domingo, 31 de julho de 2022

ESTUDE PARA O ENEM 2022 - PARTE IV

 

Por: Claudio Fernando Ramos, C@cau ":¬)31/07/2022

SOCIOLOGIA

1. (Enem PPL 2017) Art. 1º – O estrangeiro que, por qualquer motivo, comprometer a segurança nacional ou a tranquilidade pública, pode ser expulso de parte ou de todo o território nacional. Art. 2º – São também causas bastantes para a expulsão: 1ª) a condenação ou processo pelos tribunais estrangeiros por crimes ou delitos de natureza comum; Duas condenações, pelo menos, pelos tribunais brasileiros, por crimes ou delitos de natureza comum

3ª) a vagabundagem, a mendicidade e o lenocínio competentemente verificados

(BRASIL. Lei 1.641, de 7 de janeiro de 1907. Disponível em: www2.camara.leg.br. Acesso em: 29 ago. 2012 - adaptado)

No início do século XX, na transição do trabalho escravo para o livre, os objetivos da legislação citada eram:

A) Disciplinar o trabalhador e evitar sua participação em movimentos políticos contrários ao governo.

B) Estabelecer as condições para a vinda dos imigrantes

C) Demonstrar preocupação com as condições de trabalho e favorecer a organização sindical.

D) Criar condições políticas para a imigração e isolar os imigrantes socialmente indesejáveis.

E) Estimular o trabalho urbano e disciplinar as famílias estrangeiras nas fábricas

2. (Enem PPL 2016) 

TEXTO I - Cidadão

Tá vendo aquele edifício, moço?

Ajudei a levantar

Foi um tempo de aflição

Eram quatro condução

Duas pra ir, duas pra voltar

Hoje depois dele pronto

Olho pra cima e fico tonto

Mas me vem um cidadão

E me diz desconfiado

“Tu tá aí admirado

Ou tá querendo roubar?”

Meu domingo tá perdido

Vou pra casa entristecido

Dá vontade de beber

E pra aumentar meu tédio

Eu nem posso olhar pro prédio

Que eu ajudei a fazer.

(BARBOSA. L. In: ZÉ RAMALHO, 20 Super Sucessos. Rio de Janeiro: Sony Music. 1999 - fragmento)

TEXTO II - O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens. Esse fato simplesmente subentende que o objeto produzido pelo trabalho, o seu produto, agora se lhe opõe como um ser estranho, como uma força independente do produtor.

(MARX, K. Manuscritos econômicos-filosóficos (Os Primeiros). São Paulo: Boitempo Editorial, 2004)

Com base nos textos. a relação entre trabalho e modo de produção capitalista é:

A) Baseada na desvalorização do trabalho especializado e no aumento da demanda social por novos postos de emprego.

B) Fundada no crescimento proporcional entre o número de trabalhadores e o aumento da produção de bens e serviços.

C) Estruturada na distribuição equânime de renda e no declínio do capitalismo industrial e tecnocrata.

D) Instaurada a partir do fortalecimento da luta de classes e da criação da economia solidária.

E) Derivada do aumento da riqueza e da ampliação da exploração do trabalhador.

3. (Enem PPL 2016)

A forma de organização interna da indústria citada gera a seguinte consequência para a mão de obra nela inserida:

A) Ampliação da jornada diária.

B) Melhoria da qualidade do trabalho.

C) Instabilidade nos cargos ocupados.

D) Eficiência na prevenção de acidentes.

E) Desconhecimento das etapas produtivas.

FILOSOFIA

4. (Enem 2010) Na ética contemporânea, o sujeito não é mais um sujeito substancial, soberano e absolutamente livre, nem um sujeito empírico puramente natural. Ele é simultaneamente os dois, na medida em que é um sujeito históricosocial. Assim, a ética adquire um dimensionamento político, uma vez que a ação do sujeito não pode mais ser vista e avaliada fora da relação social coletiva. Desse modo, a ética se entrelaça, necessariamente, com a política, entendida esta como a área de avaliação dos valores que atravessam as relações sociais e que interliga os indivíduos entre si.

