THOMAS MORUS 1478-1535
Por: Claudio Fernando Ramos, a partir de textos da net. 30/09/2018. Cacau ":¬)
VÍDEO AULA:
A UTOPIA DE MORUS
“Um bandos de ladrões e uma
justiça cega – ganância, glória e paixões – predominam sobre os singelos
interesses do povo oprimido e miserável”.
(Utopia, críticas de Morus à
Inglaterra de sua época)
DISTOPIA E UTOPIA
- Distopia: lugar
ou estado imaginário em que se vive em condições de extrema opressão, desespero
ou privação; antiutopia.
- Utopia: qualquer
descrição imaginativa de uma sociedade ideal, fundamentada em leis justas e em
instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem-estar
da coletividade.
CONTEÚDO ESQUEMATIZADO
(DINÂMICO)
CONTEXTO
(Renascimento Humanista)
- Para entender Morus, é preciso compreender o
cenário de transição em que ele escrevia.
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Século XVI (Transição da Idade Média para a Idade
Moderna).
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Humanismo Cristão.
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Resgate dos clássicos gregos (especialmente a
República de Platão) aliado à crítica moral das instituições.
LIVRO
- Utopia (1516).
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O termo inventado por Morus vem do grego
(ou-topos), que significa "lugar que não existe", mas também flerta
com (eu-topos), "bom lugar".
DIAGNÓSTICO DA REALIDADE
- A Crítica à Inglaterra (Livro I)
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Antes de propor o mundo ideal, Morus faz uma
crítica feroz à Europa (especialmente à Inglaterra de Henrique VIII).
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Esse ponto é fundamental para redações e questões
de sociologia/história.
- O Fenômeno dos Cercamentos (Enclosures)
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As terras comunais feudais estavam sendo
privatizadas para a criação de ovelhas (produção de lã).
A METÁFORA FAMOSA
- "As ovelhas devoram os homens".
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A busca pelo lucro agrário expulsou os camponeses
do campo, gerando desemprego e miséria nas cidades.
CRÍTICA À CRIMINALIDADE E AO ESTADO
- Morus argumentava que o Estado era hipócrita ao
punir o roubo com a pena de morte.
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A própria estrutura social empurrava os indivíduos
para a criminalidade devido à fome.
O MODELO IDEAL
- A Ilha de Utopia (Livro II)
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Na segunda parte do livro, o personagem Hitlodeu
narra como funciona uma ilha perfeita.
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Aqui vale contrapor a realidade da época com a
proposta de Morus através de uma tabela comparativa.
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Eixo Temático
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A Europa do Século XVI (Realidade)
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A Ilha de Utopia (Ideal)
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Propriedade
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Privada, concentrada e geradora de ganância.
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Abolição da propriedade privada (tudo é de
todos).
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Trabalho
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Jornadas exaustivas para uns; ócio para a
nobreza.
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Trabalho obrigatório de 6 horas diárias para
todos.
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Dinheiro/Ouro
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Objeto de adoração, guerras e corrupção.
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Desprezado. O ouro serve para fazer correntes de
escravos e penicos.
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Religião
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Guerras religiosas e intolerância dogmática.
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Tolerância religiosa (desde que se creia em uma
força divina superior).
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Organização
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Monarquias absolutistas e centralizadoras.
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Cidades-estado autônomas com líderes eleitos
democraticamente.
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ESTRUTURA SOCIAL E COTIDIANO EM UTOPIA
- O Desprezo ao Luxo
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Roupas são simples, idênticas e focadas na
utilidade, não no status.
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Sem ostentação, cessa a inveja social.
- Tempo Livre Produtivo
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Com a jornada de 6 horas, o tempo restante é
dedicado às ciências, às artes e à filosofia.
- A Família como Base
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A sociedade é organizada de forma patriarcal, onde
os mais velhos coordenam os mais novos, mantendo a disciplina coletiva.
- A Guerra
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Considerada uma brutalidade repugnante. Os
utopianos só lutam em legítima defesa, para libertar povos oprimidos ou para
ocupar terras subutilizadas.
CONCLUSÃO
- Thomas Morus não queria criar um manual de
instruções para um governo real.
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Ele queria usar a ficção da "ilha
perfeita" como um espelho crítico para expor as injustiças, o egoísmo e a
corrupção da sociedade de sua época.
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Inaugurou o pensamento utópico moderno, que mais
tarde influenciaria o socialismo utópico do século XIX.
CONTEÚDO TEXTUAL
(REFLEXIVO)
PEQUENA BIOGRAFIA
- Jurista e Estadista: Thomas Morus (ou Tomás Moro) foi um jurista e estadista inglês da
corte de Henrique VIII.
- O Filósofo - o pensador ficou conhecido por:
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Ana Bolena - haver se posicionado contra o rei na “questão Ana Bolena”.
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Utopia - haver escrito e publicado, bem no início do século XVI, dentre várias
outras obras, o livro Utopia.
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Erasmo de Rotterdam – ter sido grande amigo de Erasmo.
