Lula (atual Presidente da República) e a pessoa do Bolsonaro (ex-Presidente da República) radicalizou de vez o cenário político brasileiro; que já vinha claudicante, como já dissemos, desde 2014. A disputa eleitoral de 2022 foi transformada em confronto moral entre duas forças antagônicas: o “bem” e o “mal. Essa perspectiva maniqueísta do mundo, não constitui nenhuma novidade; já no século III d.C, lá para os lados da antiga Babilônia, atual Iraque, um certo profeta de nome Mani (ou Maniqeu) já propalava uma determinada doutrina filosófica/religiosa sobre a dicotomização das coisas existentes. No entanto, no cenário político nacional, as coisas ganharam proporções hiperbólicas; imaginamos o que Mani pensaria sobre isso, se vivo estivesse. Esse maniqueísmo político-institucional comprometeu os fundamentos da República Democrática, viciou as mediações institucionais e, por fim, ensejou a criação de um ambiente “propício” para a tentativa de um golpe em 08 de janeiro de 2023. Nessa data, grupos enviesados por ideologias da extrema direita (bolsonarismo) atacaram as sedes dos três poderes em Brasília (BBC, 2023) e tentaram, “jogando dentro das quatro linhas”, pôr fim a existência da infante democracia brasileira. Levitsky e Ziblatt (2018) denominam esse fenômeno da seguinte maneira: erosão normativa. Para eles, isso ocorre quando o respeito pelas regras democráticas cede espaço à lógica da eliminação do adversário. Mais uma vez, retornando aos clássicos, Maquiavel e Hobbes oferecem chaves de leitura distintas, mas complementares para a nossa tentativa de compreensão da política contemporânea brasileira. A filosofia de Maquiavel afirma que a estabilidade depende da virtú (capacidade) do governante, ou seja, da sua habilidade de agir segundo as circunstâncias e manter o controle da fortuna (sorte, o imponderável). Quanto ao Hobbes, sua filosofia sustenta que somente a força coercitiva do Leviatã (o poder do Estado) seria capaz de conter a desordem. Atualizando essas duas perspectivas, percebesse que a nossa República, apesar de ter se mantido firme diante das intempéries políticas, demonstra uma certa ausência das prerrogativas necessárias apontadas pelos filósofos. Nossos líderes têm se mostrado incapazes de sustentar o consenso político e nossas instituições, ao invés de força (não deixamos de reconhecer que existem pontuais e importantes exceções), têm se mostrado frágeis e lenientes quando fazem uso da autoridade legítima. Sendo assim, acreditamos que sem o fortalecimento das instituições democráticas, sem a busca pelo diálogo, necessário para o consenso político, e sem o fomento do pleno exercício da cidadania, a porta permanece aberta para futuras e temerárias crises democráticas; não se sabe ao certo quando, como, nem os porquês de novos confrontos políticos, mas, diante do quadro atual, é possível prever que eles virão.

Nesse breve ensaio, tentamos demonstrar que a crise da democracia é eminentemente uma crise de legitimidade; pois o poder desprovido de confiança pública, perde seu fundamento ético e simbólico. Os três fatos recentes da história política nacional elencados por nós, ocorridos em: 2014, 2016 e 2023, nos levam a crer que, em nosso país, a democracia do amanhã terá que aprender a conviver e a superar a reconfigurações de antigas crises democráticas.

3.0 - CONCLUSÃO

            As crises políticas brasileira dos últimos anos: questionamento das urnas 2014, impeachment 2016, polarização (até hoje) e tentativa de golpe 2023, revelam que a democracia contemporânea enfrenta velhos dilemas sob novas formas. Levitsky e Ziblatt (2018) foram felizes ao afirmarem que as democracias morrem lentamente, corroídas por dentro, pela perda da confiança mútua e pelas manipulação das normas. Todavia, como também foi o nosso objetivo demonstrar, essa degradação do sistema não é necessariamente um fenômeno inédito; o que ocorre de fato é uma reatualização das tensões, abordada pelos clássicos (Maquiavel e Hobbes), entre poder, legitimidade e autoridade.

