segunda-feira, 13 de agosto de 2018

QUESTÕES FILOSÓFICAS V (Os Contratualistas)



Algumas das questões elencadas abaixo não se encontram, necessariamente, dentro do padrão proposto pelo ENEM; no entanto, entendemos o valor e a importância das mesmas no que diz respeito ao fomento da exposição, discussão e apreensão em torno de temas pertinentes ao estudo da filosofia. Quando em sala, não objetivamos apenas explicar conteúdos e resolver questões padronizadas; mas, acima de tudo, ler, entender, problematizar e vivenciar questões filosóficas, tanto as acadêmicas (de caráter lógico/metodológico) quanto às do dia-a-dia (refém dos duvidosos auspícios do senso comum). Acreditamos que com isso poderemos fazer valer uma singular e significativa máxima da filosofia iluminista kantiana: “não se ensina filosofia, mas a filosofar”.
Cacau “:¬) 13/08/2018.

1. (Enem 2ª aplicação 2016) A justiça e a conformidade ao contrato consistem em algo com que a maioria dos homens parece concordar. Constitui um princípio julgado estender-se até os esconderijos dos ladrões e às confederações dos maiores vilões; até os que se afastaram a tal ponto da própria humanidade conservam entre si a fé e as regras da justiça.
LOCKE, J. Ensaio acerca do entendimento humano. São Paulo: Nova Cultural, 2000 (adaptado).
De acordo com Locke, até a mais precária coletividade depende de uma noção de justiça, pois tal noção
a) identifica indivíduos despreparados para a vida em comum.   
b) contribui com a manutenção da ordem e do equilíbrio social.   
c) estabelece um conjunto de regras para a formação da sociedade.   
d) determina o que é certo ou errado num contexto de interesses conflitantes.   
e) representa os interesses da coletividade, expressos pela vontade da maioria.   
  
2. (Enem PPL 2016) A importância do argumento de Hobbes está em parte no fato de que ele se ampara em suposições bastante plausíveis sobre as condições normais da vida humana. Para exemplificar: o argumento não supõe que todos sejam de fato movidos por orgulho e vaidade para buscar o domínio sobre os outros; essa seria uma suposição discutível que possibilitaria a conclusão pretendida por Hobbes, mas de modo fácil demais. O que torna o argumento assustador e lhe atribui importância e força dramática é que ele acredita que pessoas normais, até mesmo as mais agradáveis, podem ser inadvertidamente lançadas nesse tipo de situação, que resvalará, então, em um estado de guerra.
RAWLS, J. Conferências sobre a história da filosofia política. São Paulo: WMF, 2012 (adaptado).
O texto apresenta uma concepção de filosofia política conhecida como
a) alienação ideológica.   
b) microfísica do poder.   
c) estado de natureza.   
d) contrato social.   
e) vontade geral.   
  
3. (Enem 2ª aplicação 2016) 
TEXTO I - Até aqui expus a natureza do homem (cujo orgulho e outras paixões o obrigaram a submeter-se ao governo), juntamente com o grande poder do seu governante, o qual comparei com o Leviatã, tirando essa comparação dos dois últimos versículos do capítulo 41 de Jó, onde Deus, após ter estabelecido o grande poder do Leviatã, lhe chamou Rei dos Soberbos. Não há nada na Terra, disse ele, que se lhe possa comparar.
HOBBES, T. O Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

TEXTO II - Eu asseguro, tranquilamente, que o governo civil é a solução adequada para as inconveniências do estado de natureza, que devem certamente ser grandes quando os homens podem ser juízes em causa própria, pois é fácil imaginar que um homem tão injusto a ponto de lesar o irmão dificilmente será justo para condenar a si mesmo pela mesma ofensa.
LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo civil. Petrópolis: Vozes, 1994.
Thomas Hobbes e John Locke, importantes teóricos contratualistas, discutiram aspectos ligados à natureza humana e ao Estado. Thomas Hobbes, diferentemente de John Locke, entende o estado de natureza como um(a)
a) condição de guerra de todos contra todos, miséria universal, insegurança e medo da morte violenta.   
b) organização pré-social e pré-política em que o homem nasce com os direitos naturais: vida, liberdade, igualdade e propriedade.   
c) capricho típico da menoridade, que deve ser eliminado pela exigência moral, para que o homem possa constituir o Estado civil.   
d) situação em que os homens nascem como detentores de livre-arbítrio, mas são feridos em sua livre decisão pelo pecado original.   
e) estado de felicidade, saúde e liberdade que é destruído pela civilização, que perturba as relações sociais e violenta a humanidade.   
  
4. (Uel 2015) Leia os fragmentos a seguir.
            A monarquia absoluta é incompatível com a sociedade civil, não podendo ser uma forma de governo civil, porque o objetivo da sociedade civil consiste em evitar e remediar os inconvenientes do estado de natureza que resultam necessariamente de poder cada homem ser juiz em seu próprio caso, estabelecendo-se uma autoridade conhecida para a qual todos os membros dessa sociedade podem apelar por qualquer dano que lhe causem ou controvérsia que possa surgir, e à qual todos os membros dessa sociedade terão que obedecer.
            [...]
            Quem julgará se o príncipe ou o legislativo agem contrariamente ao encargo recebido? A isto respondo: O povo será o juiz; porque quem poderá julgar se o depositário ou o deputado age bem e de acordo com o encargo a ele confiado senão aquele que o nomeia, devendo, por tê-lo nomeado, ter ainda o poder para afastá-lo quando não agir conforme seu dever?
Adaptado de: LOCKE, J. Segundo Tratado sobre o Governo (ou Ensaio sobre o Governo Civil). 5.ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991. p.250 e p.312.
Com base nos fragmentos e nos conhecimentos sobre a filosofia política de John Locke, descreva o modelo de governo civil proposto pelo filósofo.
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  
5. (Uema 2015) De acordo com a historiadora Maria Lúcia de Arruda Aranha, a Revolução Francesa derrubou o antigo regime, ou seja, o absolutismo real fundamentado no direito divino dos reis, derivado da concepção teocrática do poder. O término do antigo regime se consuma quando a teoria política consagra a propriedade privada como direito natural dos indivíduos.
Fonte: ARANHA, M. L. de A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: Introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2003.
Esse princípio político que substitui a antiga teoria do direito divino do rei intitula-se
a) Contratualismo.   
b) Totalitarismo.   
c) Absolutismo.   
d) Liberalismo.   
e) Marxismo.   
  