(SEVERINO. A. J. Filosofia)

O texto, ao evocar a dimensão histórica do processo deformação da ética na sociedade contemporânea, ressalta

A) Os conteúdos éticos decorrentes das ideologias político-partidárias.

B) O valor da ação humana derivada de preceitos metafísicos.

C) A sistematização de valores desassociados da cultura.

D) O sentido coletivo e político das ações humanas individuais.

E) O julgamento da ação ética pelos políticos eleitos democraticamente

5. (Enem 2009) Na década de 30 do século XIX, Tocqueville escreveu as seguintes linhas a respeito da moralidade nos EUA: “A opinião pública norte-americana é particularmente dura com a falta de moral, pois esta desvia a atenção frente à busca do bem estar e prejudica a harmonia doméstica, que é tão essencial ao sucesso dos negócios. Nesse sentido, pode-se dizer que ser casto é uma questão de honra”.

TOCQUEVILLE, A. Democracy in America. Chicago: Encyclopædia Britannica, Inc., Great Books 44, 1990 (adaptado).

Do trecho, infere-se que, para Tocqueville, os norte-americanos do seu tempo

A) Buscavam o êxito, descurando as virtudes cívicas.

B) Tinham na vida moral uma garantia de enriquecimento rápido.

C) Valorizavam um conceito de honra dissociado do comportamento ético.

D) Relacionavam a conduta moral dos indivíduos com o progresso econômico.

E) Acreditavam que o comportamento casto perturbava a harmonia doméstica.

6. (Enem 2017) Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá.

KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980.

De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento” representada no texto

A) Assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão participativa.

B) Garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade da vida futura na terra.

C) Opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal.

D) Materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar os meios.

E) Permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas envolvidas.

 GABARITO: 1 A, 2 E, 3 E, 4 D, 5 D, 6 C.

sábado, 23 de julho de 2022

ESTUDE PARA O ENEM 2022 - PARTE III

 FILOSOFIA E SOCIOLOGIA

Por: Claudio Fernando Ramos, C@cau ":¬)23/07/2022

SOCIOLOGIA

1. (Enem PPL 2019) A estética relativamente estável do modernismo fordista cedeu lugar a todo o fermento, instabilidade e qualidades fugidias de uma estética pós-moderna que celebra a diferença, a efemeridade, o espetáculo, a moda e a mercadificação de formas culturais

HARVEY, D. Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Loyola, 2009.

No contexto descrito, as transformações estéticas impactam a produção de bens por meio da

A) Promoção de empregos fabris, integrada às linhas de montagem.

B) Ampliação dos custos de fabricação, impulsionada pelo consumo.

C) Redução do tempo de vida dos produtos, acompanhada da crescente inovação.

D) Diminuição da importância da organização logística, utilizada pelos fornecedores.

E) Expansão de mercadorias estocadas, aliada a maiores custos de armazenamento.

2. (Enem PPL 2018) Num país que conviveu com o trabalho escravo durante quatro séculos, o trabalho doméstico é ainda considerado um subemprego. E os indivíduos que atuam nessa área são, muitas vezes, vistos pelos patrões como um mal necessário: é preciso ter em casa alguém que limpe o banheiro, lave a roupa, tire o pó e arrume a gaveta. Existe uma inegável desvalorização das atividades domésticas em relação a outros tipos de trabalho.

(RANGEL, C. Domésticas: nascer, deixar, permanecer ou simplesmente estar. Negritude, cinema e educação. Belo Horizonte: Mazza, 2011)

Objeto de legislação recente, o enfrentamento do problema mencionado resultou na:

A) Criação de novos ofícios.

B) Ampliação de direitos sociais.

C) Redução da desigualdade de gênero.

D) Fragilização da representação sindical.

E) Erradicação da atividade informal.

