domingo, 14 de janeiro de 2024

TEMA III - SOCIOLOGIA CLÁSSICA (ALGUMAS ABORDAGENS)

 TEMA III - SOCIOLOGIA CLÁSSICA

(Conceitos Fundamentais)

Por: Claudio F. Ramos, a partir de livros e da net. C@cau “:¬)14/01/2024

INTRODUÇÃO

- A Sociologia busca, diferentemente do senso comum, identificar as origens do comportamento dos indivíduos em suas inúmeras relações com outras pessoas, grupos e setores sociais.

·         É tarefa da Sociologia entender e explicar como as nossas biografias individuais se entrelaçam com a história que partilhamos com outros seres humanos.

SOBRE O SENSO COMUM

- Senso comum é um tipo de pensamento que não foi testado, verificado ou metodicamente analisado.

·         O conhecimento de senso comum está presente em nosso cotidiano e é passado de geração a geração. Podemos afirmar que esse tipo de conhecimento é, categoricamente, popular e culturalmente aceito.

·         Por ser obtido a partir de um movimento de repetição cultural, pode estar correto ou não.

·         O fato de não se estabelecer métodos e testes comprobatórios, não significa, necessariamente, que o tipo de conhecimento popular está errado.

SOBRE A SOCIEDADE

- Sociedade é uma associação entre indivíduos que compartilham valores culturais e éticos e que estão sob um mesmo regime político e econômico, em um mesmo território e sob as mesmas regras de convivência.

·         A sociedade não é um amontoado de indivíduos, mas um sistema organizado deles e ordenado em uma estrutura social, com um arcabouço normativo e com instituições formais e informais (Estado, família, Igreja, escola etc.).

- A vida em sociedade promove repertórios e mais repertórios de prescrições.

·         Fomenta a unidade cultural; pune a transgressão das regras e socializa os indivíduos.

·         Define uma gama de papéis que eles podem desempenhar e mantêm a coesão social, econômica e política.

SOBRE A SOCIALIZAÇÃO

- O processo de socialização (humanização/institucionalização) define-se como sendo a assimilação que um determinado indivíduo ou grupo pequeno, faz de hábitos, características comportamentais e culturais do grupo social no qual está inserido.

·         A assimilação sociocomportamental e cultural torna-se própria daquele indivíduo que a aceitou e assimilou.

·         O processo de assimilação e socialização não é fixo, isto é, pode sofrer alterações ao longo da vida e dos contextos nos quais o ser social está inserido (linguagem, valores, crenças etc.).

·         O processo de socialização é feito durante toda a vida, terminando apenas com a morte.

- O processo de socialização se dá basicamente de duas maneiras: Primária e Secundária.

·         A Socialização Primária - é a responsável por formar a base do indivíduo, é o primeiro contato deste com o mundo exterior.

·         A Socialização Secundária - impõe ao indivíduo submundos dos quais ele desconhece, com isso, percebe que existem outras culturas, outras ideologias além da dele.

SOBRE A MUDANÇA SOCIAL

- A mudança social é um dos principais temas de que se ocupa a Sociologia.

·         A mudança social é a transformação da sociedade e do seu modo de organização.

·         Decorre de hábitos e costumes que deixam de fazer ou que começam a fazer parte do cotidiano das pessoas.

·         A mudança social não é provisória, é constante e afeta o desenvolvimento da sociedade.

·         A mudança social deve ser observada sob a corrente histórica.

Ex. Abolição da escravatura, êxodo rural, evolução dos meios de transporte etc.

- Os sociólogos apresentaram diferentes pontos de vista no que respeita a essa dinâmica, sem a qual a sociedade não existiria.

·         Auguste Comte (1798-1857): admitia a importância da mudança desde que a ordem não fosse afetada, de modo que é contra a revolução (Conservador).

·         Karl Marx (1813-1883): acreditava que as condições econômicas e a luta entre as classes são a principal causa da mudança social (Revolucionário).

·         Émile Durkheim (1858-1917): a mudança social é resultado das relações de trabalho e descarta a necessidade de revoluções (Sistematizador).

·         Max Weber (1864-1920): a principal causa da mudança da sociedade está na origem do capitalismo, especialmente como resultado do progresso e da urbanização (Compreensivo).

SOBRE A COMUNIDADE

- Comunidade é constituída por um grupo menor de indivíduos, que apresentam relações mais próximas e partilham interesses e projetos (maior coesão social).