6. (Enem 2015) A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que um deles possa com base nela reclamar algum benefício a que outro não possa igualmente aspirar.
HOBBES, T. Leviatã. São Paulo Martins Fontes, 2003
Para Hobbes, antes da constituição da sociedade civil, quando dois homens desejavam o mesmo objeto, eles
a) entravam em conflito.   
b) recorriam aos clérigos.   
c) consultavam os anciãos.   
d) apelavam aos governantes.   
e) exerciam a solidariedade.   
  
7. (Uema 2015) Para Thomas Hobbes, os seres humanos são livres em seu estado natural, competindo e lutando entre si, por terem relativamente a mesma força. Nesse estado, o conflito se perpetua através de gerações, criando um ambiente de tensão e medo permanente. Para esse filósofo, a criação de uma sociedade submetida à Lei, na qual os seres humanos vivam em paz e deixem de guerrear entre si, pressupõe que todos renunciem à sua liberdade original. Nessa sociedade, a liberdade individual é delegada a um só dos homens que detém o poder inquestionável, o soberano.
Fonte: MALMESBURY, Thomas Hobbes de. Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. Trad. João Paulo Monteiro; Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Editora NOVA Cultural, 1997.
A teoria política de Thomas Hobbes teve papel fundamental na construção dos sistemas políticos contemporâneos que consolidou a (o)
a) Monarquia Paritária.   
b) Despotismo Soberano.   
c) Monarquia Republicana.   
d) Monarquia Absolutista.   
e) Despotismo Esclarecido.   
  
8. (Pucpr 2015) Leia o fragmento a seguir, extraído do Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, de Rousseau:
“É do homem que devo falar, e a questão que examino me indica que vou falar a homens, pois não se propõem questões semelhantes quando se teme honrar a verdade. Defenderei, pois, com confiança a causa da humanidade perante os sábios que a isso me convidam e não ficarei descontente comigo mesmo se me tornar digno de meu assunto e de meus juízes”.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p.159.
A partir da teoria contratualista de Rousseau, assinale a alternativa que representa aquilo que o filósofo de Genebra pretende defender na obra.
a) Que a desigualdade social é permitida pela lei natural e, portanto, o Estado não é responsável pelo conflito social.   
b) Que a desigualdade social é autorizada pela lei natural, ou seja, que a natureza não se encontra submetida à lei.   
c) Que no estado natural existe apenas o direito de propriedade.   
d) Que a desigualdade moral ou política é uma continuidade daquilo que já está presente no estado natural.   
e) Que há, na espécie humana, duas espécies de desigualdade: a primeira, natural, e a segunda, moral ou política.   
  
9. (Unesp 2015)  Para o teórico Boa ventura de Sousa Santos, o direito se submeteu à racionalidade cognitivo-instrumental da ciência moderna e tornou-se ele próprio científico. Existe a necessidade de repensarmos os direitos humanos. Boa ventura nos instiga a pensar que eles possuem um caráter racional e regulador da vida humana. Esses direitos não colaboram para eliminar as assimetrias políticas, culturais, sociais e econômicas existentes, especialmente nos países periféricos. Os direitos humanos, num plano universalista e aberto a todos, não modificam as estruturas desiguais, mas ratificam a ordenação normativa para comandar uma sociedade.
(Adriano São João e João Henrique da Silva. “A historicidade dos direitos humanos”. Filosofia, ciência e vida, dezembro de 2014. Adaptado.)
De acordo com o texto, os direitos humanos são passíveis de crítica, porque
a) desempenham um papel meramente formal de proteção da vida.   
b) inexistem padrões universalistas aplicáveis à totalidade da humanidade.   
c) são incompatíveis com os valores culturais de nações não ocidentais.   
d) sua estrutura normativa carece de racionalidade e de cientificidade.   
e) são destituídos de uma visão religiosa e espiritualista de mundo.   
  
10. (Ufsm 2013) Leonardo Boff inclui a generosidade como uma pilastra de um modelo adequado de sustentabilidade. Ele a caracteriza do seguinte modo: Generoso é aquele que comparte, que distribui conhecimentos e experiências sem esperar nada em troca. Já os clássicos da filosofia política, como Platão e Rousseau, afirmavam que uma sociedade não pode fundar-se apenas sobre a justiça. Ela se tomaria inflexível e cruel. Ela deve viver também da generosidade dos cidadãos, de seu espírito de cooperação e de solidariedade voluntária.
Considere as seguintes afirmações:
I. Segundo o texto, generosidade e justiça podem ser complementares uma à outra.
II. Segundo o texto, se uma sociedade é inflexível e cruel, então ela está fundada apenas sobre a justiça.
III. Já na ética aristotélica, a generosidade é uma virtude e a extravagância e a avareza são os vícios correlacionados a ela.
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.   
b) apenas II.   
c) apenas I e III.   
d) apenas II e III.   
e) I, II e III.   


