quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

A DEMOCRACIA CONTEMPORÂNEA E A RECONFIGURAÇÃO DE ANTIGAS CRISES

 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES

DISCIPLINA:

SEMINARIO TEMATICO DE POLÍTICA I

PROFESSOR:

MATEUS VENCESLAU MARREIRO

DISCENTE:

CLAUDIO FERNANDO RAMOS

ATIVIDADE:

ENSAIO

TÍTULO:

A DEMOCRACIA CONTEMPORÂNEA

E A RECONFIGURAÇÃO DE ANTIGAS CRISES

1.0 - INTRODUÇÃO

            O propósito desse ensaio é o de recolher “amostras” / “recortes” (samples) de determinados trechos de obras filosóficas e/ou sociológicas a fim de poder compreender melhor alguns fatores políticos que, ao longo dos anos, têm ocorrido no âmago da democracia brasileira. Historicamente, sabemos que a nossa democracia ainda é por demais infante; entendemos que essa condição temporal cria uma dificuldade extra para todos aqueles que pretendem fazem uma análise coerente e significativa da mesma. Tudo ainda é muito recente e imprevisível; e, como se não bastasse, estamos envolvidos no processo; ou seja, residimos no “olho do furacão”. Não há um necessário distanciamento temporal, nem geográfico, que nos permita fazer uma abordagem mais holística e “imparcial” dos fatos sobre os quais pretendemos abordar. Guardada as devidas proporções, é o mesmo que desejar enxergar toda Via-Láctea a partir de um telescópio no Deserto do Atacama. Por mais que se esteja em um local privilegiado e o instrumento de aferição seja de excelente qualidade, ainda assim a tarefa é inexequível. Por isso, o ato de samplear, expressão inglesa que envolve recortar e modificar trechos de músicas para criar melodias novas, nos servirá de método primário. Através do sampleamento (sampling), pretendemos extrair amostra de vários contextos diferentes para tentar, a partir deles, compreender parte da democracia contemporânea em nosso país e, por fim, como antigas crises, próprias do “jogo democrático”, retornam, reconfiguradas, de tempos em tempos. Diante de tudo isso, achamos prudente enfatizar que o presente texto, longe de ser um artigo científico, está mais para um exercício literário, onde proposições serão apresentadas sem que, no entanto, sejam tomadas como verdades monolíticas, ou seja, absolutas e inquestionáveis. 

2.0 - DESENVOLVIMENTO

2.1 – PODER, LEGITIMIDADE, RECONFIGURAÇÃO DOS CLÁSSICOS

            Daremos início as nossas considerações a partir da obra: Como as democracias morrem (Levitsky; Ziblatt, 2018). Obra essa que, no seu capítulo de número quatro (Subvertendo a Democracia), nos apresenta reflexões sobre algumas fragilidades presentes nas instituições democráticas contemporâneas; fragilidades ocasionadas por líderes, movimentos e ideologias que, pontualmente e isoladas, não são capazes de romper abruptamente com o sistema político vigente; mas que, no entanto, o fazem paulatinamente, corroendo-o de dentro para fora.

            Tomando esse fato como referência, começaremos por fazer uma espécie de diagnóstico das três últimas grandes crises políticas do Brasil, a saber: o questionamento das urnas eletrônicas por intermédio de Aécio Neves em 2014, o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e a atual e intensa polarização política entre dois atores do cenário político nacional: Lula e Jair Bolsonaro (tentativa de golpe em 08 de janeiro 2023).

            Elencarmos esses três episódios da história política nacional, porque estamos convencidos de que as inúmeras crises dentro do sistema democrático estão muito longe de serem fenômenos inéditos e isolados, mas sim, reconfigurações de dilemas clássicos sobre as múltiplas formas do exercício do poder político (ética, legitimidade, autoridade etc.). Temas como esses, já foram largamente pensados e discutidos por filósofos como: Nicolau Maquiavel (1469-1527), em O príncipe (2010), e Thomas Hobbes (1588-1979), em Leviatã (2003). Sem ter que ser muito imaginativo, acreditamos que as tensões contemporâneas da política brasileira nos remetem às tradições clássicas da origem da sociedade civil em Hobbes 2003 e a razão de Estado (racionalismo político) em Maquiavel 2010. Segundo esses filósofos, um determinado tipo de Estado (sociedade civil) pode ter suas relações institucionais fortalecidas ou corrompidas, tudo irá depender, em larga medida, do tipo de relação de poder nele contido. Em razão disso, de maneira análoga ao que disse os antigos, acreditamos que situação semelhante se dá com os sistemas democráticos de inúmeros países contemporâneos; ou seja, as democracias morrem ou se enfraquecem, não por rupturas abruptas, mas pela corrosão paulatina da legitimidade institucional a da confiança pública (Levitsky e Ziblatt, 2018).

2.2 - SUBVERSÃO DEMOCRÁTICA E A LÓGICA DO PODER

            De acordo com os autores Levitsky e Ziblatt (2018), a subversão democrática contemporânea raramente ocorre por meios de golpes militares clássicos; aqueles perpetrados por Generais, comandantes supremos dos Exércitos etc.; ao contrário, na maioria das vezes ela manifesta-se pela cooptação das instituições legítimas, por intermédio de líderes eleitos democraticamente. Essa legitimidade conquistada nas urnas, é, muitas vezes, utilizada contra a própria legitimidade do sistema democrático; ou seja, tentasse mudar a regra do jogo bem no meio da partida. Com isso, minam-se as normas formais e informais da convivência política. Alguém disse que a democracia seria a arte de viver com os contrários; todavia, no caso da subversão, parece que isso não voga. Aquele que subverte, deseja homogeneizar o poder e, ao fim de tudo, governar com os pares, sem oposições e contraditórios. Vejamos o caso de um dos candidatos à Presidência da República em 2014. Os questionamentos levantados pelo presidenciável Aécio Neves acerca da lisura do processo eletivo, transparência das urnas eletrônica etc., inaugurou um ciclo de deslegitimação eleitoral que fragilizou a confiança de inúmeras pessoas na política como espaço de disputa civilizada pelo poder (Veja, 2023). Esse descrédito de Aécio Neves possibilitou o aparecimento de brechas para a normalização de futuros discursos autoritários e atuais radicalizações por parte de partidos políticos e seguimentos específicos da sociedade civil. Indo aos clássicos, mas especificamente em Nicolau Maquiavel (1469-1527), encontramos uma certa afinidade com o que aconteceu no Brasil em 2014 e o que ele escreveu em sua obra O príncipe. Ao tratar da manutenção do poder, o italiano disse que o governante deve compreender os humores do povo e das elites, utilizando os meios necessários, inclusive a força e o engano, para conservar o Estado. Vendo por esse ângulo, a política não deve ser encarada como espaço para utopias e éticas transcendentes, mas sim como campo de cálculo (racionalismo político) e pragmatismo utilitarista. Podemos concluir, a partir de Maquiavel, que a crise na lisura do pleito, suscitada por Aécio Neves, não deve ser reduzida apenas a má conduta de um cidadão que não soube perder, mas sim, como fruto de uma luta constante, pela manutenção do poder, em um território volátil onde a moral das ações e a eficácia dos objetivos se tensionam initerruptamente.