            O italiano advertiu que a política exige do governante prudência e força; ao passo que o inglês ensinou que o poder legítimo (nascido do contrato) deve garantir a paz e evitar o caos (silenciar o lobo em cada um). O Brasil, conscientemente ou não, parece ignorar essas orientações. Nem assegura a estabilidade institucional, os poderes instituídos divergem internamente e externamente (apresentam uma grande dificuldade na construção de consensos), nem reconstrói a legitimidade simbólica do poder (há uma desconfiança generalizada nas instituições públicas). Há quem esteja procurando um culpado para tudo isso, uma causa, uma verdade (o bem e o mal), mas talvez não haja verdade alguma, só uma incontrolável vontade de tê-la. Nós também não temos respostas; mas, ao menos momentaneamente, tornaremos nossa as palavras do compositor que diz nos versos da canção:

Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem

(Umberto Gessinger, 1988)


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

VEJA. Aécio, que questionou urna eletrônica, vai debater volta do voto impresso. 2023. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/maquiavel/aecio-que-questionou-urna-eletronica-vai-debater-volta-do-voto-impresso/ Acesso em: 10/11/2025

BBC. 8 de janeiro: entenda o que motivou e como foi a invasão dos prédios dos três poderes em Brasília. 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1kvvdpl0m3o

ARTA CAPITAL. Temer: impeachment ocorreu porque Dilma recusou Ponte para o Futuro. 2023. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/politica/temer-impeachment-ocorreu-porque-dilma-recusou-ponte-para-o-futuro/

HOBBES, Thomas. Leviatã. Trad. João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 117.

LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.

MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Trad. Maria Júlia Goldwasser. São Paulo: Martins Fontes, 2010. p. 59.

SOMOS QUEM PODEMOS SER – Engenheiros do Hawaii 2018. Disponível em: https://www.letras.mus.br/engenheiros-do-hawaii/12899/. Consultado em 27/11/2025

 

domingo, 30 de novembro de 2025

FLAMENGO: SE NÃO FOR O SEU PRIMEIRO É O SEU SEGUNDO TIME!


FLAMENGO:

SE NÃO FOR O SEU PRIMEIRO É O SEU SEGUNDO TIME!

Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬)30/11/2025

Ontem (29/11), ao sagrar-se Tetracampeão da Libertadores, o Clube de Regatas do Flamengo, evidenciou algumas situações peculiares na história da competição:

- Primeira e mais evidente, o Flamengo tornou-se o primeiro clube brasileiro tetracampeão da competição.

- Segunda, o país passou a ter sete conquistas consecutivas (um recorde na história do torneio).

- Terceiro, os clubes do país (juntos) igualaram o número de conquistas com os clubes argentinos; que, desde a década de sessenta, eram hegemônicos na competição.

- Quarto, a Libertadores da América tornou-se uma espécie de “Campeonato Carioca” uma vez que há quatro anos só os times do Rio de Janeiro vencem a competição: Flamengo em 2022; Fluminense em 2023; Botafogo em 2024 e Flamengo novamente em 2025.

 

Por essas coisas, além de outras tantas, nós afirmamos que o Flamengo, se não for o primeiro, é, seguramente, o segundo time de todo brasileiro! O que sustenta o a nossa proposição?

- Primeiro, o país, fora do eixo Rio-São Paulo (com algumas exceções) está cheio de times sem projeção nacional e internacional; essa dura realidade, como todos sabemos, cria anomalias como as que ocorrem nas Regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste do país. Ou seja, os times locais mobilizam menos torcedores do que as equipes que se encontram no eixo Rio-São Paulo (em Natal-RN, por exemplo, quase não se vê mais camisas do América e do ABC nas ruas da cidade).

- Segundo, a mídia, as polêmicas, os favorecimentos, a torcida, as conquistas e a história do Flamengo sempre o colocaram no olho do furacão da opinião pública brasileira (para o bem ou para o mal).

- Terceiro, amado por uns e odiado por muitos, o Flamengo é o tipo de clube pelo qual não se dá para ficar em cima do muro! Aqueles que não cantam as suas conquistas, fazem questão de evidenciarem as suas tragedias; e, ao fazê-lo, o fazem com tanta paixão que beira o irracionalidade bestial (algo quase animalesco). No entanto, em larga medida, é disso que se alimenta o futebol (passionalidades humanas: amor e/ou ódio).