Exercícios: Cacau ":¬)
Resposta da questão 1: [B]

A filosofia contratualista, da qual John Locke é representante, parte da noção de que a vida em sociedade demanda a existência de uma ordem social que regule as ações dos indivíduos e garanta a proteção dos direitos naturais de cada membro da sociedade. Para Locke, o estabelecimento de um pacto social, a partir de um contrato, possibilita a manutenção dessa ordem e, por conseguinte, do equilíbrio no convívio em sociedade.  

Resposta da questão 2: [C]
Thomas Hobbes é um dos filósofos contratualistas, exatamente por considerar que toda comunidade política é fundada em um pacto social. A ausência dessa pacto faz com que os indivíduos estejam em um estado de natureza, na qual haveria a guerra de todos contra todos.  

Resposta da questão 3: [A]
Diferentemente de Locke, que entende que o estado de natureza se caracteriza pela atuação dos indivíduos como juízes das suas próprias causas. Sendo o agir humano influenciado pelas paixões, para Hobbes, no estado de natureza todos os homens são livres para usar de quaisquer meios para satisfazer suas necessidades e desejos, o que necessariamente leva à disputa constante entre os indivíduos e à um estado de guerra permanente, que ameaça a segurança e o direito à vida de todos. Assim, na ausência de um Estado que regularize as ações humanas, o homem torna-se “lobo do próprio homem”.  

Resposta da questão 4:
Segundo Locke, o modelo de governo civil vincula-se ao pacto proveniente do mútuo consentimento entre indivíduos igualmente livres, pelo direito natural. Portanto, tem seu fundamento na condição livre e igualitária dos homens, rompendo com a visão hierárquica do mundo que servia de base de legitimação das monarquias absolutas. Aqui, não se refere a um contrato entre governantes e governados. Como cidadãos, os indivíduos não renunciam aos seus próprios direitos naturais – absolutamente privados, inalteráveis e inalienáveis – em favor do poder dos governantes. A sociedade política é instituída pelos participantes do pacto, tendo por finalidade empregar sua força coletiva na proteção e na execução das leis naturais. Estas, no estado natural, estariam ameaçadas, sobretudo, a preservação da vida, a conservação da liberdade e da igualdade e o gozo da propriedade proveniente do trabalho. Por isso, a instituição da sociedade civil, sobretudo, tem por objetivo reprimir quaisquer violações a estes direitos naturais e, deste modo, para que possam ser assegurados e usufruídos, garantir a paz necessária. O mútuo consentimento permite aos cidadãos – neste modelo – instalar a forma de governo que julgarem conveniente. Aos governantes, é outorgado o poder que, no entanto, além de limitado, é revogável pelo poder originário e soberano dos cidadãos. São eles que decidem seu destino político e o da sociedade. Neste modelo de governo civil, Locke defende o direito de resistência e insurreição quando ocorre abuso do poder por parte das autoridades que usurpam de suas prerrogativas e violam o pacto e suas finalidades.  

Resposta da questão 5: [D]
O filósofo que inaugura a o conceito de propriedade privada como direito natural é John Locke. Segundo este pensador, os princípios de sua filosofia são: a liberdade (ação por deliberação pessoal, sem nenhuma influência); a propriedade privada (iniciando a partir do próprio corpo que se possui e por aquilo que se consegue pelo trabalho); e a igualdade (mesmas condições para que todos possam usufruir dos recursos e leis da natureza). Por meio destes referenciais, Locke estabelece que se vivemos em natureza e seguimos as suas leis, estas mesmas leis devem servir de modelo para a constituição do Estado. O papel do governo consiste exclusivamente em fazer respeitar o direito natural de cada indivíduo determinado em conformidade com as leis da natureza. Portanto, o governo civil é o remédio apropriado para os inconvenientes do estado de natureza que pode se tornar um estado de guerra. Ele não deve ser um ditador ou alguém que deva ser obedecido, mas alguém que administra um empreendimento social onde os interesses e liberdades individuais determinam os rumos que a sociedade deve seguir, sendo que seu poder é temporal e limitado. Daí o governo não deve estabelecer aquilo que acredita ser melhor no modo de condução, mas deve concordar em servir a um interesse maior a garantia dos direitos de igualdade, liberdade e propriedade privada. A liberdade é o fundamento da vida em sociedade, servindo como justificativa para a disposição como se aprouver da propriedade privada que os indivíduos estabelecem. Esta é garantida pela igualdade entre todos para que pela apropriação dos recursos da natureza possam adquirir condições de sobreviverem segundo a melhor maneira que lhes aprouver. Esta concepção exposta, com mínima interferência do governo nos rumos, com a valorização da liberdade e propriedade privada garantida pela igualdade é conhecida como liberal.  

Resposta da questão 6: [A]
Segundo Hobbes, os homens, em seu estado de natureza, permanecem em um constante conflito. É a constituição da cidade civil que irá por fim a esse estado de guerra de todos contra todos.  

Resposta da questão 7: [D]
Segundo Hobbes uma vez que os homens encontram-se num estado de guerra de “todos contra todos”, a construção da sociedade somente pode ocorrer quanto todos os membros rendem sua liberdade natural para uma única figura capaz de garantir a paz e a segurança a todos. Esta figura é entendida pelo autor como um mal necessário (um leviatã) que deve possuir poder inquestionável, não estando rendido a qualquer atrelamento, seja ele partidário ou republicano. Para que esta figura possa governar de forma a cuidar dos interesses de todos sem estar ligado a nenhum condicionamento, ela deve possuir um poder e uma autoridade inquestionável. Embora Hobbes não fosse um defensor árduo do absolutismo, suas teses serviram de base para justificar a monarquia como forma mais viável de garantir a todos um estado de paz. Portanto, a monarquia absolutista é o remédio para garantir a coexistência dos homens em sociedade. O despotismo esclarecido vai no sentido contrário, sendo inspirado pela filosofia iluminista, cria uma abertura não existente na filosofia de Hobbes, na qual o monarca não é mais visto como absoluto, mas sim como alguém que ainda exerce o poder, mas sem o caráter divino e inquestionável dos seus antecessores.  