2.3 - O IMPEACHMENT E A EROSÃO DAS NORMAS DEMOCRÁTICAS

            Os cientistas políticos afirmam que quando o impeachment é desviado de sua função original, o de afastar o mal gestor das prerrogativas do poder, e passa a ser utilizado de maneira que compromete a estabilidade e a previsibilidade das regras do “jogo político”, ele, ao invés de corrigir injustiças, torna-se instrumento para a injustiça (erosão democrática); ou seja, ele passa a predar o próprio sistema que, ao menos em teoria, deveria preservar. Para muitos brasileiros, o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e a posterior ascensão de Michel Temer à Presidência da República, evidenciam esse tipo de predação do sistema democrático brasileiro. Um dos movimentos que permite a subversão democrática, segundo Levitsky e Ziblatt (2018), é o uso de instrumentos legais para fins ilegítimos. Segundo uma revista especializada em política e economia, algum tempo depois dos fatos, o próprio Michel Temer reconheceu que o afastamento da presidenta, como ela gostava de ser chamada, decorreu, em larga medida, da recusa dela em apoiar o programa Ponte para o futuro (conjunto de reformas econômicas neoliberais); ou seja, a destituição presidencial foi, antes de tudo, uma disputa por determinado projeto de poder (Carta Capital, 2023).

            O impeachment de Dilma Rousseff expôs algumas das muitas fragilidades do sistema democrático brasileiro, embora não o tenha destruído, essa segunda grande crise, apresentamos o Aécio Neves como tendo sido o causador da “primeira”, o tornou um poco mais vulnerável. A desconfiança, plantada em 2014, estava dando, já em 2016, o seu primeiro grande fruto, e ele foi bem amargo: tornou-se comum, na política brasileira, ser intolerante com os que discordam. Passou a haver uma certa reconfiguração do campo político, principalmente no que diz respeito as alianças políticas; uma espécie de utilitarismo ideológico, exacerbado e unilateral tornou-se paradigma para ações dos atores e dos partidos políticos. Essa reconfiguração, ao menos figuradamente, nos faz lembrar da lógica hobbesiana, quando ele discorre sobre o poder soberano. Para Hobbes (2003, p.117), o Estado é consequência de um pacto racional que surge para evitar o “estado de natureza” (um estado hipotético). Nesse hipotético estado, o homem, diferentemente do que disse um certo filósofo de Estagira1, é o seu maior inimigo, lobo de si mesmo; dito de outra maneira, o homem é egoísta por natureza e não tem prazer na convivência como seu semelha.  Analogamente, quando a confiança na autoridade se dissolve, as instituições se tornam palco de competição destrutiva, e a política pode degenerar em guerra de uns contra os outros (governo despótico, guerra civil, ideologias sectaristas etc.). Para aqueles que não viram um impeachment, instrumento legal da regra do jogo político, mas sim um golpe da democracia contra ela mesma ou, melhor ainda, um golpe sem o fim da democracia, conscientemente ou não, entendem que o afastamento ilegítimo da presidenta marcou a ruptura do pacto civil que sustenta a legitimidade democrática, evidenciando uma espécie de retorno simbólico ao estado de natureza hobbesiano: todos contra todos.

1Aristóteles (384-322 a. C.) disse que o homem é um animal político (ou zoon politikon) em sua obra "A Política". O filósofo foi o primeiro a trazer o conceito de ética na política e via o Estado como natural e único. Nesta obra, Aristóteles reflete como as instituições poderiam promover o desenvolvimento e a felicidade coletiva, discutindo em profundidade as formas de governo e os mecanismos que organizam a sociedade.

2.4 - A POLARIZAÇÃO E A TENTATIVA DE RETORNO AO AUTORITARISMO

            A incompreensível e inaceitável polarização política envolvendo a pessoa do Lula (atual Presidente da República) e a pessoa do Bolsonaro (ex-Presidente da República) radicalizou de vez o cenário político brasileiro; que já vinha claudicante, como já dissemos, desde 2014. A disputa eleitoral de 2022 foi transformada em confronto moral entre duas forças antagônicas: o “bem” e o “mal. Essa perspectiva maniqueísta do mundo, não constitui nenhuma novidade; já no século III d.C, lá para os lados da antiga Babilônia, atual Iraque, um certo profeta de nome Mani (ou Maniqeu) já propalava uma determinada doutrina filosófica/religiosa sobre a dicotomização das coisas existentes. No entanto, no cenário político nacional, as coisas ganharam proporções hiperbólicas; imaginamos o que Mani pensaria sobre isso, se vivo estivesse. Esse maniqueísmo político-institucional comprometeu os fundamentos da República Democrática, viciou as mediações institucionais e, por fim, ensejou a criação de um ambiente “propício” para a tentativa de um golpe em 08 de janeiro de 2023. Nessa data, grupos enviesados por ideologias da extrema direita (bolsonarismo) atacaram as sedes dos três poderes em Brasília (BBC, 2023) e tentaram, “jogando dentro das quatro linhas”, pôr fim a existência da infante democracia brasileira. Levitsky e Ziblatt (2018) denominam esse fenômeno da seguinte maneira: erosão normativa. Para eles, isso ocorre quando o respeito pelas regras democráticas cede espaço à lógica da eliminação do adversário. Mais uma vez, retornando aos clássicos, Maquiavel e Hobbes oferecem chaves de leitura distintas, mas complementares para a nossa tentativa de compreensão da política contemporânea brasileira. A filosofia de Maquiavel afirma que a estabilidade depende da virtú (capacidade) do governante, ou seja, da sua habilidade de agir segundo as circunstâncias e manter o controle da fortuna (sorte, o imponderável). Quanto ao Hobbes, sua filosofia sustenta que somente a força coercitiva do Leviatã (o poder do Estado) seria capaz de conter a desordem. Atualizando essas duas perspectivas, percebesse que a nossa República, apesar de ter se mantido firme diante das intempéries políticas, demonstra uma certa ausência das prerrogativas necessárias apontadas pelos filósofos. Nossos líderes têm se mostrado incapazes de sustentar o consenso político e nossas instituições, ao invés de força (não deixamos de reconhecer que existem pontuais e importantes exceções), têm se mostrado frágeis e lenientes quando fazem uso da autoridade legítima. Sendo assim, acreditamos que sem o fortalecimento das instituições democráticas, sem a busca pelo diálogo, necessário para o consenso político, e sem o fomento do pleno exercício da cidadania, a porta permanece aberta para futuras e temerárias crises democráticas; não se sabe ao certo quando, como, nem os porquês de novos confrontos políticos, mas, diante do quadro atual, é possível prever que eles virão.