 

Eu, como você já sabe, tricolor das Laranjeiras, sem negar a minha condição, congratulo a equipe do Flamengo. Um clube com uma histórias para contar, não importando o fato se essa história serve para fazer uns rirem e/ou muitos outros chorarem! O fato é: essa história, gostem disso ou não, está sendo contada!

 

Parabéns ao Flamengo (pela quarta vez intercalada, a Libertadores é dele), parabéns a cidade do Rio de Janeiro (pela quarta vez seguida, a Libertadores é sua) e parabéns ao Brasil (pela sétima vez seguida, a Libertadores é nossa)! C@cau “:¬)30/11/2025

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

CONSCIÊNCIA NEGRA OU HUMANA?

 CONSCIÊNCIA NEGRA OU HUMANA?

Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬)20/11/2025

Algumas pessoas me abordam com o seguinte questionamento: “Ao invés de uma Consciência Negra, não deveríamos lutar para promover uma Consciência Humana?” Promissora essa proposta, não posso negar; no entanto, muito pouco prática. Para pessoas que reproduzem essa ideia eu formulo a seguinte pergunta: Ao invés de gastarmos trilhões e trilhões com armamentos, exércitos e policiamentos ostensivos, não seria muito mais coerente e humano investirmos nas religiões e na produção de livros sagrados, a fim de ensinarmos as pessoas a se amarem reciprocamente no mundo todo? Muito auspicioso, não é mesmo? No entanto, assim como a primeira pergunta, essa segunda proposição é também muito utópica, idealista e romântica; com pouca ou até mesmo nenhuma função prática. Sendo assim, enquanto o amor ao próximo não se efetiva em nossas vidas, é bom que cada um saiba e possa se defender coletiva e individualmente; e, igualmente, enquanto a Consciência Humana não chega, me deixem viver a minha Consciência Negra! Ela não muda tanta coisa assim, no entanto, me permite saber, eu que fui roubado de minha história ancestral, quem sou, de onde vim e, o que é melhor, onde quero chegar! Valeu Zumbi, Zumbi valeu!!! C@cau “:¬)

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

ZUMBI ESTÁ NAS RUAS!

 ZUMBI ESTÁ NAS RUAS!

Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬)19/11/2025

O herói, o guerreiro, o super-homem etc., acreditei nessas coisa só enquanto ainda criança; foi lúdico, por isso foi útil. Hoje, adequado à vida adulta, não acredito mais; menos mal. Tornar-me adulto, me fez perceber que homens e mulheres, independentemente do que dizem sobre eles, são apenas humanos. Diferem-se, é verdade, quanto às escolhas que fazem na vida; mas, ainda assim, humanos; "demasiadamente humanos", diria Nietzsche. Essa humanidade, minimizada e/ou potencializada, acaba por marcar, positiva ou negativamente, a vida pessoal e, às vezes, a vida social das pessoas. É o caso de Zumbir dos Palmares, por exemplo. É bem provável que ele mesmo não fizesse a menor ideia da magnitude das suas ações. Hoje, na condição de motivador das consciências alheias, o que ele fez, figura como exemplo a ser comemorado, seguido e/ou refletido por muitos. É bem verdade que em nossos dias, o opressor já não tem o mesmo rosto do passado; nem o local da dor, tem o mesmo nome, nem possui o mesmo endereço; todavia, a luta pela identidade, representatividade e dignidade humana continua sendo travada no interior dos ringues da vida.  Lutar contra as reconfiguradas tiranias da existência é dever de todo ser humano! As múltiplas dificuldades da vida não pedem por heróis, elas clamam por homens e mulheres que não se furtam a ser, ainda que isso pareça pouco, exatamente aquilo que nasceram para ser: seres humanos! Se fizermos isso, Zumbi voltará às ruas e todos os dias serão dias, não de um, mas de incontáveis e magníficos Zumbis. Valeu Zumbi; Zumbi valeu! C@cau “:¬)

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

REVISÃO ENEM 2025

 REVISÃO DE VESPERA - ENEM 25

FILOSOFIA/SOCIOLOGIA

Organizado por: Claudio Ramos, C@cau ":¬)30/10/2025

Gabarito: 1 B, 2 B, 3 C, 4 C, 5 D, 6 C, 7 C, 8 D.