·         Já na sociedade, os sujeitos estão mais dispersos, uma vez que esta possui características mais voltadas para a vida urbana.

SOBRE A COESÃO SOCIAL

- A coesão social é o que mantem um grupo social unido e operando de forma constante dentro da sociedade.

·         Ela tem a ver com a identidade que um grupo é capaz de criar e reproduzir para si e para os outros, e também tem a ver com suas normas e valores, que o caracterizam.

·         A coesão social pode ser trabalhada em grupos menores da sociedade, mas é mais correto buscar percebê-la para uma sociedade em si.

·         Como a sociedade pode ter subgrupos muito plurais, a forma de manter controladas as diferenças também entra no debate sobre coesão social.

- Coesão Tradicional (Mecânica): a coesão das sociedades tradicionais deriva do seu compartilhar de:

·         Costumes, valores, normas e crenças sociais, de forma que ela é bastante homogênea.

- Coesão Moderna (Orgânica): a nova coesão que surge para as sociedades modernas deriva do oposto da tradicional.

·         Com a industrialização e a maior complexidade do trabalho de algumas sociedades, a coesão social deriva da interdependência das partes do sistema, já que cada trabalho colabora com uma parte da produção social.

·         Para Durkheim, esse movimento de coesão se chamará solidariedade, pensando em como as partes do social colaboram para a produção do trabalho.

SOBRE A ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL

- A estratificação social é a organização da sociedade em camadas hierárquicas, em que as pessoas são classificadas de acordo com seu status social, poder, renda e educação.

·         Essa divisão pode resultar em desigualdades econômicas e políticas, dificultando a mobilidade social e reforçando privilégios e desvantagens de determinados grupos.

·         A estratificação social é um tema abrangente em sociologia, e existem diferentes abordagens teóricas para explicar suas causas e consequências na sociedade.

- No decorrer dos séculos, as civilizações adotaram alguns modelos que impediam a mobilidade social de determinados grupos e indivíduos, as três formas mais comuns de estratificação são: o sistema de castas, o feudalismo e as mudanças ocorridas no contexto da Revolução Industrial 

- As castas têm sua origem ligada a religião hindu e a divisão faz uma analogia ao corpo do deus Brahma.

·         Nas castas superiores estão os brâmanes, que são os líderes religiosos e representam a cabeça do deus.

·         Abaixo dos brâmanes estão os xáritas, que representam os braços do deus e na sociedade são os governantes e guerreiros.

·         As pernas dos deuses são representadas pelos vaixás, os comerciantes.

·         Nas castas mais baixas, que formam os pés, estão os trabalhadores, chamados de shudras.

·         Por fim, existem ainda os sem castas, chamados de párias.

OBS: Na década de 1950, a constituição indiana foi reformada e a discriminação baseada em castas foi proibida.

·         No entanto, mesmo com a proibição, o sistema ainda tem força cultural e segue funcionando em algumas partes do país.

- O Feudalismo, na maior parte da Europa da Idade Média, a sociedade era dividida em ordens ou estamentos.

·         Nas áreas rurais, os feudos eram formados por uma sociedade bem rígida e delimitada.

·         O clero exercia funções religiosas, os nobres, no geral, exerciam funções militares e por fim, os servos trabalhavam e pagavam tributos.

·         Por ter estruturas bem rígidas, era quase impossível a possibilidade de ascensão social.

- A Revolução Industrial: após a revolução, ocorrida no século XVIII, a estrutura social baseou-se na ideia de que, só os que realmente se esforçam ou têm mérito, podem aumentar a renda e consequentemente, ter melhores condições de vida.

·         Em uma corrida meritocrática, os de maior renda sempre começam mais à frente daqueles que tem condições menos favoráveis.

ESTRATIFICAÇÃO DURKHEIMIANA

- Para Durkheim: a estratificação de uma sociedade está ligada à importância do trabalho exercido pelos indivíduos.

·         É um critério moral e excludente que divide a sociedade de acordo com suas profissões e seus ganhos.

·         Profissões tidas como importantes, são melhor remuneradas, enquanto as consideradas pela sociedade como menos importantes, recebem remuneração menor. 

ESTRATIFICAÇÃO MARXISTA

- Para Marx: a estratificação social está diretamente relacionada ao modelo de produção e divisão social do trabalho da sociedade.

·         A burguesia, dona dos meios de produção, emprega a classe proletária, que tem apenas sua força de trabalho para vender ao mercado.