Nesse breve ensaio, tentamos demonstrar que a crise da democracia é eminentemente uma crise de legitimidade; pois o poder desprovido de confiança pública, perde seu fundamento ético e simbólico. Os três fatos recentes da história política nacional elencados por nós, ocorridos em: 2014, 2016 e 2023, nos levam a crer que, em nosso país, a democracia do amanhã terá que aprender a conviver e a superar a reconfigurações de antigas crises democráticas.

3.0 - CONCLUSÃO

            As crises políticas brasileira dos últimos anos: questionamento das urnas 2014, impeachment 2016, polarização (até hoje) e tentativa de golpe 2023, revelam que a democracia contemporânea enfrenta velhos dilemas sob novas formas. Levitsky e Ziblatt (2018) foram felizes ao afirmarem que as democracias morrem lentamente, corroídas por dentro, pela perda da confiança mútua e pelas manipulação das normas. Todavia, como também foi o nosso objetivo demonstrar, essa degradação do sistema não é necessariamente um fenômeno inédito; o que ocorre de fato é uma reatualização das tensões, abordada pelos clássicos (Maquiavel e Hobbes), entre poder, legitimidade e autoridade.

            O italiano advertiu que a política exige do governante prudência e força; ao passo que o inglês ensinou que o poder legítimo (nascido do contrato) deve garantir a paz e evitar o caos (silenciar o lobo em cada um). O Brasil, conscientemente ou não, parece ignorar essas orientações. Nem assegura a estabilidade institucional, os poderes instituídos divergem internamente e externamente (apresentam uma grande dificuldade na construção de consensos), nem reconstrói a legitimidade simbólica do poder (há uma desconfiança generalizada nas instituições públicas). Há quem esteja procurando um culpado para tudo isso, uma causa, uma verdade (o bem e o mal), mas talvez não haja verdade alguma, só uma incontrolável vontade de tê-la. Nós também não temos respostas; mas, ao menos momentaneamente, tornaremos nossa as palavras do compositor que diz nos versos da canção:

Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem

(Umberto Gessinger, 1988)


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

VEJA. Aécio, que questionou urna eletrônica, vai debater volta do voto impresso. 2023. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/maquiavel/aecio-que-questionou-urna-eletronica-vai-debater-volta-do-voto-impresso/ Acesso em: 10/11/2025

BBC. 8 de janeiro: entenda o que motivou e como foi a invasão dos prédios dos três poderes em Brasília. 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1kvvdpl0m3o

ARTA CAPITAL. Temer: impeachment ocorreu porque Dilma recusou Ponte para o Futuro. 2023. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/politica/temer-impeachment-ocorreu-porque-dilma-recusou-ponte-para-o-futuro/

HOBBES, Thomas. Leviatã. Trad. João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 117.

LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.

MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Trad. Maria Júlia Goldwasser. São Paulo: Martins Fontes, 2010. p. 59.

SOMOS QUEM PODEMOS SER – Engenheiros do Hawaii 2018. Disponível em: https://www.letras.mus.br/engenheiros-do-hawaii/12899/. Consultado em 27/11/2025

 

domingo, 30 de novembro de 2025

FLAMENGO: SE NÃO FOR O SEU PRIMEIRO É O SEU SEGUNDO TIME!


FLAMENGO:

SE NÃO FOR O SEU PRIMEIRO É O SEU SEGUNDO TIME!

Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬)30/11/2025

Ontem (29/11), ao sagrar-se Tetracampeão da Libertadores, o Clube de Regatas do Flamengo, evidenciou algumas situações peculiares na história da competição:

- Primeira e mais evidente, o Flamengo tornou-se o primeiro clube brasileiro tetracampeão da competição.

- Segunda, o país passou a ter sete conquistas consecutivas (um recorde na história do torneio).

- Terceiro, os clubes do país (juntos) igualaram o número de conquistas com os clubes argentinos; que, desde a década de sessenta, eram hegemônicos na competição.

- Quarto, a Libertadores da América tornou-se uma espécie de “Campeonato Carioca” uma vez que há quatro anos só os times do Rio de Janeiro vencem a competição: Flamengo em 2022; Fluminense em 2023; Botafogo em 2024 e Flamengo novamente em 2025.

 

Por essas coisas, além de outras tantas, nós afirmamos que o Flamengo, se não for o primeiro, é, seguramente, o segundo time de todo brasileiro! O que sustenta o a nossa proposição?

- Primeiro, o país, fora do eixo Rio-São Paulo (com algumas exceções) está cheio de times sem projeção nacional e internacional; essa dura realidade, como todos sabemos, cria anomalias como as que ocorrem nas Regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste do país. Ou seja, os times locais mobilizam menos torcedores do que as equipes que se encontram no eixo Rio-São Paulo (em Natal-RN, por exemplo, quase não se vê mais camisas do América e do ABC nas ruas da cidade).

- Segundo, a mídia, as polêmicas, os favorecimentos, a torcida, as conquistas e a história do Flamengo sempre o colocaram no olho do furacão da opinião pública brasileira (para o bem ou para o mal).

- Terceiro, amado por uns e odiado por muitos, o Flamengo é o tipo de clube pelo qual não se dá para ficar em cima do muro! Aqueles que não cantam as suas conquistas, fazem questão de evidenciarem as suas tragedias; e, ao fazê-lo, o fazem com tanta paixão que beira o irracionalidade bestial (algo quase animalesco). No entanto, em larga medida, é disso que se alimenta o futebol (passionalidades humanas: amor e/ou ódio).