 Tema: Os clássicos da Sociologia

1. Leia o trecho a seguir:
"A divisão do trabalho, ao se acentuar, não provoca apenas uma especialização das tarefas, mas a diferenciação dos indivíduos e a formação de grupos sociais cada vez mais heterogêneos. [...] Para Durkheim, essa especialização e diferenciação criavam novos tipos de laços sociais, gerando uma nova forma de solidariedade."

A partir da leitura, a solidariedade descrita por Émile Durkheim, que caracteriza a coesão social em sociedades complexas, é a
A) mecânica, baseada na igualdade e na consciência coletiva forte.
B) orgânica, fundamentada na interdependência e na diferença entre os indivíduos.
C) tradicional, resultado da tradição e de laços familiares.
D) afetiva, originada das relações emocionais e irracionais.
E) de classe, gerada pela luta entre burguesia e proletariado.

Comentário: A solidariedade orgânica, segundo Durkheim, é o tipo de coesão social que predomina nas sociedades modernas e complexas, com alta divisão do trabalho. Nela, a interdependência entre os indivíduos, que se especializam em diferentes funções, gera a coesão social, como em um organismo vivo, onde cada órgão tem uma função específica para o bom funcionamento do todo. Já a solidariedade mecânica é típica de sociedades pré-modernas, onde a coesão se dá pela semelhança entre os indivíduos (consciência coletiva forte).

Tema: Estratificação social

2. Para Karl Marx, a sociedade capitalista é estratificada principalmente em duas classes sociais antagônicas, cujas posições são definidas pela posse ou não dos meios de produção. Essa relação de desigualdade gera um conflito inerente ao sistema.

De acordo com o pensamento marxista, as duas classes sociais antagônicas são:
A) Clérigos e nobres.
B) Burguesia e proletariado.
C) Nobres e servos.
D) Classe alta e classe baixa.
E) Senhores e escravos.

Comentário: Marx divide a sociedade capitalista em duas classes principais: a burguesia, que detém os meios de produção (fábricas, terras, etc.), e o proletariado, que detém apenas sua força de trabalho e a vende em troca de salário. O conflito entre essas duas classes, a chamada luta de classes, é o motor da história para o sociólogo.

Tema: Indústria cultural

3. Na perspectiva da Escola de Frankfurt, o termo "indústria cultural" é utilizado para descrever um fenômeno no qual a cultura é produzida e distribuída em massa, como uma mercadoria. Esse processo visa padronizar o gosto e os comportamentos dos indivíduos, inibindo a capacidade de pensamento crítico.

Considerando o conceito de indústria cultural, qual das seguintes ações exemplifica sua lógica?
A) A valorização da cultura popular e tradicional.
B) A produção de filmes de arte independentes e de baixo orçamento.
C) A criação de músicas e filmes com fórmulas repetitivas e previsíveis.
D) O apoio a manifestações artísticas que promovem a diversidade e a crítica social.
E) A difusão de conteúdos culturais que questionam o consumismo.

Comentário: A indústria cultural, segundo Adorno e Horkheimer, produz bens culturais em série e de forma padronizada, com o objetivo de gerar lucro e manter o controle social. A criação de filmes e músicas com fórmulas repetitivas e previsíveis serve para garantir o sucesso comercial, ao mesmo tempo em que reduz a capacidade crítica do público, acostumando-o a consumir produtos culturais sem questioná-los.

Tema: Cidadania

4. O sociólogo T. H. Marshall, em sua obra Cidadania, classe social e status, analisa a cidadania como um conjunto de direitos que se desenvolveu historicamente em três dimensões inter-relacionadas: civil, política e social.

De acordo com a teoria de Marshall, um exemplo de direito social é:
A) O direito à liberdade de expressão e de ir e vir.
B) O direito ao voto e de ser votado.
C) O direito à educação e à saúde pública.
D) O direito à propriedade privada.
E) O direito a um julgamento justo.