·         A exploração das classes proletárias pela burguesia marca a desigualdade social e acentua a estratificação.

·         Marx aponta que a estratificação e as desigualdades produzidas pelo modelo capitalista de produção e influenciam diretamente na luta de classes.

·         A desigualdade nos meios de produção industrial se estabelece com o surgimento da mais-valia, que na visão de Marx atua de maneira intensa na construção e manutenção de um sistema pautado pela exploração.

ESTRATIFICAÇÃO WEBERIANA

- Para Weber: o processo de estratificação acontece a partir das relações de produção, do status social, dos poderes político e econômico e das oportunidades que os indivíduos ou grupos sociais têm para adquirirem bens.

·         As oportunidades de ascensão social estão diretamente ligadas às variações econômicas do mercado.

·         Na teoria weberiana, o uso do termo “status” torna-se mais importante que o conceito de classes sociais, utilizado por Marx.

·         O reconhecimento dos grupos que ocupam o topo das pirâmides sociais se dá através do reconhecimento do status, do padrão de vida, das oportunidades e dos fatores econômicos.

·         A renda, portanto, torna-se importante, mas não é essencial.

·         O status, na explicação weberiana da estratificação social, das distinções e da mobilidade social, também sofre influência do gênero, condições de saúde, cor e idade.

ESTRATIFICAÇÃO E DESIGUALDADE

-  A estratificação social é a organização da sociedade em camadas hierárquicas, enquanto a desigualdade social se refere à distribuição desigual de recursos e oportunidades entre essas camadas.

·         A estratificação social - é a divisão da sociedade em grupos sociais com diferentes níveis de poder, status e privilégios.

·         A desigualdade social - é a disparidade de acesso a recursos, como renda, educação, saúde e emprego, entre esses grupos.

 

OBS: a Estratificação Social pode ser vista como uma das principais causas da Desigualdade Social, uma vez que algumas camadas da sociedade têm mais recursos e oportunidades do que outras, criando assim uma hierarquia social baseada em privilégios e desvantagens.

CONTATO, CULTURA, NORMAS E ESTIGMAS

- Contato Social: podemos definir contatos sociais como as formas que os indivíduos estabelecem as relações sociais e as associações humanas.

·         Uma conversa entre duas pessoas, um aperto de mão, um “bom-dia” ou uma consulta médica são exemplos de contatos sociais, que em função deles, irão surgir as relações sociais e os graus de intensidade dessas relações.

- Contatos Sociais Primários: se caracterizam por serem pessoais, diretos e com uma forte influência emotiva.

·         Estes são os primeiros tipos de contatos que as pessoas estabelecem, originados das relações entre pais e filhos, irmãos, amigos etc.

- Contatos Sociais Secundários: se diferenciam dos primários pelo fato de serem calculados, racionais e sem influências emotivas.

·         Quando alguém vai comprar pão, por exemplo, a pessoa já sabe que vai haver um vendedor ali e que terá que se comunicar com ele.

·         Essa comunicação, extremamente racional, breve, calculada e sem nenhuma carga emocional é classificada como um contato social secundário.

- Cultura: a sociologia se ocupa em entender os aspectos aprendidos que o ser humano, em contato social, adquire ao longo de sua convivência.

·         Esses aspectos, compartilhados entre os indivíduos que fazem parte deste grupo de convívio específico, refletem especificamente a realidade social desses sujeitos.

·         Características como a linguagem, modo de se vestir em ocasiões específicas são algumas características que podem ser determinadas por uma cultura que acaba por ter como função possibilitar a cooperação e a comunicação entre aqueles que dela fazem parte.

- Cultura Tangíveis: objetos ou símbolos que fazem parte do seu contexto.

- Cultura Intangíveis: ideias, normas que regulam o comportamento, formas de religiosidade.

OBS: Esses aspectos (Tangíveis/Intangíveis) constroem a realidade social dividida por aqueles que a integram, dando forma a relações e estabelecendo valores e normas.

·         Esses valores são características que são consideradas desejáveis ou indesejáveis no comportamento dos indivíduos que fazem parte de uma cultura, como por exemplo o princípio da honestidade que é visto como característica extremamente desejável em nossa sociedade.

- Normas: elas são um conjunto de regras formadas a partir dos valores de uma cultura, que servem para regular o comportamento daqueles que dela fazem parte.

·         O valor do princípio da honestidade faz com que a desonestidade seja condenada dentro dos limites convencionados pelos integrantes dessa cultura, compelindo os demais integrantes a agir dentro do que é estipulado como “honesto”.