 

Eu, como você já sabe, tricolor das Laranjeiras, sem negar a minha condição, congratulo a equipe do Flamengo. Um clube com uma histórias para contar, não importando o fato se essa história serve para fazer uns rirem e/ou muitos outros chorarem! O fato é: essa história, gostem disso ou não, está sendo contada!

 

Parabéns ao Flamengo (pela quarta vez intercalada, a Libertadores é dele), parabéns a cidade do Rio de Janeiro (pela quarta vez seguida, a Libertadores é sua) e parabéns ao Brasil (pela sétima vez seguida, a Libertadores é nossa)! C@cau “:¬)30/11/2025

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

CONSCIÊNCIA NEGRA OU HUMANA?

 CONSCIÊNCIA NEGRA OU HUMANA?

Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬)20/11/2025

Algumas pessoas me abordam com o seguinte questionamento: “Ao invés de uma Consciência Negra, não deveríamos lutar para promover uma Consciência Humana?” Promissora essa proposta, não posso negar; no entanto, muito pouco prática. Para pessoas que reproduzem essa ideia eu formulo a seguinte pergunta: Ao invés de gastarmos trilhões e trilhões com armamentos, exércitos e policiamentos ostensivos, não seria muito mais coerente e humano investirmos nas religiões e na produção de livros sagrados, a fim de ensinarmos as pessoas a se amarem reciprocamente no mundo todo? Muito auspicioso, não é mesmo? No entanto, assim como a primeira pergunta, essa segunda proposição é também muito utópica, idealista e romântica; com pouca ou até mesmo nenhuma função prática. Sendo assim, enquanto o amor ao próximo não se efetiva em nossas vidas, é bom que cada um saiba e possa se defender coletiva e individualmente; e, igualmente, enquanto a Consciência Humana não chega, me deixem viver a minha Consciência Negra! Ela não muda tanta coisa assim, no entanto, me permite saber, eu que fui roubado de minha história ancestral, quem sou, de onde vim e, o que é melhor, onde quero chegar! Valeu Zumbi, Zumbi valeu!!! C@cau “:¬)

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

ZUMBI ESTÁ NAS RUAS!

 ZUMBI ESTÁ NAS RUAS!

Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬)19/11/2025

O herói, o guerreiro, o super-homem etc., acreditei nessas coisa só enquanto ainda criança; foi lúdico, por isso foi útil. Hoje, adequado à vida adulta, não acredito mais; menos mal. Tornar-me adulto, me fez perceber que homens e mulheres, independentemente do que dizem sobre eles, são apenas humanos. Diferem-se, é verdade, quanto às escolhas que fazem na vida; mas, ainda assim, humanos; "demasiadamente humanos", diria Nietzsche. Essa humanidade, minimizada e/ou potencializada, acaba por marcar, positiva ou negativamente, a vida pessoal e, às vezes, a vida social das pessoas. É o caso de Zumbir dos Palmares, por exemplo. É bem provável que ele mesmo não fizesse a menor ideia da magnitude das suas ações. Hoje, na condição de motivador das consciências alheias, o que ele fez, figura como exemplo a ser comemorado, seguido e/ou refletido por muitos. É bem verdade que em nossos dias, o opressor já não tem o mesmo rosto do passado; nem o local da dor, tem o mesmo nome, nem possui o mesmo endereço; todavia, a luta pela identidade, representatividade e dignidade humana continua sendo travada no interior dos ringues da vida.  Lutar contra as reconfiguradas tiranias da existência é dever de todo ser humano! As múltiplas dificuldades da vida não pedem por heróis, elas clamam por homens e mulheres que não se furtam a ser, ainda que isso pareça pouco, exatamente aquilo que nasceram para ser: seres humanos! Se fizermos isso, Zumbi voltará às ruas e todos os dias serão dias, não de um, mas de incontáveis e magníficos Zumbis. Valeu Zumbi; Zumbi valeu! C@cau “:¬)

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

REVISÃO ENEM 2025

 REVISÃO DE VESPERA - ENEM 25

FILOSOFIA/SOCIOLOGIA

Organizado por: Claudio Ramos, C@cau ":¬)30/10/2025

Gabarito: 1 B, 2 B, 3 C, 4 C, 5 D, 6 C, 7 C, 8 D.

 Tema: Os clássicos da Sociologia

1. Leia o trecho a seguir:
"A divisão do trabalho, ao se acentuar, não provoca apenas uma especialização das tarefas, mas a diferenciação dos indivíduos e a formação de grupos sociais cada vez mais heterogêneos. [...] Para Durkheim, essa especialização e diferenciação criavam novos tipos de laços sociais, gerando uma nova forma de solidariedade."

A partir da leitura, a solidariedade descrita por Émile Durkheim, que caracteriza a coesão social em sociedades complexas, é a
A) mecânica, baseada na igualdade e na consciência coletiva forte.
B) orgânica, fundamentada na interdependência e na diferença entre os indivíduos.
C) tradicional, resultado da tradição e de laços familiares.
D) afetiva, originada das relações emocionais e irracionais.
E) de classe, gerada pela luta entre burguesia e proletariado.

Comentário: A solidariedade orgânica, segundo Durkheim, é o tipo de coesão social que predomina nas sociedades modernas e complexas, com alta divisão do trabalho. Nela, a interdependência entre os indivíduos, que se especializam em diferentes funções, gera a coesão social, como em um organismo vivo, onde cada órgão tem uma função específica para o bom funcionamento do todo. Já a solidariedade mecânica é típica de sociedades pré-modernas, onde a coesão se dá pela semelhança entre os indivíduos (consciência coletiva forte).

Tema: Estratificação social

2. Para Karl Marx, a sociedade capitalista é estratificada principalmente em duas classes sociais antagônicas, cujas posições são definidas pela posse ou não dos meios de produção. Essa relação de desigualdade gera um conflito inerente ao sistema.

De acordo com o pensamento marxista, as duas classes sociais antagônicas são:
A) Clérigos e nobres.
B) Burguesia e proletariado.
C) Nobres e servos.
D) Classe alta e classe baixa.
E) Senhores e escravos.

Comentário: Marx divide a sociedade capitalista em duas classes principais: a burguesia, que detém os meios de produção (fábricas, terras, etc.), e o proletariado, que detém apenas sua força de trabalho e a vende em troca de salário. O conflito entre essas duas classes, a chamada luta de classes, é o motor da história para o sociólogo.