3. (Enem PPL 2011) As relações sociais, produzidas a partir da expansão do mercado capitalista ― e o sistema de fábrica é seu “estágio superior” ―, tornaram possível o desenvolvimento de uma determinada tecnologia, isto é, aquela que supõe a priori a expropriação dos saberes daqueles que participam do processo de trabalho. Nesse sentido, foi no sistema de fábrica que uma dada tecnologia pôde se impor, não apenas como instrumento para incrementar a produtividade do trabalho, mas, muito principalmente, como instrumento para controlar, disciplinar e hierarquizar esse processo de trabalho.

(DECCA, E. S. O Nascimento das Fábricas. São Paulo: Brasiliense, 1986 - fragmento)

Mais do que trocar ferramentas pela utilização de máquinas, o capitalismo, por meio do “sistema de fábrica”, expropriou o trabalhador do seu “saber fazer”, provocando, assim,

A) A divisão e a hierarquização do processo laboral, que ocasionaram o distanciamento do trabalhador do seu produto final.

B) O movimento dos trabalhadores das áreas urbanas em direção às rurais, devido à escassez de postos de trabalho nas fábricas.

C) A associação da figura do trabalhador à do assalariado, fato que favorecia a valorização do seu trabalho e a inserção no processo fabril.

D) A organização de grupos familiares em galpões para elaboração e execução de manufaturas que seriam comercializadas.

E) A desestruturação de atividades lucrativas praticadas pelos artesãos ingleses desde a Baixa Idade Média

FILOSOFIA

4. (Enem PPL 2010) No século XX, o transporte rodoviário e a aviação civil aceleraram o intercâmbio de pessoas e mercadorias, fazendo com que as distâncias e a percepção subjetiva das mesmas se reduzissem constantemente. É possível apontar uma tendência de universalização em vários campos – por exemplo, na globalização da economia, no armamentismo nuclear, na manipulação genética, entre outros.

HABERMAS, J. A constelação pós-nacional: ensaios políticos. São Paulo: Littera Mundi, 2001 (adaptado).

Os impactos e efeitos dessa universalização, conforme descritos no texto, podem ser analisados do ponto de vista moral, o que leva à defesa da criação de normas universais que estejam de acordo com

A) Os valores culturais praticados pelos diferentes povos em suas tradições e costumes locais.

B) Os pactos assinados pelos grandes líderes políticos, os quais dispõem de condições para tomar decisões.

C) Os sentimentos de respeito e fé no cumprimento de valores religiosos relativos à justiça divina.

D) Os sistemas políticos e seus processos consensuais e democráticos de formação de normas gerais.

E) Os imperativos técnico-científicos, que determinam com exatidão o grau de justiça das normas.

5. (Enem 2010) A ética precisa ser compreendida como um empreendimento coletivo a ser constantemente retomado e rediscutido, porque é produto da relação social se organize sentindo-se responsável por todos e que crie condições para o exercício de um pensar e agir autônomos. A relação entre ética e política é também uma questão de educação e luta pela soberania dos povos. É necessária uma ética renovada, que se construa a partir da natureza dos valores sociais para organizar também uma nova prática política.

CORDI et al. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2007 (adaptado).

O Século XX teve de repensar a ética para enfrentar novos problemas oriundos de diferentes crises sociais, conflitos ideológicos e contradições da realidade. Sob esse enfoque e a partir do texto, a ética pode ser

A) Compreendida como instrumento de garantia da cidadania, porque através dela os cidadãos passam a pensar e agir de acordo com valores coletivos.

B) Mecanismo de criação de direitos humanos, porque é da natureza do homem ser ético e virtuoso.

C) Meio para resolver os conflitos sociais no cenário da globalização, pois a partir do entendimento do que é efetivamente a ética, a política internacional se realiza.

D) Parâmetro para assegurar o exercício político primando pelos interesses e ação privada dos cidadãos.

E) Aceitação de valores universais implícitos numa sociedade que busca dimensionar sua vinculação à outras sociedades.