Comentário: Segundo Marshall, os direitos sociais são aqueles que garantem um mínimo de bem-estar e segurança econômica a todos os cidadãos, como a saúde, a educação e a aposentadoria. Eles se desenvolveram após os direitos civis (século XVIII) e políticos (século XIX).

Tema: Movimentos sociais

5. Os movimentos sociais são ações coletivas que visam promover, impedir ou resistir a mudanças sociais em uma sociedade. Eles podem ser classificados de diversas formas, de acordo com seus objetivos, como a luta por direitos, por identidade ou por questões ambientais.

Um exemplo de movimento social que tem como principal objetivo a luta por direitos civis e o reconhecimento de identidades específicas é o:
A) Movimento dos trabalhadores rurais sem-terra (MST).
B) Movimento sindical.
C) Movimento estudantil.
D) Movimento feminista.
E) Movimento ambientalista.

Comentário: O movimento feminista é um exemplo clássico de movimento social que luta por direitos civis e pelo reconhecimento de identidades específicas, no caso, a igualdade de gênero. Enquanto outros movimentos citados se concentram em questões de classe (MST e sindical) ou de forma mais ampla (estudantil e ambientalista), o feminismo se dedica especificamente às questões de gênero.

Tema: Ação social (Weber)

6. Para Max Weber, a Sociologia deve ser uma ciência compreensiva, capaz de entender o sentido da ação social individual para, a partir daí, interpretar os fenômenos sociais. Ele categoriza a ação social em quatro tipos ideais: racional com relação a fins, racional com relação a valores, afetiva e tradicional.

O ato de um estudante se dedicar intensamente aos estudos, visando obter uma boa nota no Enem para ingressar em uma universidade, é um exemplo de ação social do tipo:
A) Afetiva.
B) Tradicional.
C) Racional com relação a fins.
D) Racional com relação a valores.
E) Irracional.

Comentário: A ação social racional com relação a fins é aquela em que o indivíduo age de forma calculada e estratégica para alcançar um objetivo específico. O estudante que estuda para passar no Enem, por exemplo, utiliza os estudos como meio para atingir o fim (aprovação na universidade).

Tema: Cultura e ideologia

7. A relação entre cultura e ideologia tem sido objeto de reflexão de diversos sociólogos. Uma das principais abordagens, de matriz marxista, considera que a cultura, como um conjunto de ideias e valores, pode ser utilizada como instrumento de dominação pela classe dominante, para manter a ordem social e esconder as contradições do sistema capitalista.

Nesse sentido, a cultura seria um reflexo da
A) diversidade de saberes e práticas.
B) capacidade de crítica da sociedade.
C) ideologia dominante da época.
D) autonomia criativa dos indivíduos.
E) tradição e dos costumes.

Comentário: Para a perspectiva marxista, a ideologia dominante, que representa os interesses da classe no poder, se manifesta na cultura, fazendo com que certas ideias sejam naturalizadas e vistas como "normais", enquanto as desigualdades sociais são mascaradas.

Tema: Desigualdade e exclusão social

8. Pierre Bourdieu, sociólogo francês, desenvolveu o conceito de capital cultural, que se refere ao conjunto de conhecimentos, habilidades e disposições que um indivíduo acumula ao longo de sua vida. Esse capital é transmitido, principalmente, no ambiente familiar e influencia o desempenho escolar e as oportunidades futuras.

A partir do conceito de capital cultural de Bourdieu, a desigualdade social é explicada, entre outros fatores, pela
A) falta de esforço individual.
B) divisão do trabalho nas sociedades modernas.
C) diferença na posse dos meios de produção.
D) herança de saberes e vivências de famílias e classes sociais.
E) ausência de direitos civis.

Comentário: Bourdieu destaca que a desigualdade social não se limita à dimensão econômica (capital econômico), mas também se manifesta no capital cultural, transmitido de geração para geração, o que explica por que indivíduos de famílias de classes mais altas tendem a ter mais sucesso escolar e profissional.

Gabarito: 1 E, 2 D, 3 D, 4 D, 5 C, 6 A, 7 C, 8 D.