Tema: Indústria cultural

3. Na perspectiva da Escola de Frankfurt, o termo "indústria cultural" é utilizado para descrever um fenômeno no qual a cultura é produzida e distribuída em massa, como uma mercadoria. Esse processo visa padronizar o gosto e os comportamentos dos indivíduos, inibindo a capacidade de pensamento crítico.

Considerando o conceito de indústria cultural, qual das seguintes ações exemplifica sua lógica?
A) A valorização da cultura popular e tradicional.
B) A produção de filmes de arte independentes e de baixo orçamento.
C) A criação de músicas e filmes com fórmulas repetitivas e previsíveis.
D) O apoio a manifestações artísticas que promovem a diversidade e a crítica social.
E) A difusão de conteúdos culturais que questionam o consumismo.

Comentário: A indústria cultural, segundo Adorno e Horkheimer, produz bens culturais em série e de forma padronizada, com o objetivo de gerar lucro e manter o controle social. A criação de filmes e músicas com fórmulas repetitivas e previsíveis serve para garantir o sucesso comercial, ao mesmo tempo em que reduz a capacidade crítica do público, acostumando-o a consumir produtos culturais sem questioná-los.

Tema: Cidadania

4. O sociólogo T. H. Marshall, em sua obra Cidadania, classe social e status, analisa a cidadania como um conjunto de direitos que se desenvolveu historicamente em três dimensões inter-relacionadas: civil, política e social.

De acordo com a teoria de Marshall, um exemplo de direito social é:
A) O direito à liberdade de expressão e de ir e vir.
B) O direito ao voto e de ser votado.
C) O direito à educação e à saúde pública.
D) O direito à propriedade privada.
E) O direito a um julgamento justo.

Comentário: Segundo Marshall, os direitos sociais são aqueles que garantem um mínimo de bem-estar e segurança econômica a todos os cidadãos, como a saúde, a educação e a aposentadoria. Eles se desenvolveram após os direitos civis (século XVIII) e políticos (século XIX).

Tema: Movimentos sociais

5. Os movimentos sociais são ações coletivas que visam promover, impedir ou resistir a mudanças sociais em uma sociedade. Eles podem ser classificados de diversas formas, de acordo com seus objetivos, como a luta por direitos, por identidade ou por questões ambientais.

Um exemplo de movimento social que tem como principal objetivo a luta por direitos civis e o reconhecimento de identidades específicas é o:
A) Movimento dos trabalhadores rurais sem-terra (MST).
B) Movimento sindical.
C) Movimento estudantil.
D) Movimento feminista.
E) Movimento ambientalista.

Comentário: O movimento feminista é um exemplo clássico de movimento social que luta por direitos civis e pelo reconhecimento de identidades específicas, no caso, a igualdade de gênero. Enquanto outros movimentos citados se concentram em questões de classe (MST e sindical) ou de forma mais ampla (estudantil e ambientalista), o feminismo se dedica especificamente às questões de gênero.

Tema: Ação social (Weber)

6. Para Max Weber, a Sociologia deve ser uma ciência compreensiva, capaz de entender o sentido da ação social individual para, a partir daí, interpretar os fenômenos sociais. Ele categoriza a ação social em quatro tipos ideais: racional com relação a fins, racional com relação a valores, afetiva e tradicional.

O ato de um estudante se dedicar intensamente aos estudos, visando obter uma boa nota no Enem para ingressar em uma universidade, é um exemplo de ação social do tipo:
A) Afetiva.
B) Tradicional.
C) Racional com relação a fins.
D) Racional com relação a valores.
E) Irracional.

Comentário: A ação social racional com relação a fins é aquela em que o indivíduo age de forma calculada e estratégica para alcançar um objetivo específico. O estudante que estuda para passar no Enem, por exemplo, utiliza os estudos como meio para atingir o fim (aprovação na universidade).

Tema: Cultura e ideologia

7. A relação entre cultura e ideologia tem sido objeto de reflexão de diversos sociólogos. Uma das principais abordagens, de matriz marxista, considera que a cultura, como um conjunto de ideias e valores, pode ser utilizada como instrumento de dominação pela classe dominante, para manter a ordem social e esconder as contradições do sistema capitalista.

Nesse sentido, a cultura seria um reflexo da
A) diversidade de saberes e práticas.
B) capacidade de crítica da sociedade.
C) ideologia dominante da época.
D) autonomia criativa dos indivíduos.
E) tradição e dos costumes.

Comentário: Para a perspectiva marxista, a ideologia dominante, que representa os interesses da classe no poder, se manifesta na cultura, fazendo com que certas ideias sejam naturalizadas e vistas como "normais", enquanto as desigualdades sociais são mascaradas.

Tema: Desigualdade e exclusão social

8. Pierre Bourdieu, sociólogo francês, desenvolveu o conceito de capital cultural, que se refere ao conjunto de conhecimentos, habilidades e disposições que um indivíduo acumula ao longo de sua vida. Esse capital é transmitido, principalmente, no ambiente familiar e influencia o desempenho escolar e as oportunidades futuras.

A partir do conceito de capital cultural de Bourdieu, a desigualdade social é explicada, entre outros fatores, pela
A) falta de esforço individual.
B) divisão do trabalho nas sociedades modernas.
C) diferença na posse dos meios de produção.
D) herança de saberes e vivências de famílias e classes sociais.
E) ausência de direitos civis.

Comentário: Bourdieu destaca que a desigualdade social não se limita à dimensão econômica (capital econômico), mas também se manifesta no capital cultural, transmitido de geração para geração, o que explica por que indivíduos de famílias de classes mais altas tendem a ter mais sucesso escolar e profissional.

Gabarito: 1 E, 2 D, 3 D, 4 D, 5 C, 6 A, 7 C, 8 D.

Tema: Filosofia Antiga - Platão

1. TEXTO I
"A filosofia de Platão, por exemplo, é inseparável do mito da caverna. De modo geral, todas as teorias sobre a sociedade, o conhecimento e a política, que marcaram o Ocidente, são derivadas, em boa parte, do legado platônico.".

TEXTO II
"Na Alegoria da Caverna, Platão descreve prisioneiros que, acorrentados desde a infância, veem apenas sombras projetadas na parede, as quais tomam por realidade. A libertação de um deles e a sua ascensão ao mundo exterior, iluminado pelo sol, representam a passagem do mundo sensível para o mundo das ideias."