6. (Enem 2018) A quem não basta pouco, nada basta.

EPICURO. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1985.

Remanescente do período helenístico, a máxima apresentada valoriza a seguinte virtude:

A) Esperança, tida como confiança no porvir.

B) Justiça, interpretada como retidão de caráter.

C) Temperança, marcada pelo domínio da vontade.

D) Coragem, definida como fortitude na dificuldade.

E) Prudência, caracterizada pelo correto uso da razão.

GABARITO: 1 C, 2 B, 3 A, 4 A, 5 A, 6 C.

 

 

domingo, 17 de julho de 2022

ESTUDE PARA O ENEM 2022 - PARTE II

 FILOSOFIA/SOCIOLOGIA

(PARTE II)

Por: Claudio Fernando Ramos, C@cau ":¬)17/07/2022

FILOSOFIA

1. (Enem PPL 2010) A ética exige um governo que amplie a igualdade entre os cidadãos. Essa é a base da pátria. Sem ela, muitos indivíduos não se sentem “em casa”, experimentam-se como estrangeiros em seu próprio lugar de nascimento.

SILVA, R. R. Ética, defesa nacional, cooperação dos povos. OLIVEIRA, E. R (Org.) Segurança & defesa nacional: da competição à cooperação regional. São Paulo: Fundação Memorial da América Latina, 2007 (adaptado).

 Os pressupostos éticos são essenciais para a estruturação política e integração de indivíduos em uma sociedade. De acordo com o texto, a ética corresponde a

A) Valores e costumes partilhados pela maioria da sociedade.

B) Preceitos normativos impostos pela coação das leis jurídicas.

C) Normas determinadas pelo governo, diferentes das leis estrangeiras.

D) Transferência dos valores praticados em casa para a esfera social.

E) Proibição da interferência de estrangeiros em nossa pátria.

 2. (Enem PPL 2019) Vimos que o homem sem lei é injusto e o respeitador da lei é justo; evidentemente todos os atos legítimos são, em certo sentido, atos justos, porque os atos prescritos pela arte do legislador são legítimos e cada um deles é justo. Ora, nas disposições que tomam sobre todos os assuntos, as leis têm em mira a vantagem comum, quer de todos, quer dos melhores ou daqueles que detêm o poder ou algo desse gênero; de modo que, em certo sentido, chamamos justos aqueles atos que tendem a produzir e a preservar, para a sociedade política, a felicidade e os elementos que a compõem.

ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Cia. das Letras, 2010 (adaptado)

 De acordo com o texto de Aristóteles, o legislador deve agir conforme a

A) Moral e a vida privada.

B) Virtude e os interesses públicos.

C) Utilidade e os critérios pragmáticos.

D) Lógica e os princípios metafísicos.

E) Razão e as verdades transcendentes

 3. (Enem 2019) De fato, não é porque o homem pode usar a vontade livre para pecar que se deve supor que Deus concedeu para isso. Há, portanto, uma razão pela qual Deus deu ao homem esta característica, pois sem ela não poderia viver e agir corretamente. Pode-se compreender, então, que ela foi concedida ao homem para esse fim, considerando-se que se um homem a usa para pecar, recairão sobre ele as punições divinas. Ora, isso seria injusto se a vontade livre tivesse sido dada ao homem não apenas para agir corretamente, mas também para pecar. Na verdade, por que deveria ser punido aquele que usasse sua vontade para o para o qual ela Ihe foi dada?

AGOSTINHO. O livre-arbitrio. In: MARCONDES, D. Textos báslcos de ética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

 Nesse texto, o filósofo cristão Agostinho de Hipona sustenta que a punição divina tem como fundamento o(a)

A) Desvio da postura celibatária.

B) Insuficiência da autonomia moral.

C) Afastamento das ações de desapego.

D) Distanciamento das práticas de sacrifício.

E) Violação dos preceitos do Velho Anglo.