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Catolicismo – ter permanecido irredutível diante de sua crença católica romana.
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Santificação – ser considerado santo para os católicos.
- A Influência dos Filósofos: É um texto essencialmente humanista/renascentista com flagrantes
influências:
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Platônica - A República.
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Agostiniana - Cidade de Deus.
- A Influências dos
Navegadores: Na ilha – assim imaginada a partir do relato de
seu amigo:
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Américo Vespúcio.
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Diz-se também que Utopia teria sido inspirada em
Fernando de Noronha.
- Atemporalidade da Obra: A ilha de Morus acabou denominando o termo útil até hoje para
significar uma sociedade perfeita ou ideal: utopia!
- Ilha Imaginária: Morus apresenta uma ilha imaginária, chamada Utopia:
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Etimologia da Palavra - U-negação; topos-lugar.
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Idealismo Político – A ilha é um protótipo da perfeição social, da mais plena harmonia em
termos de convivência humana.
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Antirrealismo Político – A ilha é um “não lugar”, estado de rejeição do real (que está falido)
e de esperança no ideal (que se deseja construir).
- O Ideal Como Crítica do Real: Na obra, antes de descrever a ilha, Tomás Moro estabelece rigorosa crítica
à Inglaterra tudoriana.
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Corrupção sem limites - A corrupção desenfreada da monarquia centralizada, a sede por
dinheiro e poder emanada por nobres e novos burgueses.
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Enfrentamento do poder - O visível abismo entre as classes sociais move o autor a escrever um
duro enfrentamento sobretudo ao governo do rei Henrique VIII.
- O socialismo de Utopia: A produção é dividida de forma igualitária, de modo a inexistir
criminalidade ou mendicância.
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Sem Propriedade Privada - Não há propriedade privada, pois que o pressuposto de Utopia é a
comunhão dos bens outrora particulares.
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Sem Injustiças - Na ilha se tem uma outra lógica social-econômica: a terra serve para
ser cultivada, e não simplesmente possuída.
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Sem Dinheiro - Dinheiro – ouro e prata – são desprezíveis porquanto irrelevantes.
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Sem Criminosos - Na ilha não há prisão: os pouquíssimos criminosos são obrigados a
usar anéis e correntes de ouro, uma forma de marcar cinicamente a inutilidade
das materialidades.
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Profissões, Aptidões e
Necessidades - As profissões são escolhidas a partir das
aptidões e interesses de cada utopiano, que servem a todos a partir da
necessidade e da solidariedade.
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Trabalho, Felicidade e Lazer - Trabalho e liberdade pautam o seu cotidiano: seis horas diárias de
serviços, duas horas diárias de repouso, oito horas diárias de lazer ou
estudos, oito horas noturnas de sono.
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Isonomia Social I - Residências, roupas e alimentos estão na mesma proporção, para todos.
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Isonomia Social II - Escolas e hospitais bem estruturados, úteis a todos, igualmente.
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Isonomia Social III - Não há quem seja superior a outrem por ter mais ou ser maior: ninguém
é obrigado a fazer ou deixar de fazer o que não queira.
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Deus, Primeiro Valor - Utopia preza pelo amor e reverência a Deus, criador de tudo e veículo
único de felicidade humana.
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Felicidade, Segundo Valor - Utopia preza por alegria, conforto, solidariedade, cooperação,
igualdade, liberdade, segurança, respeito, justiça.
- Utopia, um lugar sem
território: Utopia, “a nação mais civilizada do mundo”, é um
estado de pleno bem estar do ser humano, é “não lugar”; por isso:
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É inexistente.
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É irreal.
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É inatingível.
- O Fim de Morus:
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Da corte à prisão - Moro foi fiel aos seus princípios.
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Discordou da Reforma Anglicana - Recusou-se a aceitar Henrique VIII como soberano da Igreja (Chefe
Supremo da Igreja de Inglaterra).
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A celeuma de Clemente VII
1478-1534 e Henrique VIII 1491-1547
– Henrique VIII foi excomungado pelo Papa Clemente VIII, por conta do casamento
com Ana Bolena e pela criação de Igreja Anglicana
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A Decapitação de Moro – Por não reconhecer a liderança de Henrique VIII sobre a Igreja da
Inglaterra, Moro foi processado, julgado, condenado e executado em praça
pública (por decapitação a machadada) e sua cabeça foi exposta durante um mês
na ponte de Londres.
- Morus, um Santo Católico
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A Ação de Pio XI 1857-1939 - Quatro séculos depois de sua morte, após
reconhecimento de seu martírio pela Igreja, Morus foi canonizado pelo Papa Pio
XI (São Tomás Moro).
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A Ação de João Paulo II 1920-2005 - Morus foi declarado Patrono dos Estadistas e
Políticos pelo Papa João Paulo II.
Um ótimo assunto! Celin show 13/11/2019
ResponderExcluirmassa, sinto cheiro de notas boas? hahahahaha
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEu aqui dnv KKKKKK
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