Com base nos textos, a alegoria da caverna platônica tem como objetivo principal
A) demonstrar a superioridade do conhecimento empírico.
B) descrever a realidade material dos prisioneiros.
C) defender a importância da experiência sensorial para o conhecimento.
D) criticar a sociedade ateniense e a política da época.
E) ilustrar a teoria do conhecimento de Platão, distinguindo o mundo das ideias do mundo sensível.

Comentário: A Alegoria da Caverna é a principal forma utilizada por Platão para exemplificar sua teoria das Ideias, que distingue o mundo sensível (as sombras da caverna), que é ilusório, do mundo inteligível ou das ideias (a realidade externa, iluminada pelo sol), que é a verdadeira realidade. A saída da caverna representa o processo de conhecimento filosófico que conduz à verdade.

Tema: Filosofia Antiga - Aristóteles

2. Aristóteles, em sua obra Ética a Nicômaco, defende que a felicidade (eudaimonia) é o bem supremo que o ser humano pode alcançar. Para ele, a felicidade não é um estado de espírito passageiro, mas a finalidade da vida e da ação humana, que só é possível de ser atingida por meio de uma vida virtuosa.

De acordo com a ética aristotélica, a vida virtuosa e a busca pela felicidade (eudaimonia) dependem do(a):
A) Prazer e satisfação dos desejos.
B) Acúmulo de riquezas e bens materiais.
C) Cumprimento de ordens divinas e religiosas.
D) Exercício da razão e do justo meio em todas as ações.
E) Busca incessante por poder e glória.

Comentário: Para Aristóteles, a virtude é o meio-termo entre dois extremos viciosos (um por excesso e outro por falta). A virtude é alcançada por meio do exercício da razão, que guia a conduta humana em direção à moderação e à excelência moral. Ao agir virtuosamente, o indivíduo alcança a felicidade (eudaimonia), que é a finalidade última da vida.

Tema: Filosofia Moderna - Racionalismo (Descartes)

3. "Penso, logo existo."
A célebre frase de René Descartes sintetiza a sua filosofia racionalista. Por meio da dúvida metódica, ele buscava encontrar uma verdade indubitável, uma certeza que pudesse servir de fundamento para todo o conhecimento.

A partir da frase e da filosofia de Descartes, pode-se afirmar que o ponto de partida do seu pensamento é a
A) autoridade da Igreja.
B) experiência sensorial.
C) existência do mundo externo.
D) razão como fonte de certeza.
E) tradição filosófica.

Comentário: O racionalismo de Descartes postula que a razão é a fonte primária e mais segura do conhecimento. A partir da dúvida metódica, ele chega à conclusão de que a única coisa que não pode ser duvidada é o ato de duvidar, ou seja, o próprio pensamento. A partir dessa certeza ("Penso, logo existo"), ele reconstrói todo o conhecimento, demonstrando que a razão é o fundamento da verdade.

Tema: Filosofia Moderna - Empirismo (Locke)

4. O filósofo inglês John Locke, em sua teoria do conhecimento, defende que a mente humana é, ao nascer, uma tabula rasa, ou seja, uma tábua em branco, desprovida de ideias inatas. Todas as ideias que o ser humano possui são adquiridas por meio da experiência sensorial.

A partir da perspectiva empirista de Locke, o conhecimento é construído a partir da
A) razão inata.
B) tradição cultural.
C) fé religiosa.
D) experiência.
E) intuição.

Comentário: O empirismo de John Locke e de outros filósofos como David Hume defende que todo o conhecimento humano deriva da experiência, seja ela externa (sensação) ou interna (reflexão). Ao contrário do racionalismo, que acredita em ideias inatas, o empirismo sustenta que a mente humana é moldada pela experiência.

Tema: Ética e Filosofia Política

5. TEXTO I
O filósofo político Nicolau Maquiavel, em sua obra O Príncipe, rompe com a tradição ética na política, ao argumentar que a ação política deve se basear na necessidade e na eficácia, e não em princípios morais absolutos.

TEXTO II
O pensamento de Maquiavel sugere que o príncipe deve ser "leão para espantar os lobos e raposa para fugir das armadilhas", ou seja, deve ser capaz de usar a força e a astúcia para manter o poder e a ordem do Estado.

A partir dos textos, a ética maquiaveliana se diferencia da ética tradicional por
A) defender que o poder deve ser exercido com base na moralidade.
B) subordinar a política à moral e à religião.
C) priorizar a ação política eficaz, mesmo que imoral.
D) negar a existência de conflitos no exercício do poder.
E) propor a divisão do poder entre diversos grupos sociais.

Comentário: A filosofia política de Maquiavel é conhecida pelo realismo, que defende que o príncipe deve se preocupar com a eficácia de suas ações para manter o poder, mesmo que para isso precise agir de forma imoral ou cruel. Essa visão rompe com a tradição ética que buscava conciliar a política com a moralidade.

Tema: Filosofia Política - Contratualismo (Hobbes)

6. "A condição natural do homem é a guerra de todos contra todos. Nesse estado, a vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta. Para escapar desse estado, os homens firmam um pacto social, abdicando de sua liberdade natural em prol de um soberano, que lhes garante a paz e a segurança."

O texto se refere à teoria contratualista de Thomas Hobbes. Nessa perspectiva, o Estado surge como uma solução para o(a)
A) excesso de liberdade e a anarquia na vida em sociedade.
B) busca por riquezas e bens materiais.
C) falta de direitos e a submissão dos mais fracos.
D) desinteresse dos indivíduos pela vida em sociedade.
E) necessidade de punir os criminosos.

Comentário: Segundo Hobbes, no estado de natureza, os homens são livres para fazerem o que quiserem, o que gera um constante estado de guerra e insegurança. Para escapar dessa situação, eles abdicam de sua liberdade em favor de um soberano, que tem o poder de garantir a paz e a ordem.

Tema: Filosofia Contemporânea - Existencialismo

7. Jean-Paul Sartre, expoente do existencialismo, defendia a tese de que a "existência precede a essência". Para ele, o ser humano é livre e responsável por suas escolhas, não possuindo uma natureza predeterminada.

A partir da perspectiva sartreana, o ser humano é
A) determinado por sua natureza e essência.
B) condicionado pela sociedade e cultura.
C) livre para criar sua própria essência.
D) submisso ao destino e à fatalidade.
E) produto de suas condições biológicas.

Comentário: A frase "a existência precede a essência" significa que o ser humano não nasce com uma essência predeterminada, mas a constrói ao longo de sua vida, por meio de suas escolhas e ações. O ser humano é livre e, por isso, responsável por se tornar o que é.