 SOCIOLOGIA

4. (Enem 2019) No sistema capitalista, as muitas manifestações de crise criam condições que forçam a algum tipo de racionalização. Em geral, essas crises periódicas têm o efeito de expandir a capacidade produtiva e de renovar as condições de acumulação. Podemos conceber cada crise como uma mudança do processo de acumulação para um nível novo e superior.

HARVEY, D.A produção capitalista do espaço São Paulo: Annablume, 2005 (adaptado)

 A condição para a inclusão dos trabalhadores no novo processo produtivo descrito no texto é a

A) Associação sindical.

B) Participação eleitoral.

C) Migração internacional

D) Qualificação profissional.

E) Regulamentação funcional.

 5. (Enem 2011) Em geral, os nossos tupinambás ficam bem admirados ao ver os franceses e os outros dos países longínquos terem tanto trabalho para buscar o seu arabotã, isto é, pau-brasil. Houve uma vez um ancião da tribo que me fez esta pergunta: “Por que vindes vós outros, mairs e perós (franceses e portugueses), buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra?”

(LÉRY, J. Viagem à Terra do Brasil. In: FERNANDES, F. Mudanças Sociais no Brasil. São Paulo: Difel, 74)

 O viajante francês Jean de Léry (1534-1611) reproduz um diálogo travado, em 1557, com um ancião tupinambá, o qual demonstra uma diferença entre a sociedade europeia e a indígena no sentido:

A) Do destino dado ao produto do trabalho nos seus sistemas culturais.

B) Da preocupação com a preservação dos recursos ambientais.

C) Do interesse de ambas em uma exploração comercial mais lucrativa do pau-brasil.

D) Da curiosidade, reverência e abertura cultural recíprocas.

E) Da preocupação com o armazenamento de madeira para os períodos de inverno.

 6. (Enem 2017) Mas assim que penetramos no universo da web, descobrimos que ele constitui não apenas um imenso “território” em expansão acelerada, mas que também oferece inúmeros “mapas”, filtros, seleções para ajudar o navegante a orientar-se. O melhor guia para a web é a própria web. Ainda que seja preciso ter a paciência de explorá-la. Ainda que seja preciso arriscar-se a ficar perdido, aceitar “a perda de tempo” para familiarizar-se com esta terra estranha. Talvez seja preciso ceder por um instante a seu aspecto lúdico para descobrir, no desvio de um link, os sites que mais se aproximam de nossos interesses profissionais ou de nossas paixões e que poderão, portanto, alimentar da melhor maneira possível nossa jornada pessoal.

LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

 O usuário iniciante sente-se não raramente desorientado no oceano de informações e possibilidades disponíveis na rede mundial de computadores. Nesse sentido, Pierre Lévy destaca como um dos principais aspectos da internet o(a)

A) Espaço aberto para a aprendizagem.

B) Grande número de ferramentas de pesquisa.

C) Ausência de mapas ou guias explicativos.

D) Infinito número de páginas virtuais.

E) Dificuldade de acesso aos sites de pesquisa.

 GABARITO: 1 A, 2 B, 3 B, 4 D, 5 A, 6 A.

 

 

 

 

 

 

 

 



domingo, 10 de julho de 2022

ESTUDE PARA O ENEM 2022 - PARTE I

(FILOSOFIA/SOCIOLOGIA)

(PARTE I)

Claudio Fernando Ramos, C@cau ":¬) 10/07/2022

 FILOSOFIA

1. (Enem/2012) TEXTO I - Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-se em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo possível, transforma-se em pedras.

BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado).

TEXTO II - Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha.”

GILSON, E.: BOEHNER, P. Historia da Filosofia Crista. São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado).

Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo, a partir de uma explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em comum na sua fundamentação teorias que

A) eram baseadas nas ciências da natureza.
B) refutavam as teorias de filósofos da religião.
C) tinham origem nos mitos das civilizações antigas.
D) postulavam um princípio originário para o mundo.
E) defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas.