- Estigma é uma reação negativa da sociedade a características ou crenças que se desviam da norma ou do aceitável.

·         Esta "marca" não é física, não necessariamente, mas sim uma marcação simbólica que isola e desvaloriza pessoas ou grupos.

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

TEMA II - ORIGEM DA SOCIOLOGIA

 TEMA II - ORIGEM DA SOCIOLOGIA

Por: Claudio F. Ramos, a partir de livros e da net. C@cau “:¬) 09/01/2024

VÍDEO  AULA: https://www.youtube.com/watch?v=IlKMGtt-hqw&t=93s

1. INTRODUÇÃO

- A Sociologia é uma ciência; mas, afinal, o que é uma ciência?

·         Conhecimento atento e aprofundado de algo.

·         Corpo de conhecimentos sistematizados, adquiridos via observação.

·         Identificação, pesquisa, explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, formulados metódica e racionalmente.

2. COMTE, SAINT-SIMON E A SOCIOLOGIA

2. 1. Isidore Auguste Marie François Xavier Comte (1798-1857): foi um filósofo francês que formulou a doutrina do Positivismo.

·         Ele é considerado como o primeiro filósofo da ciência no sentido moderno do termo.

·         Comte também é visto como o fundador da disciplina acadêmica de Sociologia.

2. 2. Claude-Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon (1760-18250: foi um filósofo e economista francês, um dos fundadores do socialismo moderno e teórico do socialismo utópico.

2. 3. Comte e Saint-Simon

- Em 1818, Comte tornou-se secretário particular de Saint-Simon, do qual assimila as ideias principais, ou seja, a necessidade de se criar uma nova ciência para restaurar a ordem social.

·         Comte começou a escrever e a desenvolver, junto com Saint-Simon, discussões sobre a industrialização, o capitalismo e o trabalho.

·         Aos poucos, suas ideias vão se tornando independentes, levando a uma ruptura, quando em 1824 escreveu Plano de trabalhos científicos necessários para organizar a sociedade, obra em que já propunha a necessidade da constituição de uma “física social” como fundamento da política positiva.

2. 4. A formação de Comte

- Comte, nascido no final do século XVIII, viveu toda a primeira metade do século XIX, período de crises e desordens sociais, consequências das desestruturações política e econômica provocadas pelas revoluções.

·         Aos 15 anos, ingressou na Escola Politécnica de Paris, fundada pelos revolucionários, em 1794, com o objetivo de formar a juventude com mentalidade científica e não religiosa.

·         Com a restauração da monarquia em 1816, Comte envolveu-se em vários acidentes com o novo governo e foi expulso da escola.

·         Não se relacionando muito bem com sua família, vive solitário, estudando e lendo os “ideólogos”, os teóricos da economia política, os historiadores e filósofos.

·         Um dos pontos principais do seu pensamento partiu da obra de Turgot, Plano de dois cursos sobre a história universal (1751), que vai ser a base da sua lei dos três estados.

2. 5. Comte e a ordem social

- O estado de anarquia intelectual e política, que se sucedeu à Revolução Francesa, impressionou profundamente o jovem Comte.

·         Com o desenvolvimento das ciências naturais, o pensamento do século XIX não se preocupava em procurar o porquê das coisas e em indagar-lhe a sua essência.

·         Na realidade a palavra de ordem era desprezar as causas inalcançáveis, dando prioridade à busca de leis, isto é, das relações constantes existentes entre os fenômenos sociais.

·         A ordem era observar na prática as mudanças das sociedades como um todo.

2. 6. Curso de Filosofia Positivista

- De 1830 a 1842 publicou a sua grande obra: Curso de Filosofia Positiva, em seis volumes.

·         Para ele o método positivo conduz a ciência como estudo dos fatos e suas relações, fatos que só são percebidos pelos sentidos exteriores.

·         Comte trabalha o positivismo que é um dogmatismo físico porque afirma a objetividade do mundo físico e um ceticismo metafísico porque não quer pronunciar-se acerca da existência da natureza dos objetivos metafísicos.

3. O PROTAGONISMO DE COMTE

- Auguste Comte (1798-1857): estruturou, entre os anos de 1830/1842, o Curso de Filosofia Positiva, essa estruturação veio a ser a base do pensamento sociológico.

·         Partindo de pressupostos presentes em outras áreas científicas (ciências duras) e em fatos históricos-sociais, Comte buscou explicações para as experiências vividas pelos indivíduos em sociedade.