Resposta da questão 8: [E]
Rousseau no início de sua obra afirma que existem dois principais tipos de desigualdade entre os homens: a natural ou física e a moral ou política. Na desigualdade natural os homens se diferenciam pela idade, saúde e força corporal. Esta desigualdade é uma consequência natural da própria espécie perante a variedade de composições que os homens podem adotar. No caso da desigualdade moral ou política, esta se dá devido às convenções estabelecidas entre homens, para que exista a possibilidade de convivência coletiva. A convenção do conceito de propriedade somado a desigualdade natural existente entre os homens, vai firmar a desigualdade por meio dos diferentes privilégios desfrutados por alguns em prejuízo dos demais, como o de serem mais ricos, mais respeitados, mais poderosos ou mesmo mais obedecidos. A alternativa “E” é a única que se enquadra na teoria explicitada.  

Resposta da questão 9: [A]
No texto da questão dois pontos são destacados como referente ao papel dos direitos humanos, sendo eles: o “caráter racional e regulador da vida humana” e “ratificam a ordenação normativa para comandar a sociedade”. Estas afirmações encontram respaldo na filosofia política dos contratualistas que estabelece que os direitos inerentes aos seres humanos, e que não estão sujeitos à discussão, pois surgem devido à conveniência dos homens que abrem mão de sua liberdade para viverem em sociedade. Assim, surge o direito natural como polo regulador dos limites que a sociedade organizada não pode ultrapassar na consolidação de sua estrutura. Contudo, o texto nos coloca que devido ao progresso das ciências atualmente se descaracterizou sua fundamentação passando estes, a serem tratados como conceito obsoleto que pode ser questionado livremente sem que haja qualquer empecilho caso se julgue que eles não atendam mais as concepções vigentes. Portanto, da mesma forma, os direitos humanos não se fazem mais uma garantia absoluta para a proteção a vida, mas constituem-se como meras referências formais na realidade universal.  

Resposta da questão 10: [C]
Essa questão possui inúmeras imprecisões. No texto citado, a tese e a caracterização de uma parte importante da tese estão perfeitas: a generosidade é uma pilastra da sustentabilidade e generoso é aquele que compartilha sem esperar ou exigir algo em troca. Porém, a expectativa de uma contraposição – estabelecida pelo uso da palavra “já” – é completamente desfeita pelo uso dos clássicos da filosofia para simplesmente reafirmar aquilo enunciado anteriormente. Não sendo bastante a falta de coerência do texto, há também uma enorme imprecisão quando se diz, por exemplo, que Platão não considerava a justiça como algo suficiente para constituição de uma cidade feliz, boa. Ora, isso é completamente absurdo, pois a justiça é para Platão a virtude necessária e suficiente para o estabelecimento de uma cidade feliz (cf. A República). E Rousseau estabelece que o contrato social nasça da vontade geral e a sociedade deve sempre subordinar-se a esta vontade geral, de modo que a justiça é também suficiente para manter a saúde de uma sociedade, isso enquanto ela for o reflexo da vontade geral.
Além disso, a afirmação “II. segundo o texto, se uma sociedade é inflexível e cruel, então ela está fundada apenas sobre a justiça” parece-nos correta, pois “os clássicos da filosofia política, como Platão e Rousseau, afirmavam que uma sociedade não pode fundar-se apenas sobre a justiça. Ela se tomaria inflexível e cruel”. Discordamos, portanto, do gabarito.
A afirmação III poderia se servir de uma citação, pois não está muito claro onde Aristóteles define a generosidade como uma virtude importante.   

quinta-feira, 26 de julho de 2018

GRUPOS SOCIAIS


(Sociologia)
Organizado a partir da net por: Claudio Fernando Ramos, 26/07/2018. Cacau ":¬)

 VÍDEO AULA:

QUESTÕES:
- Como se dá a formação dos grupos sociais?
- Como se dá os contatos sociais?
- Como se dá o processo de socialização vivido por todos nós?

O Homem e a Linguagem
- Por meio das interações sociais ao longo da vida aprendemos:
·         A linguagem.
·         Significados simbólicos.
·         Regras sociais.
·         Crenças.
·         Valores e até mesmo sentimentos.

- Internalizações - ao fazermos parte de grupos sociais internalizamos determinados comportamentos adquiridos por meio dos contatos sociais.

- O outro eu - no interior dos grupos nos comportamos todos de maneira semelhante e vemos o outro em nós mesmos.

- Reprodutores – aprendemos e reproduzimos normas e valores do grupo social que estamos inseridos.

FORMAÇÃO DOS GRUPOS HUMANOS
- Exterioridade - os indivíduos ao nascerem estão imersos em um sistema social construído através de gerações e que é assimilado por meio das inter-relações sociais.

- Inatismo e Empirismo - desde os primórdios o homem constrói relações sociais e faz parte de um processo de socialização, em que adquirem fatores que são inatos, aqueles herdados geneticamente, e os adquiridos por meio da cultura.
·         Os indivíduos aprendem a língua, as normas sociais, os símbolos, a usar objetos, a sentir determinadas emoções e etc.

- Perspectiva Comum - O mundo é visto pelos indivíduos de acordo com o ambiente em que estão inseridos, e dependendo dos contatos sociais que estabelecem adotam um determinado comportamento social.

- Adaptação - as ideias, valores, crenças, hábitos, costumes de uma sociedade são interiorizados pelos indivíduos e deste modo se adaptam aos grupos sociais.