2. (Enem/2017) Uma conversação de tal natureza transforma o ouvinte; o contato de Sócrates paralisa e embaraça; leva a refletir sobre si mesmo, a imprimir à atenção uma direção incomum: os temperamentais, como Alcibíades sabem que encontrarão junto dele todo o bem de que são capazes, mas fogem porque receiam essa influência poderosa, que os leva a se censurarem. Sobretudo a esses jovens, muitos quase crianças, que ele tenta imprimir sua orientação.

BREHIER, E. História da filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1977.

O texto evidencia características do modo de vida socrático, que se baseava na

A) Contemplação da tradição mítica.
B) Sustentação do método dialético.
C) Relativização do saber verdadeiro.
D) Valorização da argumentação retórica.
E) Investigação dos fundamentos da natureza.

3. Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto de razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre objeto racional e objeto sensível ou material que privilegiasse o primeiro em detrimento do segundo. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias formava-se em sua mente.
ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado).

O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de Platão (427 a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão se situa diante dessa relação?

A) Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas.
B) Privilegiando os sentidos e subordinando o conhecimento a eles.
C) Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis.
D) Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não.
E) Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão.

4. (Enem/2017) Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 27 abr. 2017.

A persistência das reivindicações relativas à aplicação desse preceito normativo tem em vista a vinculação histórica fundamental entre

A) etnia e miscigenação racial.
B) sociedade e igualdade jurídica.
C) espaço e sobrevivência cultural.
D) progresso e educação ambiental.
E) bem-estar e modernização econômica.

5. (Enem/2017) O conceito de democracia, no pensamento de Habermas, é construído a partir de uma dimensão procedimental, calcada no discurso e na deliberação. A legitimidade democrática exige que o processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir de uma ampla discussão pública, para somente então decidir. Assim, o caráter deliberativo corresponde a um processo coletivo de ponderação e análise, permeado pelo discurso, que antecede a decisão.

VITALE, D. Jürgen Habermas, modernidade e democracia deliberativa. Cadernos do CRH (UFBA), v. 19, 2006 (adaptado).

O conceito de democracia proposto por Jürgen Habermas pode favorecer processos de inclusão social. De acordo com o texto, é uma condição para que isso aconteça o(a)

A) participação direta periódica do cidadão.
B) debate livre e racional entre cidadãos e Estado.
C) interlocução entre os poderes governamentais.
D) eleição de lideranças políticas com mandatos temporários.
E) controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos.

6. (Enem/2017) A participação da mulher no processo de decisão política ainda é extremamente limitada em praticamente todos os países, independentemente do regime econômico e social e da estrutura institucional vigente em cada um deles. É fato público e notório, além de empiricamente comprovado, que as mulheres estão em geral sub-representadas nos órgãos do poder, pois a proporção não corresponde jamais ao peso relativo dessa parte da população.

TABAK, F. Mulheres públicas: participação políticas e poder. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2002.

No âmbito do Poder Legislativo brasileiro, a tentativa de reverter esse quadro de sub-representação tem envolvido a implementação, pelo Estado, de

A) leis de combate à violência doméstica.
B) cotas de gênero nas candidaturas partidárias.
C) programas de mobilização política nas escolas.
D) propagandas de incentivo ao voto consciente.
E) apoio financeiro às lideranças femininas.

GABARITO: 1 D, 2 B, 3 D, 4 C, 5 B, 6 B.

sábado, 28 de maio de 2022

METAFÍSICA ARISTOTÉLICA

(SUBSTÂNCIAS, CATEGORIAS E LÓGICA)

Por: Claudio F. Ramos, a partir de textos da net. C@cau “:¬)28/05/2022

 - "O ser se diz de várias maneiras...”.

·         Com essa frase, Aristóteles funda uma nova maneira discursiva de se alcançar a verdade das coisas.

·         Não mais o diálogo, como em Platão, mas a partir do instrumento do pensar (Lógica).

- O que é substância para Aristóteles?

·         Substância é o suporte ou substrato pelo qual a matéria se constitui em algo seguindo uma forma.