·         Identificando e definindo leis gerais no âmbito social, o francês acreditava ser possível interferir nos destinos das sociedades.

4. FÍSICA SOCIAL

- Influenciado pelas ciências duras, Comte pensava a sociedade como um corpo físico regulado por leis gerais (ver: Física, Química e Biologia).

·         A filosofia positiva de Comte defendia uma intervenção na sociedade a fim de orientar as ações sociais de forma a permitir o desenvolvimento e o progresso da sociedade (Ordem e progresso).

·         Para Comte era perfeitamente possível a formulação de uma Física Social que viesse a se tornar uma ciência positiva

5. A LEI DOS TRÊS ESTADOS

- Imbuído do desejo de sistematizar as bases da Física Social, tornando-a uma ciência positiva, Comte definiu a Lei dos Três Estados.

·         Para o filósofo, as sociedades se desenvolviam em conformidade com três estados de evolução: Teológico, Metafísico e Positivo.

·         Estado Teológico (Infância da Humanidade) – nesse estado as sociedades são guiadas pelas crenças e tradições religiosas, dentro desse estado Comte distingue mais três etapas: fetichismo1, politeísmo e monoteísmo (Ex. Antiguidade, Idade Média etc.).

·         Estado Metafísico (Juventude da Humanidade) – nesse estado existe um maior protagonismo dos indivíduos, uma vez que há um maior desprendimento das pessoas em relação às tradições religiosas: abstração (Ex. Idade Média, Renascimento).

·         Estado Positivo (Maioridade da Humanidade) – nesse estado predomina o surgimento da ciência moderna (Revolução Científica, séculos XVI/XVII); o uso da razão/lógica científica para o equacionamento dos problemas humanos: conduta científica (Ex. Empirismo Indutivo/Dedutivo).

1Culto de objetos que se supõe representarem entidades espirituais e possuírem poderes de magia.

6. FILOSOFIA POSITIVISTA E SOCIOLOGIA

- Positivismo: Sistema criado por Augusto Comte que se propõe a ordenar as ciências experimentais, considerando-as o modelo por excelência do conhecimento humano.

·         A filosofia positivista não leva em consideração as especulações metafísicas ou teológicas.

·         O positivismo (comtismos), em sentido lato, é caracterizado pelo cientificismo, metodologia quantitativa e hostilidade ao idealismo.

·         Augusto Comte deu o nome de Ciência Social (Sociologia), o que outrora denominava de Física Social. 

7. A ORDEM E O PROGRESSO DO ESTADO

- A ciência positiva (Física Social/Sociologia) de Comte, desde o seu início, estava a serviço do Estado moderno.

·         As experiências revolucionárias do passado tinham deixado suas marcas na sociedade europeia.

·         A nova ciência proposta por Comte (Sociologia) serviria de instrumento estatal a fim de evitar novos transtornos.

·         O filósofo acreditava na necessidade e possibilidade de um consenso moral, uma coesão social.

·         Uma forma de equilíbrio a partir do lema: Amor, Ondem e Progresso.

8. DIVISÃO DA SOCIOLOGIA

- A tradição na literatura sociológica, modo geral, divide a sociologia em duas: Sociologia Geral e Sociologia Específica.

8. 1. Sociologia Geral

- Investiga os fatos, eventos e manifestos ao mesmo tempo formadores e formados pela vida social.

·         Por consequência desse espectro tão amplo ela aborda todos os fatores constituintes da vida em sociedade e analisa a correlação entre esses fatores.

8. 2. Sociologia Específica

- Concentra-se nas pesquisas cujas temáticas são bem definidas.

·         As correlações são circunscritas em esferas delimitadas por fenômenos sociais que possuem determinadas particularidades que as distinguem de outras tantas.

Ex. - A sociologia jurídica investiga a influência que o direito recebe do contexto social ao mesmo tempo em que pesquisa a influência do direito no comportamento dos indivíduos nesse mesmo contexto. Ocorre a mesma coisa com a religião, a comunicação etc.

9. O POSITIVISMO NO BRASIL

- A filosofia positiva de Comte marcou profundamente ao nascimento da República.

·         Os jovens da elite brasileira estudaram na Europa, sobretudo na França, onde foram influenciados pelas ideias positivistas.

·         Foi principalmente na área militar que as influências foram maiores. A Escola Militar do Rio de Janeiro, onde se formavam os oficiais brasileiros, era uma cópia da Escola Militar Francesa, dominada pelos positivistas.