Tema: Teoria do Conhecimento - Senso Comum e Ciência

8. O senso comum é um conhecimento espontâneo e fragmentado, baseado na experiência cotidiana, na tradição e no costume. A ciência, por sua vez, busca um conhecimento sistemático, metódico e crítico, que questiona e investiga a realidade de forma rigorosa.

A principal diferença entre o senso comum e o conhecimento científico reside no
A) objeto de estudo.
B) nível de complexidade.
C) uso de conceitos e termos técnicos.
D) caráter sistemático e crítico da investigação.
E) volume de informações disponíveis.

Comentário: A principal distinção entre o senso comum e o conhecimento científico está na metodologia. O senso comum é assistemático e acrítico, enquanto o conhecimento científico é rigorosamente metódico e crítico, submetendo suas hipóteses a testes e verificações constantes. A ciência não se contenta com a mera observação dos fatos, mas busca explicá-los e compreendê-los de forma aprofundada.

 

 

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

A MÚSICA RUIM E SUAS PECULIARIDADES

 A MÚSICA RUIM E SUAS PECULIARIDADES

Por: Claudio Ramos, C@cau “:¬)09/10/2025

Diante da maioria das músicas atuais, com exceções de poucas, há várias impossibilidades de uma audição concentrada, reflexiva e prazerosa. Elas são músicas feitas “sob encomenda” para as pessoas de espírito mediano; deve ser por isso que muitos só escultam música alta (sem pensamento, sem diálogo, sem imaginação). Os autores dessas músicas se especializaram em catalisar sofrimentos intensos e recorrentes (sofrência/piseiro/pagodes etc.). Elas potencializam o individualismo nas escolhas pessoais, tornando a ação ética uma lenda, um devaneio, um mito (valorizam o egoísmos, a indiferenças e a apatia). Elas fragilizam a dignidade humana com frases como: “você não vale nada mais eu gosto de você”, “sem você eu não sou nada”, “você é tudo na minha vida”, “sem você eu morrerei”, “você vai pagar pelo que fez” etc. (baixa autoestima/ressentimentos/vingança). Além de tudo isso, como se não bastasse, essas mesmas músicas sensualizam o sexo feminino, distorcendo e/ou diminuindo a imagem social da mulher (funk, swingueira etc.), tornando-as objetos descartáveis do desejo masculino (coisificação/reificação/desumanização). Toda essa degradação está relacionada ao fato de que a música se tornou um produto de consumo banal, relativo e imediato (ganhar o máximo de dinheiro em menos tempo possível; os fins sempre justificando os meios). Essas músicas marcam o abandono definitivo do poder crítico do ser humano que, a rigor, deveria ser parte intrínseca de toda produção cultural (o homem melhorando a si mesmo). Quanto mais se ouve essas músicas, menos chance sem tem de pensar, refletir e criar qualquer coisa, verdadeiramente útil e boa para todos! Com certeza não foram esses tipos músicas que, juntamente com a arquitetura, Platão chamou de arte maior C@cau “:¬)

 

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

KARL MANNHEIM (1893-1947)

 KARL MANNHEIM (1893-1947)

(Sociologia do Conhecimento)

Por: Claudio Ramos, a partir de livros e da net. C@cau “:¬)06/10/2025

Quando alguém “tem a coragem de submeter não só o ponto de vista do adversário, mas qualquer ponto de vista, inclusive o seu próprio, à análise ideológica”, justamente nesse momento, passa-se de uma limitada crítica da ideologia à Sociologia do Conhecimento propriamente dita.

 VÍDEO AULA DISPONÍVEL EM:

https://www.youtube.com/watch?v=2wj3z9BjbGU

 SOBRE O AUTOR

- Judeu nascido na Hungria

·         Foi influenciado por György Lukács, Georg Simmel, Friedrich Nietzsche...

·         O marxismo exerceu inicialmente uma forte influência sobre o pensamento do Sociólogo Mannheim.

·         Mannheim abandonou (em parte) o marxismo, por não acreditar que fossem necessários meios revolucionários para atingir uma sociedade melhor.

·         Seu pensamento assemelha-se em certos aspectos aos de Hegel e Comte.

·         Ele acreditava que, no futuro, o homem iria superar o domínio que os processos históricos exercem sobre ele.

·         Foi muito influenciado pelo historicismo alemão e pelo pragmatismo inglês.

·         Weber e Marx são os principais sociólogos com quem Mannheim dialoga para a construção da sua teoria sociológica a partir da obra “Ideologia e Utopia” (1929).

TESES

- Analisar as possíveis relações que há entre o conhecimento produzido e as condições sociais em que foi gerado.

·         O fato de pertencer a uma determinada classe social teria alguma influência sobre os conhecimentos, mesmo aqueles mais aparentemente fundamentados?

·         Que influência exatamente?

·         Em que grau?

INTRODUÇÃO

- Mannheim desenvolveu uma área de conhecimento chamada de Sociologia do conhecimento.

·         Essa disciplina procura estudar os condicionamentos sociais do saber.

- Essa área de conhecimento não é exatamente nova.

·         Sócrates já aconselhava que o autoconhecimento procurasse separar as opiniões pessoais da verdade conceitual de determinado valor.

·         No século XVI, o filósofo inglês Francis Bacon, com a sua teoria dos ídolos, tinha consciência do condicionamento social do pensamento (Pascal, Voltaire, Nietzsche e outros também agiram de maneira semelhante).

MARX E A IDEOLOGIA

(Condicionamento social do pensamento)

- Karl Marx foi quem iniciou, de forma mais sistemática e relativamente autônoma, o estudo dos condicionamentos sociais do saber.

·         Marx escreveu sua famosa frase que sintetizou sua posição segundo a qual “não é a consciência dos homens que determina seu ser, ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência” (Ideologia).

- A ideologia é um pensamento subvertido.

·         Não são as ideias que dão sentido à realidade, mas são as condições sociais que determinam as ideias morais, religiosas, filosóficas etc.

 - A ideologia é uma visão distorcida.

·         Supõem-se que ela seja universal; no entanto ela serve aos interesses específicos de uma classe.

·         Tudo para justificar e manter uma relação de domínio na luta de classes.

MARX ERA IDEÓLOGO

- Segundo Mannheim, Marx utilizou de forma unilateral sua importante descoberta (Ideologia).

·         Marx procurou invalidar a concepção burguesa do mundo, dizendo que ela é falsa porque não se baseia na realidade dos fatos, mas apenas no desejo de manter seu domínio.