Tema: Filosofia Antiga - Platão

1. TEXTO I
"A filosofia de Platão, por exemplo, é inseparável do mito da caverna. De modo geral, todas as teorias sobre a sociedade, o conhecimento e a política, que marcaram o Ocidente, são derivadas, em boa parte, do legado platônico.".

TEXTO II
"Na Alegoria da Caverna, Platão descreve prisioneiros que, acorrentados desde a infância, veem apenas sombras projetadas na parede, as quais tomam por realidade. A libertação de um deles e a sua ascensão ao mundo exterior, iluminado pelo sol, representam a passagem do mundo sensível para o mundo das ideias."

Com base nos textos, a alegoria da caverna platônica tem como objetivo principal
A) demonstrar a superioridade do conhecimento empírico.
B) descrever a realidade material dos prisioneiros.
C) defender a importância da experiência sensorial para o conhecimento.
D) criticar a sociedade ateniense e a política da época.
E) ilustrar a teoria do conhecimento de Platão, distinguindo o mundo das ideias do mundo sensível.

Comentário: A Alegoria da Caverna é a principal forma utilizada por Platão para exemplificar sua teoria das Ideias, que distingue o mundo sensível (as sombras da caverna), que é ilusório, do mundo inteligível ou das ideias (a realidade externa, iluminada pelo sol), que é a verdadeira realidade. A saída da caverna representa o processo de conhecimento filosófico que conduz à verdade.

Tema: Filosofia Antiga - Aristóteles

2. Aristóteles, em sua obra Ética a Nicômaco, defende que a felicidade (eudaimonia) é o bem supremo que o ser humano pode alcançar. Para ele, a felicidade não é um estado de espírito passageiro, mas a finalidade da vida e da ação humana, que só é possível de ser atingida por meio de uma vida virtuosa.

De acordo com a ética aristotélica, a vida virtuosa e a busca pela felicidade (eudaimonia) dependem do(a):
A) Prazer e satisfação dos desejos.
B) Acúmulo de riquezas e bens materiais.
C) Cumprimento de ordens divinas e religiosas.
D) Exercício da razão e do justo meio em todas as ações.
E) Busca incessante por poder e glória.

Comentário: Para Aristóteles, a virtude é o meio-termo entre dois extremos viciosos (um por excesso e outro por falta). A virtude é alcançada por meio do exercício da razão, que guia a conduta humana em direção à moderação e à excelência moral. Ao agir virtuosamente, o indivíduo alcança a felicidade (eudaimonia), que é a finalidade última da vida.

Tema: Filosofia Moderna - Racionalismo (Descartes)

3. "Penso, logo existo."
A célebre frase de René Descartes sintetiza a sua filosofia racionalista. Por meio da dúvida metódica, ele buscava encontrar uma verdade indubitável, uma certeza que pudesse servir de fundamento para todo o conhecimento.

A partir da frase e da filosofia de Descartes, pode-se afirmar que o ponto de partida do seu pensamento é a
A) autoridade da Igreja.
B) experiência sensorial.
C) existência do mundo externo.
D) razão como fonte de certeza.
E) tradição filosófica.

Comentário: O racionalismo de Descartes postula que a razão é a fonte primária e mais segura do conhecimento. A partir da dúvida metódica, ele chega à conclusão de que a única coisa que não pode ser duvidada é o ato de duvidar, ou seja, o próprio pensamento. A partir dessa certeza ("Penso, logo existo"), ele reconstrói todo o conhecimento, demonstrando que a razão é o fundamento da verdade.

Tema: Filosofia Moderna - Empirismo (Locke)

4. O filósofo inglês John Locke, em sua teoria do conhecimento, defende que a mente humana é, ao nascer, uma tabula rasa, ou seja, uma tábua em branco, desprovida de ideias inatas. Todas as ideias que o ser humano possui são adquiridas por meio da experiência sensorial.

A partir da perspectiva empirista de Locke, o conhecimento é construído a partir da
A) razão inata.
B) tradição cultural.
C) fé religiosa.
D) experiência.
E) intuição.