- Humanização - Esse processo de socialização é que “humaniza” ou “civiliza” o ser humano.

CONTATO SOCIAL
- Significação - o contato social abordado pela sociologia não se trata da interação física ou sensitiva, mas sim na comunicação de significados, podendo ocorrer entre duas ou mais pessoas.

- A Construção do Humano - o contato social acaba por influenciar na construção da personalidade do indivíduo.

- O certo e o Errado - Por meio das experiências com outras pessoas o indivíduo adquire determinados modos de pensar e modos de agir aceitos socialmente, nos grupos em que faz parte, como:
·         a família, a escola, local onde mora, etc.

SOCIALIZAÇÃO PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA 

A educação tem por objeto formar o ser social; pode-se então perceber, (…), de que maneira este se constitui através da história. A pressão de todos os instantes que sofre a criança é a própria pressão do meio social tendendo [permanentemente] a moldá-la à sua imagem e semelhança.

Soc. Primária
- Infância - o processo de socialização iniciado na infância é chamado de socialização primária, e tem grande influência na construção da personalidade.

- A Família e o básico - a criança apreende os significados mais básicos ensinados pela família através da linguagem.

- Abstração e o fim da infância – o aprendizado do básico termina quando os significados foram assimilados e a criança é capaz de abstrair os papéis sociais presentes naquele grupo.

Soc. Secundária
- Eterno enquanto durar - em um segundo momento da existência dá-se a socialização secundária que irá permanecer todo o decorrer da vida.

- A complexidade da maioridade - na maturidade o indivíduo aprende comportamentos mais complexos.

- Alteridade - ao longo da vida o indivíduo percebe que o outro é o reflexo de si mesmo, já que se trata de seres humanos imersos em determinados grupos sociais, compartilhando muitas coisas em comum.

- Consciente coletivo - as atividades psíquicas dos indivíduos e as sociais estão entrelaçadas, e estão sempre em construção, devido as experiências vividas pelos indivíduos em grupos.

- O homem é um ser histórico – o homem está constantemente em transformação.

SOCIALIZAÇÃO E COERÇÃO
Toda a educação consiste num esforço contínuo para impor às crianças maneiras [adequadas] de ver, sentir e agir às quais elas [supostamente] não chegariam espontaneamente (…). Desde os primeiros anos de vida, são as crianças forçadas a beber comer e dormir em horários regulares; são constrangidas a terem hábitos higiênicos, a serem calmas e obedientes; mais tarde, obrigamo-las a aprender a pensar nos demais, a respeitar usos e conveniências; forçamo-las ao trabalho, etc. (…)”.

- Sou porque nós somos - o indivíduo internaliza o coletivo e toma para si comportamentos sociais como seus.

- Coercitividade - a sociedade exerce sobre os indivíduos uma certa coerção.
·         O pensamento e a ação são guiados em função do social, dirigindo o indivíduo para um autocontrole dentro do que é exigido e aceito pelos demais indivíduos em sociedade.
·         O não cumprimento de certas normas acarreta ao indivíduo certas coerções sociais dentro do grupo.
·         Esta pressão social é o que mantém a sociedade unidade (a coesão social).

Texto de Apoio para estudar para prova:
https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/os-grupos-sociais.htm

domingo, 15 de julho de 2018

NA CORTE DO FUTEBOL, O BOBO SOMOS NÓS!


Por: Claudio Fernando Ramos, 15/07/2018. Cacau “:¬)

Quando a Rede Globo de televisão e o seu enfadonho comentarista (Galvão alguma coisa) me dizem que a Seleção Brasileira é nossa, sinto a mesma sensação de quando os políticos de esquerda me dizem que as empresas estatais (Petrobras, Eletrobras, Caixa, etc.) são nossas e que por isso não devem ser privatizadas; o mesmo ocorre quando os políticos de centro e de direita me convidam ao patriotismo, argumentado que o país é nosso e que por isso devemos lutar por ele. Mas uma coisa sempre me intrigou: se tudo é nosso, por que então não temos direito algum?
O País, as Empresas Estatais e a CBF têm donos, disso todos nós sabemos; porém, também sabemos que esses donos não somos nós cidadãos comuns!
A maioria dos Estados brasileiros são oligarcas, ou seja, só vencem os mesmos grupos de sempre (eles, os filhos e netos deles); as empresas estatais são verdadeiras toma lá da cá (conhecidos balcões de empregos para apadrinhados políticos); a CBF é uma das instituições mais mafiosas que conheço (ex-diretores corruptos, uma emissora hegemônica (Globo); uma fornecedora (Nike) que dita regras e patrocinadores gestores do futebol).
Como podemos ver, há uma corte formada, os suseranos (os nobres) são poucos e poderosos, os vassalos (os plebeus/povo) são inúmeros e fracos.
Nessa corte (futebolística) o Bobo, que somos nós, não conta nenhuma piada porque ele mesmo (o povo) é a piada!
Parabéns para a França e para a Croácia, que vença a melhor! Cacau “:¬)



quinta-feira, 12 de julho de 2018

EDUCAÇÃO


O ANIMAL DA PHYSIS OU O HUMANO DO NOMOS?

A Educação Formal reúne, ao menos teoricamente, o que há de “melhor” em tudo que o homem foi capaz de imaginar, refletir e produzir ao longo de toda a sua existência. Nessa reunião não há uma hegemonia das formas e conteúdos, às vezes ela se dá de forma mais cartesiana, às vezes de forma mais fenomenológica; às vezes o ceticismo é a palavra de ordem; às vezes o dogmatismo é o prato do dia. O fato é que o homem, no que diz respeito ao saber acumulado ao longo dos séculos, vem provando mudanças significativas em sua maneira de ver, sentir e lidar consigo mesmo, com os outros e com as coisas ao seu redor.