·         Quando da Proclamação da República, os professores da Escola Militar, Benjamim Constant, Miguel Lemos e Teixeira Mendes, colocaram na bandeira brasileira os dois lemas do positivismo: ordem e progresso.

10. FRASES DE COMTE

- Saber para prever, a fim de poder.

- O progresso não é mais do que o desenvolvimento da ordem.

- Ninguém possui outro direito senão o de sempre cumprir o seu dever.

- O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim.

- O hábito da submissão constitui o primeiro requisito da ordem humana.

- O progresso é a lei da história da humanidade, o homem está em constante processo de evolução.

- Todos os bons intelectos têm repetido, desde o tempo de Bacon, que não pode haver qualquer conhecimento real senão aquele baseado em fatos observáveis.

11. CONCLUSÃO

- Podemos concluir que a Sociologia surgiu na França com as ideias de Auguste Comte para uma reordenação social, devido à instabilidade política deixada pelas revoluções, principalmente a Revolução Francesa.

·         As revoluções criaram fatores científicos, econômicos, políticos e sociais que mudaram a configuração social e a visão de mundo a partir da realidade europeia.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

TEMA I - O QUE É SOCIOLOGIA?

TEMA I - O QUE É SOCIOLOGIA?

Por: Claudio F. Ramos a partir de livros e da net. 04/01/2024. C@cau “:¬)

VÍDEO AULA: https://www.youtube.com/watch?v=Us4G-ui_uK0

1. INTRODUÇÃO

- A Sociologia busca compreender e representar as transformações ocorridas na sociedade moderna.

·         A Sociologia estuda a sociedade em termos dos fatos observados na sociedade e, eventualmente, em relação a outros conhecimentos (Filosofia Social, História, Geografia, Economia etc.)

- Augusto Comte (1798-1857) - de acordo com esse filósofo, a Sociologia deve usar todos os dados recolhidos pelas outras ciências de forma a sintetizá-los e a organizá-los.

- Herbert Spencer (1820-1968) - entendia que a Sociologia é uma espécie de superciência, que deve unificar e generalizar os conhecimentos feitos por outras ciências.

- Pitirim Sorokin (1889-1968) - para o russo a Sociologia é o que há de comum entre as outras ciências humanas particulares que estudam especificidades da sociedade; a Sociologia engloba e se relaciona com esses diferentes conhecimentos fazendo uso de rigor científico, profundidade de análise e sistemática observação.

2. ETIMOLOGIA DA PALAVRA

- Sociologia: é uma palavra formada a partir da junção de dois termos de origens latina e grega.

·         Socio – vem do latim socius que quer dizer sociedade.

·         Logia – vem do grego logus que significa estudo profundo/detalhado.

3. CONCEITUAÇÕES: SOCIEDADE E SOCIOLOGIA

- “A sociedade: é uma combinação de instituições, modos de relações, formas de organizações, normas etc., que constitui um todo interrelacionado no qual [se] vive determinada população humana”.

(Peter Sedgwick)

- “A Sociologia: é o estudo científico da vida humana, de grupos sociais, de sociedades inteiras e do mundo humano. Seu tema de estudo é o nosso próprio comportamento como seres sociais. O âmbito da sociologia é extremamente amplo”.

(Anthony Giddens)

- “A Sociologia: não se interessa pela estrutura do corpo humano, pelo funcionamento de seus órgãos, nem por seus processos mentais: interessa-se pelo que acontece quando o homem encontra o homem; quando seres humanos formam grupos ou massas, quando cooperam, lutam, dominam-se uns aos outros, persuadam-se ou imitam-se, desenvolvem ou destroem culturas. A unidade base de estudo sociológico nunca é um indivíduo, mas sempre, no mínimo, dois indivíduos de alguma forma relacionados entre si”.

(Nicholas S. Timasheff)

OBS: Definir a Sociologia apenas como “o estudo da sociedade” não esgota a questão.

·         A História, a Geografia, a Economia e a Filosofia também estudam a sociedade!

4. O SOCIAL ANTES DA SOCIOLOGIA

- Século XV: com o processo de fragmentação da sociedade feudal, novas relações sociais e de poder foram estabelecidas.

·         Conjunto de valores definidos a partir da desvinculação de tradições teocêntricas.

·         Valores que passam a ser definidos pelas perspectivas humanistas, ou seja, antropocêntricas.

·         Florescimento do capitalismo.

