segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

GUILHERME DE OCKHAM (1285–1347)

 GUILHERME DE OCKHAM (1285–1347)

(A “Navalha” de Ockham)

Por: Claudio Ramos, a partir da IA. C@cau19/01/2026

VÍDEO AULA:

https://www.youtube.com/watch?v=b-J0jnfe10I

1.0  - INTRODUÇÃO

- Ockham considerava a maioria das distinções desnecessárias e complexas.

·         Nasce aqui a sua famosa Navalha de Ockham ("Não se devem multiplicar as entidades sem necessidade").

·         Ele rejeitou a "natureza comum" e a "distinção formal" de Scot, afirmando que apenas indivíduos existem.

·         Para Ockham, a "humanidade" não existe na realidade, apenas na mente como um nome (nominalismo) ou conceito.

2.0 - O FILÓSOFO

- Quem foi Guilherme de Ockham?

·         Guilherme de Ockham (1285–1347) foi um frade franciscano, teólogo e filósofo inglês.

- Algumas obras

·         Suas ideias estão concentradas em obras como: Suma de Lógica e os Comentários às Sentenças.

- O contexto

·         Fim da Baixa Idade Média.

·         Ockham viveu em uma época de disputas entre a Igreja e o Estado.

·         Viveu em um período de intensa transformação e conflitos, marcado pela Crise da Escolástica (o sistema de pensamento que tentava unir fé e razão).

·         O pensamento de Ockham rompeu com a tradição de filósofos como Santo Agostinho (354-430) e São Tomás de Aquino (1225-1274).

·         Foi excomungado após entrar em conflito com o Papa João XXII, defendendo que a Igreja deveria ser pobre e não deveria interferir em assuntos políticos.

- O primeiro moderno

·         Guilherme de Ockham é frequentemente chamado de "o primeiro moderno".

·         Suas ideias ajudaram a encerrar a Idade Média e abrir as portas para o pensamento científico que temos hoje.

- O “doutor invencível”

·         O "Doutor Invencível", ele ficou conhecido por esse apelido devido ao seu rigor lógico e sua capacidade de desmontar argumentos complexos diante de seus opositores.

2.0 - PRINCIPAIS TESES

2.1 - O NOMINALISMO

(O PROBLEMA DOS UNIVERSAIS)

- Para Ockham, conceitos abstratos não existem na realidade.

·         Na Idade Média, discutia-se se a "Humanidade" existia como algo real ou se era apenas um nome.

- A tese:

·         Só existem indivíduos. "Humanidade" é apenas um nome (nomen) ou um conceito mental que usamos para agrupar seres semelhantes.

- Exemplo:

·         Se você olhar para dez cachorros, a "Cachorridade" não existe em um lugar mágico.

·         O conceito "cachorro" é apenas uma etiqueta que nossa mente cria para facilitar a comunicação.

·         O que existem são dez animais individuais.

2.2 - A NAVALHA DE OCKHAM

(PRINCÍPIO DA PARCIMÔNIA)

- Este é o seu conceito mais famoso.

·         Ele diz que "não se deve multiplicar as entidades sem necessidade".

- A tese:

·         Se você tem duas explicações para um fenômeno, a mais simples (a que exige menos suposições) costuma ser a correta.

- Exemplo:

·         Se você chega em casa e a janela está quebrada e um vaso caiu, você pode pensar:

·         1) Um fantasma entrou e derrubou o vaso ou 2) O vento soprou forte.

·         A Navalha de Ockham diz que o vento é a explicação melhor, pois não exige que você prove a existência de fantasmas.

2.3 - SEPARAÇÃO ENTRE FÉ E RAZÃO

- Diferente de São Tomás de Aquino, que tentava harmonizar fé e razão, Ockham dizia que elas pertencem a mundos diferentes.

- A tese:

·         A existência de Deus ou a imortalidade da alma não podem ser provadas pela lógica.

·         A razão deve se ocupar apenas do que podemos observar e experimentar.

·         São questões de fé.

3.0 - IMPORTÂNCIA DE OCKHAM PARA A MODERNIDADE

- O impacto de Ockham:

·         A filosofia do inglês foi gigante tanto nas Ciências Humanas quanto nas Exatas.

3.1 - CIÊNCIAS HUMANAS

(POLÍTICA E LINGUAGEM)

- Indivíduo sobre a Instituição:

·         Ao dizer que só existem indivíduos, ele lançou as bases para o Individualismo Moderno.

·         Se a "sociedade" é apenas um nome, o que importa são os direitos das pessoas reais.

- Estado Laico:

·         Sua defesa de que a Igreja não deveria ter poder político ajudou a fundamentar a separação entre religião e governo.

3.2 - CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS E NATURAIS


- Empirismo:

·         Ao focar no que é individual e observável, Ockham estimulou a observação da natureza.

·         A ciência moderna (física, química, biologia) baseia-se no que podemos medir e testar, não em teorias abstratas.

- Otimização e Algoritmos:

·         A "Navalha de Ockham" é usada até hoje na Programação e Inteligência Artificial.