A escola (Educação Formal), fiel depositária de muito do que o homem se mostrou capaz ao longo de sua construção enquanto humano, vem amargando perdas e fracassos irreversíveis no que tange ao seu papel de instituição capacitada e capacitadora. Alguém já disse que palavra dita, flexa lançada e oportunidade perdida não retornam; ao menos não da mesma forma que a anterior.

As pessoas, de forma genérica, dizem enfaticamente que a culpa é do governo; entendo essa expressão como uma débil tentativa de substituir, quer seja por ignorância ou por conveniência, outra expressão igualmente genérica, ou seja, a culpa é do Estado. Se sabemos que a culpa é do Estado, saberíamos igualmente responder quem é o Estado? Do que é feito? Por quem é formado? Acho que ao menos de uma coisa todos temos ciência: nesse assunto não há inocentes!

É notório e de longa data que a Educação Formal vem sofrendo reveses sucessivos. No entanto, essas perdas seriam menos desastrosas se uma outra educação fosse ressuscitada de seu infindável marasmo sepulcral; refiro-me a tão necessária, mas infelizmente tão ausente, Educação Informal. Por Educação Informal entendemos a atuação das inúmeras instâncias que atual, com um certo grau de autonomia, no interior da sociedade; principalmente a Instituição Familiar e a Religiosa.

Nesse país não se pode falar sobre muitas coisas; pelo menos não de forma séria e oficial. Posso aqui elencar algumas delas, conhecidas como temas capciosos: suicídio, controle de natalidade, planejamento familiar, descriminalização do aborto (não confundam com legalização do aborto), etc. A grande mídia, sempre atenta aos vultosos lucros advindos do consumismo, tenta evitar polêmicas; mas quando isso não é possível, reúne um grupo de artistas famosos (quase sempre desqualificados para os grandes debates) e volta sempre ao lugar comum, ou seja, a situação dos negros e pardos, os direitos das mulheres e dos gays, o uso das drogas, a vida abaixo da linha de pobreza e, no final do ano, tudo termina bem com uma mensagem de “hoje é um novo dia e um novo tempo...”. Sabemos que os últimos temas arrolados aqui são tão importantes quanto os primeiros; mas não é essa a questão, a questão é: por que evitamos os primeiros?

Quando um problema é grande demais é coerente que se comece o enfrentamento do simples para o complexo, da parte para o todo. Por isso, todas às vezes que vejo alguém abrindo o vidro do carro - hoje vi isso sendo praticado por um homem muito bem vestido que guiava um luxuoso Toyota 2018 - e jogando um saco plástico no meio-fio, não só percebo que é importante pensar em qual país isso ocorre (Estado/Governo), é também indispensável arqui se a ele foi permitido frequentar um colégio (Educação Formal) e, principalmente, devemos ponderar sob a égide de qual Educação Informal ele foi e/ou é criado!

Como podemos perceber, as instâncias menores, as micro sociedades (principalmente a Família e a Religião) independente do descrédito e assédio que sofrem interna e externamente na chamada pós-modernidade, sempre tiveram e terão importâncias decisivas nas constituição e consolidação de uma nação mais educada, mais progressiva e, acima de tudo, mais humanizada.
É bem verdade que a Educação Formal agoniza de fracasso em fracasso, mas ainda não deu o seu derradeiro suspiro (lutaremos para que isso não aconteça); mas se um dia isso vier a ocorrer, é bom que se saiba: todas as outras instâncias que não faleceram antes dela morreram logo em seguida! O homem da Physis (natureza) não passa de um animal, portanto não ultrapassa os limites das próprias necessidades instintivas; só o homem do nomos (normas, leis, sociedade, cultura) é capaz de construir humanidade! Cacau “:¬)

domingo, 8 de julho de 2018

INDÚSTRIA CULTURAL (ESC. DE FRANKFURT)


Escola de Frankfurt
(A produção artística do ponto de vista Industrial)
Por: Claudio Fernando Ramos, a partir de livros e da net. C@cau “::¬) 29/06/2020
Pode-se constatar que na indústria cultural tudo se transforma em artigo de consumo, e que no mercado a arte, a música, o cinema, o rádio, tudo pode ser comprado como uma mercadoria, transformando a cultura em algo negativo. Para Adorno, a indústria cultural não é democrática, ela se submeteu a dominação da técnica que é usada pelos meios de comunicação de forma original e criativa que impede o homem de pensar de forma crítica, de imaginar, adestrando consciências, que fazem com que o que é transformado para efeitos comerciais sejam convertidos como um entretenimento para todos.
(LOUREIRO et al., 2003, p. 13-22).

VÍDEO AULA, É SÓ CLICAR E ASSISTIR

PROPOSIÇÕES
(PARTE I)
A) Qual é a influência de meios de comunicação de massa sobre uma sociedade?

·         Há efeitos nocivos dos meios de comunicação na formação crítica de uma sociedade?

·         Por que as pessoas são mobilizadas a acompanharem um noticiário como se estivessem assistindo a uma telenovela?

B) Uma obra artística produzida em escala industrial pode ser valorada da mesma forma que as obras produzidas artesanalmente?
·         Como esse tipo de arte pode povoar a imaginação do ser humano?

·         Qual é a consequência desse tipo de arte na formação social do ser humano?

·         Uma arte produzida em escala industrial, de acordo com a lógica da lucratividade, pode também, satisfazer padrões estéticos?

C) Quais foram os primeiros filósofos que detectaram a dissolução das fronteiras entre: Informação e Consumo?

D) Quais foram os primeiros filósofos que detectaram a dissolução das fronteiras entre: Entretenimento e Política?