- Séculos XVII/XVIII: a produção intelectual desses períodos contribuiu para o questionamento do senso comum.

·         Modificação da percepção a respeito da sociedade.

5. A INFLUÊNCIA DAS REVOLUÇÕES

- As revoluções: causas do acelerado processo de transformação social.

·         Revolução Científica séculos XVI/XVII - A Revolução Científica ocorreu a partir das refutações das concepções aristotélicas. Dessa forma, as novas propostas questionavam os dogmas as visões essencialistas que propunham explicações a partir dos princípios da matemática.

OBS: A Revolução Científica contou com a participação de: Galileu Galilei (1564-1642); Johannes Kepler (1571-1630); René Descartes ((1596-1650); Isaac Newton (1642-1727); Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) etc.

·         Revolução Gloriosa 1688 - A Revolução Gloriosa ocorreu em 1688 e foi uma das etapas da Revolução Inglesa, além de ter sido responsável pela queda do absolutismo na Inglaterra. A monarquia absolutista inglesa transformou-se em uma monarquia constitucional, que consolidou o domínio da burguesia na Inglaterra.

·         Revolução Industrial 1760 - A Primeira Revolução Industrial refere-se ao processo de evolução tecnológica vivido a partir do século XVIII na Europa Ocidental, entre 1760 e 1850, estabelecendo uma nova relação entre a sociedade e o meio e possibilitando a existência de novas formas de produção que transformaram o setor industrial. A Revolução Industrial foi o período de grande desenvolvimento tecnológico que teve início na Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII e que se espalhou pelo mundo, causando grandes transformações. Ela garantiu o surgimento da indústria e consolidou o processo de formação do capitalismo.

·         Independência dos EUA 1776 - A independência dos Estados Unidos foi declarada em 4 de julho de 1776 e reconhecida pelos ingleses em 1783, após cinco anos de guerra. A independência foi resultado do choque de interesses entre colonos e ingleses.

·         Revolução Francesa 1789 - A Revolução Francesa foi o ciclo revolucionário, ocorrido entre 1789 e 1799, responsável pelo fim dos privilégios da aristocracia e pelo término do Antigo Regime. A Queda da Bastilha aconteceu em 14 de julho de 1789 e foi o marco que espalhou a revolução pela França.

6. A INFLUÊNCIA FILOSÓFICA

- Francis Bacon (1561-1626): segundo o filósofo inglês, o século XVII norteou o esgotamento do pensamento religioso em razão da legitimação da dúvida metódica.

·         Consagração do conhecimento objetivo, deferente do contemplativo e/ou teorético, fundado na razão científica.

·         Instauração da observação, experimentação e indução como elementos estruturantes.

OBS I: Bacon é o autor da famosa e controversa frase- “Saber é poder”.

OBS II: Bacon idealizou uma cidade utópica, a Nova Atlântida, totalmente administrada pelo poder da ciência e da tecnologia.

·         Na época não havia os meios tecnológicos para implementar esse desejo.

- Giambattista Vico (1668-1744): no século XVIII o filósofo italiano propôs que a sociedade poderia ser conhecida, estudada, compreendida pelos indivíduos.

·         Para Vico a sociedade é um construto científico, ou seja, um fenômeno com possibilidades de possuir definições claras, fundamentadas em embasamentos empíricos.

OBS: Construto designa em ciência um conceito teórico não observável diretamente. Exemplos de construtos são personalidade, amor, medo. Tais conceitos são usados na linguagem comum, mas para se tornarem um construto científico necessitam de uma definição clara e de um embasamento empírico.

7. VIDA RURAL E URBANA

- Com as mudanças ocasionadas pelas revoluções o homem moderno o processo de urbanização intensificou-se.

·         Na vida rural o indivíduo estava mais submetido à natureza.

·         Havia um tempo certo para todas as coisas: arar, semear e colher.

·         Na vida urbana as pessoas têm a impressão de domínio da natureza.

·         O tempo (dia/noite), os espaços (privado/público) e as condições (tecnologias). 

8. ABORDAGENS SOCIOLÓGICA

- A sociologia, assim como as outras ciências, confronta o senso comum, com isso contribui para a qualificação do debate sobre temas sociais variados.

·         Origem étnica e racismo.

·         Diferenças socioeconômicas.

·         Questões de gênero e heteronormatividade.

·         Estrutura familiar: tradicional e progressista

·         Sincretismo religioso e intolerância de credo.

·         Modalidades de violência e a marginalização social.