Comentário: O empirismo de John Locke e de outros filósofos como David Hume defende que todo o conhecimento humano deriva da experiência, seja ela externa (sensação) ou interna (reflexão). Ao contrário do racionalismo, que acredita em ideias inatas, o empirismo sustenta que a mente humana é moldada pela experiência.

Tema: Ética e Filosofia Política

5. TEXTO I
O filósofo político Nicolau Maquiavel, em sua obra O Príncipe, rompe com a tradição ética na política, ao argumentar que a ação política deve se basear na necessidade e na eficácia, e não em princípios morais absolutos.

TEXTO II
O pensamento de Maquiavel sugere que o príncipe deve ser "leão para espantar os lobos e raposa para fugir das armadilhas", ou seja, deve ser capaz de usar a força e a astúcia para manter o poder e a ordem do Estado.

A partir dos textos, a ética maquiaveliana se diferencia da ética tradicional por
A) defender que o poder deve ser exercido com base na moralidade.
B) subordinar a política à moral e à religião.
C) priorizar a ação política eficaz, mesmo que imoral.
D) negar a existência de conflitos no exercício do poder.
E) propor a divisão do poder entre diversos grupos sociais.

Comentário: A filosofia política de Maquiavel é conhecida pelo realismo, que defende que o príncipe deve se preocupar com a eficácia de suas ações para manter o poder, mesmo que para isso precise agir de forma imoral ou cruel. Essa visão rompe com a tradição ética que buscava conciliar a política com a moralidade.

Tema: Filosofia Política - Contratualismo (Hobbes)

6. "A condição natural do homem é a guerra de todos contra todos. Nesse estado, a vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta. Para escapar desse estado, os homens firmam um pacto social, abdicando de sua liberdade natural em prol de um soberano, que lhes garante a paz e a segurança."

O texto se refere à teoria contratualista de Thomas Hobbes. Nessa perspectiva, o Estado surge como uma solução para o(a)
A) excesso de liberdade e a anarquia na vida em sociedade.
B) busca por riquezas e bens materiais.
C) falta de direitos e a submissão dos mais fracos.
D) desinteresse dos indivíduos pela vida em sociedade.
E) necessidade de punir os criminosos.

Comentário: Segundo Hobbes, no estado de natureza, os homens são livres para fazerem o que quiserem, o que gera um constante estado de guerra e insegurança. Para escapar dessa situação, eles abdicam de sua liberdade em favor de um soberano, que tem o poder de garantir a paz e a ordem.

Tema: Filosofia Contemporânea - Existencialismo

7. Jean-Paul Sartre, expoente do existencialismo, defendia a tese de que a "existência precede a essência". Para ele, o ser humano é livre e responsável por suas escolhas, não possuindo uma natureza predeterminada.

A partir da perspectiva sartreana, o ser humano é
A) determinado por sua natureza e essência.
B) condicionado pela sociedade e cultura.
C) livre para criar sua própria essência.
D) submisso ao destino e à fatalidade.
E) produto de suas condições biológicas.

Comentário: A frase "a existência precede a essência" significa que o ser humano não nasce com uma essência predeterminada, mas a constrói ao longo de sua vida, por meio de suas escolhas e ações. O ser humano é livre e, por isso, responsável por se tornar o que é.

Tema: Teoria do Conhecimento - Senso Comum e Ciência

8. O senso comum é um conhecimento espontâneo e fragmentado, baseado na experiência cotidiana, na tradição e no costume. A ciência, por sua vez, busca um conhecimento sistemático, metódico e crítico, que questiona e investiga a realidade de forma rigorosa.

A principal diferença entre o senso comum e o conhecimento científico reside no
A) objeto de estudo.
B) nível de complexidade.
C) uso de conceitos e termos técnicos.
D) caráter sistemático e crítico da investigação.
E) volume de informações disponíveis.

Comentário: A principal distinção entre o senso comum e o conhecimento científico está na metodologia. O senso comum é assistemático e acrítico, enquanto o conhecimento científico é rigorosamente metódico e crítico, submetendo suas hipóteses a testes e verificações constantes. A ciência não se contenta com a mera observação dos fatos, mas busca explicá-los e compreendê-los de forma aprofundada.

 

 

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