- Dois foram os principais representantes da escola, fundada em 1924 na Universidade de Frankfurt: 
·         Max Horkheimer (1895-1973); Theodor W. Adorono (1903-1969).

- Além desses, outros membros da Escola de Frankfurt, também se destacaram:
·         Walter Benjamin (1892-1940); Jürgen Habermas (1929); Herbert Marcuse (1898-1979); Erich Fromm (1900-1980).


A ESCOLA DE FRANKFURT E A TEORIA CRÍTICA
(PARTE II)

A) Instituto de Pesquisa Social – esse era o nome da Escola de Frankfurt fundada na cidade alemã de Frankfurt no início da década de 1920.

B) A partir da liderança de Max Horkheimer (1895-1973) - em 1931, o Instituto passou a ser o centro de elaboração e de propagação da chamada Teoria Crítica da sociedade.

C) A Teoria Crítica visa - entre outras coisas, mudar a sociedade, entrando por isso em conflito com a Teoria Tradicional.

·         A Teoria Tradicional - busca tão somente entender e explicar a sociedade.

·         Os Nazistas no poder – com a chegada dos nazistas ao poder, a partir da década de trinta os membros da Escola imigraram para genebra, Paris e Nova York; só retornaram para Alemanha no início da década de cinquenta.

OBS:
·         Ver: Materialismo Histórico Dialético - Até agora os filósofos se preocuparam em interpretar o mundo de várias formas. O que importa é transformá-lo. (Karl Marx)

O PIONEIRISMO DE MAX HORKHEIMER
(PARTE III)
 
A) Max Horkheimer – de orientação filosófica materialista e socialista desenvolveu a chamada Teoria Crítica à luz de três conceitos: Totalidade, Dialética e Crítica.

B) Totalidade – refere-se ao fato de que a metodologia aplicada não pode se dissolver em pesquisas especializadas que não se comunicam.

·         A sociedade deve ser analisada como um todo: setores econômicos, sociais e psicológicos.

·         Os pensadores da Escola desenvolveram suas ideias levando em consideração as reflexões de Hegel (Dialético), Marx (Econômico) e Freud (Psicológico).

·         Para se compreender um fenômeno deve-se utilizar multidisciplinaridade: Sociologia, Filosofia, Psicologia, Economia etc.

C) Dialética - um conhecimento que não seja inflexível, mas dialético, no sentido hegeliano, não procurando uma teoria que seja estática ou endurecida.
·         Um conhecimento que seja tão adaptável e mutável quanto à própria realidade social que examina.

D) Crítica – sua pretensão é denunciar as contradições da sociedade industrializada moderna, seja capitalista ou socialista.
·         Critica, além do capitalismo, o socialismo oficial, aquele ensinado nas universidades da época.

A DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO
E A SOCIEDADE TOTALMENTE ADMINISTRADA
(PARTE IV)
Mas como justamente essa razão se caracterizava por racionalizar para dominar, essa pretensão de libertação do homem acabava por gerar o domínio do ser humano pelo ser humano. Assim, vivia-se em uma sociedade totalmente administrada, ou, ao menos, em via de se tornar totalmente administrada.

A) O conceito de Indústria Cultural foi desenvolvido por Theodor Wiesengrund Adorno (1903-1969), um dos fundadores e principais nomes da Escola de Frankfurt.

B) Para Adorno a cultura de sua época servia aos poderes estabelecidos em vez de dar voz e vez à criatividade e liberdade humana.

C) Dialética do Esclarecimento 1949 – nessa obra escrita com Horkheimer, o filósofo apresenta sua crítica ao que chama de Razão Instrumental.

·         Razão Instrumental – consiste em racionalizar o mundo para torná-lo manipulável e subjugável pelo ser humano.

D) Uma das características importante da Razão Instrumental é que ela é cega com relação aos fins.
·         A Razão Instrumental é incapaz de compreender a finalidade que a move; contenta-se apenas em desenvolver meios, só conseguindo aperfeiçoar instrumentos técnicos para fins estabelecidos.

·         A Razão Instrumental prepara, desenvolve e aperfeiçoa todo um sistema de meios sem se perguntar e sem compreender a natureza dos fins.  

D) A ideia original da Razão Instrumental era o de realizar o domínio da natureza para libertar o ser humano.
·         O domínio que anteriormente seria do homem sobre a natureza, acabou por converter-se em domínio do homem pelo homem.
·         Todo o aparato de técnicas desenvolvido pela humanidade se volta contra ela.

O ILUMINISMO
E A RAZÃO INSTRUMENTAL
(PARTE V)
“O Iluminismo, no sentido mais amplo de pensamento em contínuo progresso, sempre perseguiu o objetivo de tirar o medo dos homens e torná-los senhores de si próprios. Mas a terra inteiramente iluminada (ou esclarecida) resplandece sob a égide de triunfal desventura”.
(T. Adorno e M. Horkheimer)

A) O Iluminismo ou Esclarecimento - tinha como objetivo colocar a razão como guia da sociedade, de modo a libertar o homem.

·         A Antítese do Iluminismo - no projeto inicial do Iluminismo ocorreu uma dialética, ou seja, um movimento contrário (Antítese).

·         O domínio da Razão Instrumental - passou a dominar então a imaginação daqueles que viviam sob ela.

·         Tecnicismo - o saber passou a ser mais uma técnica do que uma metodologia para conhecer a realidade.

·         O Útil e o Inútil - perdeu-se a confiança na razão objetiva: o que passa a importar não é o fato de as teorias serem verdadeiras ou falsas, mas sim se elas são ou não funcionais.

·         O Iluminismo queria eliminar os mitos religiosos, mas acaba transformando-se no seu contrário; termina por gerar novos e maiores mitos, justamente por meio da mídia.