·         Porém, Marx não utiliza essa mesma crítica para si e seus próprios valores.

- Mannheim afirmou que a mesma crítica à ideologia pode ser feita para a visão de mundo socialista-comunista.

·         O socialismo não reflete, semelhantemente ao capitalismo, um conhecimento objetivo da realidade, mas interesses de uma classe (Proletariado).

“Pode-se mostrar facilmente que aqueles que pensam em termos socialistas e comunistas só identificam o elemento ideológico nas ideias de seus adversários, ao passo que consideram suas próprias ideias livres da deformação ideológica. Como sociólogos, não temos nenhuma razão para deixar de aplicar ao marxismo o que ele próprio descobriu, e para não identificar, caso por caso, seu caráter ideológico. [...]”.

MANNHEIM E O CONDICIONAMENTO SOCIAL

- Mannheim deu um passo a mais quando cria a Sociologia do conhecimento.

·         Para ele, há uma influência da sociedade sobre o pensamento, mas essa influência não é uma determinação, mas algo como um condicionamento, à maneira Behaviorista.

·         Há aspectos do conhecimento que só podem ser compreendidos adequadamente se as origens sociais de onde partiram forem investigadas, e também seus condicionamentos.

OBS: O Behaviorismo é um termo que abrange diversas teorias que têm como principal objeto de estudo o comportamento.

·         Sua linha de pensamento acredita que os comportamentos podem ser medidos, treinados e mudados.

AS CONCEPÇÕES DE IDEOLOGIA

- Concepção Particular da Ideologia:

·         São aqueles casos em que a falsidade de um conhecimento ocorre de modo intencional ou não, consciente ou não, eles permanecem em um plano psicológico, não se enquadrando no caso de simples mentiras.

·         Nesse nível, identifica-se a ideologia em afirmações particulares e específicas, que podem ser deformações ou falsificações, mas que não comprometem a estrutura mental do sujeito que a pronuncia.

- Concepção Total da Ideologia:

·         As ideias não camuflam apenas situações particulares, mas se referem à ideologia de toda uma época ou de um grupo histórico-social.

·         Elas compõem toda uma cosmovisão, incluindo aí seus instrumentos intelectuais.

OBS 1: Quando se diz ao adversário que determinada ideia sua é falsa, pois é somente uma defesa de seu privilégio de classe, desmascara-se a ideologia parcial.

OBS 2: Quando se descobre a correspondência entre toda uma situação social e determinada perspectiva coletiva, está se desmascarando a ideologia total.

IDEOLOGIAS E UTOPIAS

(Visões parciais da realidade)

- A Sociologia do Conhecimento: Ideologia.

·         Mannheim explica que ideologia são as convicções e ideias dos grupos dominantes.

·         Eles escondem o estado real da sociedade para os outros de fora do grupo, mas também para si.

·         A ideologia não é apenas uma crítica de uma classe por outra, mas um fenômeno que acomete a todos os grupos, independentemente da matriz política.

·         A ideologia é um pensamento disseminado em defesa de interesses adquiridos.

- A Sociologia do Conhecimento: Utopia.

·         O pensamento dos grupos utópicos não consegue obter uma visão objetiva da realidade.

·         Eles apenas enxergam na realidade o que criticam nela mesma, de acordo com um viés ideológico.

·         Como não conseguem enxergar o outro lado (além do negativo), o fenômeno observado aparece na análise como fundamentalmente mal.

·         Isso não significa que sua crítica esteja completamente fora da realidade; significa apenas que ela não é completa o bastante, por não considerar a realidade como um todo.

- A Utopia é o pensamento voltado para destruir a ordem vigente.

·         As utopias também são condicionadas socialmente.

- Tipologia de Utopias:

·         O Quiliasmo Orgiástico dos Anabatistas - doutrina segundo a qual os predestinados, depois do julgamento final, ficariam ainda mil anos na Terra, no gozo das maiores delícias, como prêmio por seus esforços em vida.

·         O Ideal Liberal-Humanitário - que guiou o movimento da Revolução Francesa.

·         A Utopia Socialista-Comunista – um mundo de igualdades para todos.

·         O Ideal Conservador – um mundo de valores e princípios invioláveis.

- A IDEOLOGIA é o pensamento da classe dominante (seja ela qual for em determinado momento).

·         Classe que procura se manter com seu domínio sobre a sociedade.

- A UTOPIA é o pensamento da classe que está sendo dominada.

·         Classe dominada que procura destruir a classe dominante.

OBS: Do ponto de vista do Conhecimento Social, ambas as classes estão presas em visões parciais da realidade social.

CONSCIÊNCIA E SÍNTESE

- Problema: como conhecer autenticamente?

·         Se o pensamento é socialmente condicionado, também a Sociologia do Conhecimento o é.

·         O pressuposto da Sociologia do Conhecimento não conduziria para o relativismo?

- Consciência: o indivíduo passar a ser consciente dos condicionamentos do próprio pensamento e de outras concepções de mundo.

·         Pode haver um senso de comparação e de proporção para fugir, ao menos proporcionalmente, da ideologia (uma espécie de “filtro”).

- Síntese: é preciso estar consciente das relações entre as diversas cosmovisões e a existência social – de modo a chegar a uma síntese das várias perspectivas.

·         Tem-se assim uma visão um pouco mais objetiva da realidade.

RELACIONISMO X RELATIVISMO

- Mannheim chamou de Relacionismo, a visão mais objetiva da sociedade, diferenciando-a do Relativismo.

·         Mannheim ensina a adquirir um pouco de senso das proporções, uma vez que afirma que não há nem total condicionamento nem total imparcialidade.

·         Cada caso se difere de outro em sua especificidade, sendo preciso, na verdade, analisá-los conforme surgem.

Na Sociologia do Conhecimento, o Relacionismo de Karl Mannheim se traduziria em uma visão mais objetiva da realidade, em oposição ao relativismo, e se constitui em uma importante ferramenta de análise da realidade social, tornando o indivíduo mais consciente dos condicionamentos de seu próprio pensamento e de outras concepções de mundo: ideológicas, utópicas e autoritárias.

 

 

ESTRATIFICAÇÃO E DESIGUALDADE SOCIAL

  ESTRATIFICAÇÃO E DESIGUALDADE SOCIAL (SOCIOLOGIA) Por: Claudio Ramos, a partir de livros e da IA. C@cau “:¬)19/09/2026 VÍDEO AULA:  ...