·         É na substância que atuam as famosas quatro causas (Material, Eficiente, Formal e Final).

·         Duas são as substâncias existentes.

- A substância primeira.

·         Refere-se aos seres particulares, individuais, realmente existentes, na qual podemos ter sensações (referência imediata).

·         Nessa substância estão contidas tanto a essência quanto os acidentes (p.ex.: Sócrates).

- A substância segunda.

·         Refere-se aos universais abstraídos dos indivíduos (por isso são referências mediadas pelo pensamento, pelo raciocínio).

·         Sua existência depende dos indivíduos, que são classificados em gêneros e espécies.

·         A substância é sempre sujeito; isto é, aquilo do que se fala, do que se atribui.

·         A definição de essência se refere àquela que guarda uma identidade consigo mesma, uma unidade interna sem a qual não há determinação e tudo é misturado, indistinguível.

·         São as características próprias dos seres (p.ex.: a essência de homem é ser animal, racional, mamífero, bípede etc.).

- Acidente.

·         É aquilo que não é necessário em um ser, sem o qual o ser não deixa de ser o que é, seja pela ausência ou pela presença (ex.: homem negro, branco, alto, baixo, gordo, magro, rico, pobre).

·         São atribuições que se referem ao indivíduo, mas não o definem.

- Predicados e Categorias

·         Para se atribuir algo a um sujeito, é preciso que haja predicados ou categorias que dizem o ser de vários modos.

·         Aristóteles considera a existência de nove categorias com as quais se diz sobre o ser.

·         1. Qualidade; 2. Quantidade; 3. Relação; 4. Lugar; 5. Posição; 6. Tempo; 7. Posse; 8. Ação; 9. Paixão.

·         As categorias são termos de proposições que declaramos sobre as coisas.

·         Elas indicam que algo é, faz, ou ainda, está.

·         São apreendidas diretamente, sem necessidade de demonstração.

·         Não são conhecimentos, já que estes derivam de um conjunto de proposições declarativas do qual é extraída uma conclusão.

- Propriedades das categorias

·         Extensão: conjunto de coisas determinadas por uma categoria;

·         Compreensão: conjunto de características que uma categoria designa.

·         Quanto maior a extensão de uma categoria ou termo, menor será sua compreensão e vice-versa.

EX. - Sócrates é apenas um indivíduo (menor extensão e maior compreensão).

Ex. - Homem é um conjunto (maior extensão e menor compreensão).

- Classificação das categorias

·         Essa distinção permite classificar as categorias em:

·         Gênero: extensão maior, compreensão menor. Ex.: animal.

·         Espécie: extensão média e compreensão média. Ex.: homem.

·         Indivíduo: extensão menor e compreensão maior. Ex.: Sócrates.

- Conclusão

·         Aristóteles, depois do exposto, pôde construir sua lógica como instrumento do correto pensar através de silogismos lógicos.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

TRANSCEDÊNCIA E IMANÊNCIA

 TRANSCEDÊNCIA E IMANÊNCIA

Por: Claudio F Ramos, a partir de livros e da net. C@cau “::¬)07/04/2022

 PROPOSIÇÕES

- De quantas formas o ser humano se relaciona com as coisas e o mundo?

- O que é transcendência e o que é imanência?

- Quantas e quais são as religiões do livro?

- Como os pensadores clássicos conceberam a ideia de Deus?

FORMAS DE LIDAR COM O MUNDO

- Há duas posturas básicas pelas quais os seres humanos lidam com o mundo e vivem nele:

·         Postura Imanentista – considera que o sentido das coisas se resume à sua dimensão física.

·         Postura Transcendentalista – considera que o sentido do mundo está em sua dimensão extrafísica.

·         A passagem de uma dimensão para a outra munda a relação que as pessoas têm com as coisas, as pessoas e o mundo.

TRANSCENDÊNCIA

- Concepção divina, mágica e sacralizada da realidade.