·         Misoginia, Misandria, Homofobia, Pedofilia etc.

9. TEORIA SOCIOLÓGICAS

- Apesar das grandes diferenças existentes entre as teorias sociológicas, há algumas perguntas a que todas elas procuram responder:

·         O que são sociedade e cultura?

·         Quais são as unidades básicas da sociedade e da cultura e como elas devem ser estudadas?

·         Qual é a relação entre sociedade, cultura e personalidade dos seres humanos?

·         O que é a Sociologia e quais são os seus métodos?

10. O HOMEM INSTITUCIONALIZADO

- Embora o indivíduo desfrute de liberdade, o Estado/Sociedade, os modos de relações e as formas de organizações lhe são anteriores.

·         Essas circunstâncias exercem sobre ele uma força ordenadora, disciplinadora, sem as quais ele seria incapaz de viver em sociedade.

11. O SUJEITO E O OBJETO DE ESTUDO

- Na maior parte das vezes o sociólogo está diretamente envolvido com o seu objeto de estudo (os fenômenos sociais) e, em razão disso, precisa se distanciar um pouco a fim de:

·         Olhar parcialmente o fenômeno social.

·         Definir os conceitos de forma adequada.

·         Se posicionar criticamente diante daquilo que muitos definem como verdade.

12. SOCIOLOGIA E A INTERVENÇÃO SOCIAL

- Em busca de melhorias a Sociologia deve e/ou pode fazer intervenções sociais?

·         Alguns autores clássicos acreditavam ser dever e função da Sociologia buscar a transformação da realidade em um modelo de sociedade mais justa e inclusiva.

·         Augusto Comte (1798-1857) e Karl Marx (1818-1883) apesar de divergirem quanto ao modo de intervenção, entendiam a sociedade como uma forma de organismo vivo propício a mudança/evolução.

·         Comte desejava uma espécie de harmonização social ao passo que Marx laborava por uma revolução social

·         Comte entendia que a Sociologia poria fim a era das revoluções na sociedade, Marx entendia que a reflexão social poria fim, por maio da revolução, as injustiças sociais.

13. CONCLUSÃO

- Sociedade é um todo complexo e móvel.

·         Reflexo da dinâmica de relações sociais globais.

·         Erguida a partir de uma estrutura de poder político e econômico.

·         Capaz de influenciar as ações individuais.

 

 

 

 

sábado, 9 de dezembro de 2023

POR QUE TANTA MÚSICA RUIM?


É interessante perceber o condicionamento total da maioria das pessoas que buscam entretenimento no mundo da música (produtores, cantores e ouvintes). A maioria se comporta exatamente como a Indústria Cultural espera que o façam; só que, para a nossa tristeza, não sabem disso. Ou será que sabem e fingem que não sabem? Faça um teste! Se você estiver ouvindo uma música que possua um mínimo de qualidade, principalmente no quesito letra, ou seja, sem choradeiras, lamentações infindáveis e deprimentes; sem repetições exaustivas (quando 99,99% da música é só refrão); sem estigmatização de gênero e/ou de sexo (principalmente a reificação feminina) e sem barulheira (onde o interprete grita mais do que efetivamente canta) etc., alguém logo vai lhe dizer, tira essa música aí; coloque uma mais animada (por animada entende-se o que está na boca do povo: sucesso, bombando, estourado etc.). Todavia, se essa mesma música, “antiga, “chata”, “desanimada” e “lenta” for gravada por um(a) cantor(a) que canta os ritmos do “sucesso” (forró eletrônico, sertanejo, pagode, funk, brega, sofrência etc.) não haverá reclamações; ao contrário, todos cantarão, dançarão e pedirão bis (se aparecer na novela ou em um desses programas de auditório dominicais, aí o sucesso será maior ainda).  Afinal de contas, era a música que não era boa (antes de ter sido regravada pelos mágicos do sucesso) ou era o ritmo que não estava adequado as necessidades acríticas, imediatistas e fúteis da maioria das pessoas dessa atual geração? Quem tiver bola de cristal que responda! Como diria um personagem de Ariano Suassuna, em sua obra O auto da compadecida, “como eu sofro João”. C@cau”:¬)09/12/2023  

MEIO AMBIENTE E SOCIOLOGIA

  MEIO AMBIENTE E SOCIOLOGIA Por: Claudio Ramos, a partir de livros e da IA. C@cau “:¬)10/10/2026 INTRODUÇÃO - Compreender a relação e...