INDÚSTRIA CULTURAL
(PARTE VI)
Mas por que se aceitava tão pacificamente que a Razão Instrumental era a única forma de razão e ainda se continuava insistindo nela? É aí justamente que entra o conceito de Indústria Cultural. A Razão Instrumental domina primeiro a imaginação porque seu maior agente é a chamada Indústria Cultural.

A) A Indústria Cultural envolve todo aparato da chamada mídia de massa: Cinema, Rádio, TV, Discos/CDs, Publicidade etc.

·         Por meio da Mídia de Massa o poder estabelecido impõe valores e modelos de comportamento, cria necessidades e acaba por padronizar a linguagem e a imaginação.

MASSIFICAÇÃO
UM FENÔMENO DA INDÚSTRIA CULTURAL
(PARTE VII)

A) As obras artísticas produzidas sob a lógica da Razão Instrumental possuem certas características que vão cumprir demandas utilitárias.

·         Essas obras possuem linguagem uniforme, afim de que todos sejam alcançados (Novelas).

·         A uniformidade das obras artísticas é geralmente compreendida como massificação.

·         A massificação implica na superficialidade das obras produzidas e também o seu caráter asséptico (livre de “imperfeições”).

·         A produção em massa das obras artística, pautadas pela Indústria Cultural, possui o seu conteúdo totalmente pensado e arquitetado para entreter.

·         De um modo geral os conteúdos artísticos inexistem, o que há de fato são conteúdos utilitários.

·         Os produtos culturais massificados não libertam a imaginação, mas condicionam e a escraviza.

A DITADURA DO LAZER PADRONIZADO
(PARTE VIII)
A verdade em tudo isso é que o poder da indústria cultural provém de sua identificação com a necessidade produzida, não da simples oposição a ela, mesmo que se tratasse de uma oposição entre onipotência e impotência – A diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo tardio. Ela é procurada por quem quer escapar ao processo de trabalho mecanizado, para se pôr de novo em condições de enfrentá-lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecanização atingiu tal poderio sobre: a pessoa em seu lazer e sobre a sua felicidade, ela determina tão profundamente a fabricação das mercadorias destinadas à diversão, que esta pessoa não pode mais perceber outra coisa senão as cópias que reproduzem o próprio processo de trabalho”.
(T. ADORNO e M. HORKHEIMER, 1985, p. 128)

A) O divertimento, como quase tudo na modernidade, segue a lógica da Indústria Cultural.

·         O lazer deixou de ser simples recreação, conquista de liberdade, lugar de uma “verdadeira alegria”.

·         A Indústria Cultural fixa o divertimento em horários aos quais os indivíduos se submetem, com isso formata-se o tempo livre do lazer (horário do futebol determinado pela indústria da comunicação; alta e baixa temporada dos hotéis etc).

A INDÚSTRIA CULTURAL ENQUANTO IDEOLOGIA
(PARTE IX)
"Filmes e rádio não têm mais necessidade de serem empacotados como arte. A verdade, cujo nome real é negócio, serve-lhes de ideologia. Esta deverá legitimar os refugos que de propósito produzem. Filme e rádio se autodefinem como indústrias, e as cifras publicadas dos rendimentos de seus diretores-gerais tiram qualquer dúvida sobre a necessidade social de seus produtos”.
(T. W. Adorno)

A) A Indústria Cultural não é consequência de nenhuma ideologia, porque ela mesma é a ideologia.
·         Seu próprio formato, seus próprios meios servem para o controle social.

B) Se Kant estava certo em suas proposições quando disse que a menoridade significa a incapacidade de valer-se do próprio intelecto sem a necessidade de ser guiado por outro...

·         Não há maioridade na atualidade visto que a Indústria Cultural é o grande guia.

ESCOLHER OU SER ESCOLHIDO
(PARTE X)
A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que é pra você não ver que o programado é você!
(Até Quando? Gabriel, O Pensador)


A) Segundo T. Adorno as pessoas pensam escolher os produtos da indústria quando, na verdade, são os objetos da indústria que “escolhem” as pessoas (Fetichismo das Mercadorias).


CONCLUSÃO:
OS PENSADORES, A ESCOLA E O NAZISMO
(PARTE XI)

A) Os integrantes da Escola assistiram surpresos e assustados:
·         A Primeira Guerra Mundial;
·         A deflagração da Revolução Russa, em 1917;
·         O aparecimento do Regime Fascista na Itália;
·         A ascendente implantação do Nazismo na Alemanha, que culminou com um exílio forçado deste grupo, composto em grande parte por judeus, a partir de 1933.
·         A Segunda Grande Guerra.

B) Estas mudanças marcou definitivamente cada um deles, principalmente depois do suicídio de Walter Benjamin, em 1940, quando provavelmente tentava atravessar os Pireneus, temeroso de ser capturado pelos nazistas.

C) A Escola de Frankfurt e o fim da opulenta filosofia alemã
·         A Escola de Frankfurt nasceu no ano de 1924, em uma quinta etapa atravessada pela filosofia alemã:
·         Primeira etapa - Kant e Hegel;
·         Segunda etapa - Karl Marx e Friedrich Engels;
·         Terceira etapa - Nietzsche;
·         Quarta etapa – o existencialismo de Heidegger, a fenomenologia de Husserl e a ontologia de Hartmann.

E) A produção filosófica germânica permaneceu viva no Ocidente, com todo vigor, de 1850 a 1950, quando então não mais resistiu, depois de enfrentar duas Guerras Mundiais.


MEIO AMBIENTE E SOCIOLOGIA

  MEIO AMBIENTE E SOCIOLOGIA Por: Claudio Ramos, a partir de livros e da IA. C@cau “:¬)10/10/2026 INTRODUÇÃO - Compreender a relação e...