·         Programadores buscam o código mais limpo e eficiente; cientistas de dados buscam o modelo que explica o máximo com o mínimo de variáveis.

4.0 – DUNS SCOT E OCKHAM

(OCKHAM INFLUENCIADO POR DUNS SCOT)

- Duns Scot (1266-1308), teólogo e filósofo escocês, o "Doutor Sutil".

·         Scot foi beatificado em 1993 pelo Papa João Paulo II, foi membro da Ordem Franciscana e professor da Universidade de Paris.

·         Formou-se na Universidade de Oxford e no desenvolvimento de sua obra ergueu importantes contrapontos ao pensamento de Santo Tomás de Aquino.

·         Embora Ockham seja frequentemente visto como um crítico severo de Scot, sua filosofia é, em grande parte, uma radicalização e uma resposta direta aos problemas levantados pelo "Doutor Sutil" (Scot).

4.1 - A UNIVOCIDADE DO ENTE

- Scot rompeu com a tradição de Tomás de Aquino

·         Aquino defendia a analogia do ser (semelhança entre fatos distintos); Scot afirmou que o conceito de "ser" ou "ente" é unívoco.

·         Isso significa que, quando dizemos que "Deus é" e que "uma pedra é", o termo "ser" tem o mesmo significado básico em ambos os casos.

- Influência em Ockham

·         Ockham aceitou a univocidade de Scot, mas a despiu de suas implicações metafísicas.

·         Para Ockham, a univocidade não se refere a uma "realidade comum" do ser, mas à maneira como nossos conceitos mentais funcionam como signos que podem se referir a diferentes coisas da mesma forma.

4.2 - O VOLUNTARISMO DIVINO

- Scot deu primazia à vontade sobre o intelecto.

·         Ele argumentava que Deus não criou o mundo por necessidade lógica, mas por um ato de vontade livre.

- Influência em Ockham:

·         Ockham levou isso ao extremo com o conceito de Onipotência Divina (potentia absoluta).

·         Argumentava que, se a vontade de Deus é absolutamente livre, as leis morais e naturais não são necessárias por natureza, mas dependem inteiramente do que Deus decidiu.

·         Isso abalou a ideia de que a razão humana poderia deduzir verdades teológicas imutáveis apenas pela lógica.

4.3 - O CONHECIMENTO INTUITIVO

- Scot introduziu a distinção entre conhecimento abstrativo (que lida com a essência das coisas, independentemente de estarem presentes) e conhecimento intuitivo (que apreende a coisa como existente e presente).

- Influência em Ockham:

·         Esta é talvez a maior herança. Ockham transformou a intuição de Scot na base de sua teoria do conhecimento.

·         Para Ockham, todo conhecimento real começa com a intuição de um indivíduo singular.

·         Se não temos uma intuição direta de algo, não podemos afirmar sua existência real.

4.4 - HECCEIDADE E DISTINÇÃO FORMAL

- A Distinção Formal e a Hecceidade são conceitos centrais na metafísica do filósofo escolástico João Duns Scot.

·         Usados para explicar como os seres individuais existem, possuem características únicas e se distinguem uns dos outros, mantendo uma natureza comum. 

4.4.1 - HECCEIDADE

- Hecceidade (do latim haecceitas = "esta coisa")

·         É o "princípio de individuação" ou a "istoicidade".

·         É aquilo que torna um ser individual único e singular, distinguindo-o de todos os outros da mesma espécie.

·         Hecceidade é o componente ontológico que me faz ser "eu" e não "você".

- Conceito

·         Enquanto a essência (quididade) diz o "que" uma coisa é (ex: ser humano), a hecceidade diz "esta" coisa é (ex: este humano específico).

·         É a última realidade do ser, a sua singularidade absoluta, que não é repetível.

- Função

·         Scot propõe a hecceidade para explicar por que dois indivíduos com a mesma natureza (dois seres humanos, por exemplo) não são a mesma coisa.

·         Ela é algo positivo na coisa, não apenas a ausência de algo. 

4.4.2 - DISTINÇÃO FORMAL

- Distinção Formal (distinctio formalis)

·         É uma distinção intermediária entre a distinção real (entre duas coisas separadas, como uma mesa e uma cadeira) e a distinção conceitual/razão (apenas na mente).

·         É o modo como sabemos que a minha humanidade (natureza comum) e o meu ser-isto (hecceidade) são aspectos diferentes na mesma pessoa, sem serem duas partes separadas.

- Conceito

·         A distinção formal existe entre duas "formalidades" (aspectos ou características) na mesma coisa, que não são separáveis fisicamente, mas que possuem realidades distintas e inteligíveis por si mesmas antes de qualquer ato da mente.

- Função 

·         Scot usa isso para explicar a relação entre a "natureza comum" (a humanidade) e a "hecceidade" (o ser-isto) de um indivíduo. A natureza e a hecceidade na mesma pessoa se distinguem formalmente, mas não realmente. 

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