·         Tradição que concebe Deus como princípio primeiro de todas as coisas.

·         A transcendência também pode ser entendida como: teologia ou metafísica.

IMANÊNCIA

- Aquilo que está dentro do mundo; o que se encerra dentro do universo das coisas.

·         A imanência forma com a transcendência um par de oposição.

·         Essa visão de mundo não aceita nada que possa existir fora da realidade.

BARUCH ESPINOZA (1632-1677)

- Espinoza considera que Deus é imanente ao mundo; imanente à natureza.

·         Para o filósofo Deus é a natureza (Panteísmo).

·         Deus seria a soma de tudo quanto existe.

·         Deus, substância única, é um ser infinitas qualidades; nós conhecemos apenas duas: o pensamento e a matéria.

·         As coisas existem enquanto modos da substância única que é Deus.

·         A liberdade humana reside no reconhecimento da não liberdade.

AS TRÊS RELIGIÕES DO LIVRO

- Judaísmo, cristianismo e islamismo são as chamadas “religiões do livro” por serem baseadas em revelações contidas em livros considerados sagrados.

·         Maiores religiões monoteístas do mundo e que pregam a imortalidade da alma.

·         Originárias de uma mesma região: Oriente Médio.

JUDAÍSMO

- O filósofo e teólogo Maimônides, conseguiu compilar a maior parte da teologia judaica.

·         Crença na existência de um povo eleito; acreditam na vinda de um Messias.

·         Crença na imortalidade da alma e na ressureição dos mortos.

ISLAMISMO

- Religião “criada” por Maomé, profeta árabe que recebeu influência do judaísmo e do cristianismo.

·         Crença em divindade única e juízo final.

·         Divide-se em dois grupos principais: xiitas e sunitas

·         Xiitas – consideram que a sucessão de Maomé deveria restringir-se aos descendentes (mais legalistas e tradicionais na interpretação do Alcorão).

·         Sunitas – grupo majoritário; aceitam outros como sucessores do profeta e não rejeitam a inclusão da Suna (livro que apresenta a trajetória de Maomé).

CRISTIANISMO

- Nesse modelo de crença Deus não é somente transcendente; ele é também imanente.

·         Mesmo sem deixar a sua natureza divina, Deus tornou-se homem, assumindo uma natureza terrena.

·         O abismo entre o criador e a criatura foi desfeito por iniciativa do próprio Deus.

·         Concílio de Niceia (3250 – definiu a divindade como um ser Consubstanciado.

DEUS E OS CLÁSSICOS

- Platão: concebe a realidade de forma dualista (a dimensão sensível e a Inteligível).

·         Na dimensão inteligível encontram-se as ideias, tudo o que existe no mundo sensível possui uma ideia eterna e imutável.

·         No mundo das ideias existe uma espécie de hierarquia; a ideia do Bem é a suprema.

·         O Demiurgo: uma espécie de artífice que plasma as ideias do mundo inteligível no mundo sensível.

·         Há um modelo (mundo sensível), uma cópia do modelo (mundo sensível) e um artífice (produz cópias a partir do modelo).

·         O artífice criou o mundo por bondade, por amor ao bem.

·         O mundo inteligível sempre existiu, e, é perfeito; a matéria sempre existiu, era caótica; por amor às ideias, o Demiurgo, uma inteligência cósmica, imprimiu as ideias na matéria. Surgiu o mundo sensível!

- Aristóteles: Primeiro Motor Imóvel (PMI) – princípio primeiro e causa primeira do movimento do mundo.

·         Todas as coisas que estão se transformando são efeitos de uma só causa.

·         Há uma causa que não foi causada por coisa nenhuma; ato puro.

·         O motor imóvel é suprassensível, extra físico, eterno, incorruptível, divino.

CONCLUSÃO

- Com a mudança de visão (transcendente ou imanente) muda a relação de sentido.

·         Muda-se a forma como se relaciona a vida humana e com todo o universo.

 

 

 

 

 

 

 

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